Relatório de vereadores indica supostas irregularidades em contrato milionário no transporte público de Caraguatatuba

Relatório feito por comissão de vereadores foi encaminhado ao Poder Executivo Municipal, ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e ao Ministério Público do Estado de São Paulo

 

A Câmara Municipal de Caraguatatuba, por meio da Comissão de Assuntos Relevantes (CAR) do Transporte Público, apresentou na 11ª Sessão Ordinária, realizada nesta terça-feira (14/04), o relatório final que investigou a execução do contrato de concessão do transporte público coletivo no município. O documento aponta indícios de irregularidades na gestão e operação do serviço.

 

O contrato analisado,  foi firmado pelo ex-prefeito Aguilar Júnior, a partir da Concorrência Pública nº 09/2022, possui prazo de 15 anos e valor global estimado em R$ 724,9 milhões. A comissão foi composta pela vereadora Cássia do PT (presidente), vereador Maurílio Moreira de Assis (relator) e pelos vereadores Duda Silva e Danster Fernandes.

 

 

Entre os principais pontos destacados no relatório estão questionamentos sobre a legalidade da transferência da concessão para a empresa Sancetur, ocorrida poucos meses após a assinatura do contrato original. Segundo a comissão, há dúvidas quanto à comprovação da capacidade técnica e econômico-financeira da nova concessionária.

 

Outro ponto considerado crítico é a possível não aplicação da Cláusula 5.7 do contrato, que determina a retenção automática de valores como multas, ISS e encargos da concessão. Caso confirmada, a falha pode ter resultado em pagamentos superiores aos devidos, com potencial impacto ao erário municipal.

 

A comissão também identificou problemas relacionados à qualidade do serviço prestado à população, com base em diligências e escuta direta de usuários. Foram relatadas falhas como atrasos frequentes, superlotação, má conservação dos veículos e dificuldades de acessibilidade, especialmente para idosos e pessoas com deficiência.

 

Além disso, o relatório aponta fragilidades na transparência de atos administrativos, incluindo o reajuste da tarifa de remuneração, que passou de R$ 10,68 para R$ 14,32 e a gestão de termos aditivos contratuais.

 

Para a presidente da Comissão, vereadora Cássia do PT, o relatório representa um marco no processo de fiscalização do serviço público no município. “Nosso objetivo é garantir que o transporte público cumpra sua função com qualidade, respeito à população e responsabilidade com os recursos públicos. O relatório traz elementos técnicos importantes que precisam ser analisados com seriedade pelos órgãos competentes”, destacou.

 

Diante do resultado obtido, a comissão recomendou uma série de medidas, entre elas: realização de auditoria financeira para apurar possíveis pagamentos indevidos; auditoria técnico-operacional do sistema de transporte; reanálise do processo de transferência da concessão e aprimoramento dos mecanismos de controle e fiscalização.

 

O relatório também já foi oficialmente encaminhado ao Poder Executivo Municipal, ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, ao Ministério Público do Estado de São Paulo e a outros órgãos de controle, para ciência e adoção das providências cabíveis no âmbito de suas competências.

 

O documento ainda sugere que, a depender dos resultados das apurações, o Poder Executivo avalie a abertura de processo administrativo para eventual declaração de caducidade da concessão, conforme previsto na legislação federal.

 

Segundo a Comissão de Assuntos Relevantes, o objetivo é assegurar a legalidade do contrato, a proteção do erário e a melhoria efetiva da qualidade do transporte coletivo oferecido à população.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *