Moradores de Caraguatatuba defendem que a Praia da Mococa seja transformada em parque ecológico

Moradores entendem  que com a criação do parque a praia ficaria preservada,  impedindo a implantação de condomínios fechados a beira mar

 

Por Salim Burihan

 

Moradores e veranistas que frequentam a praia de Mococa, na região norte de Caraguatatuba, reivindicam ao prefeito da cidade, Mateus Silva, transformação do orla da Praia de Mococa num Parque Ecológico, para impedir que a praia seja privatizada como ocorreu com a praia da Tabatinga nos anos 80.

 

A instalação recentemente de placas por proprietários de áreas particulares na Mococa, proibindo a entrada das pessoas, assustou os frequentadores da praia. As placas que revoltaram os frequentadores- apesar da prefeitura afirmar que elas não impediam o acesso das pessoas à praia- acabaram sendo vandalizadas na última quinta(4).

 

 

Segundo consta, as placas novas,  que foram instaladas pelos donos dos terrenos, obrigados por lei, tinha como objetivo apenas proteger a área, evitando a construção de quiosques e a entrada de carros na faixa de jundu.  As placas não tinham como objetivo impedir o acesso das pessoas.

 

As placas deveriam ter sido feitas de forma diferente, explicando na verdade, que a medida é destinada à proteção ambiental e, não, de impedir o acesso das pessoas à praia. Mas, do jeito que foram feitas, na cor vermelha com os dizeres “Proibida a Entrada” e “Propriedade Particular”, acabaram revoltando moradores, veranistas e turistas.

 

No novo plano diretor do Município, lei 104 de 2023, na região da Mococa, existem cinco áreas particulares. Três terrenos- as glebas 1, 2 e 5, foram mantidos como ZPP(Zona de Preservação Permanente), ou seja, são áreas totalmente preservadas, nada pode ser construído nesses locais.

 

Glebas particulares na Mococa

 

Os dois outros terrenos, glebas 3 e 4, foram classificadas como Zona Especial(ZE), ou seja, 70% das áreas podem ter edificações (construções).  Lá, também, é proibida a construção sobre área de vegetação de restinga, importantes para a manutenção e proteção das marés que eventualmente avançam sobre o continente.

 

As empresas Participações Endicot Ltda(gleba1), Imobiliária 509 Brasil Projetos (gleba 2) e Porto Verde Mar Empreendimentos (gleba 4) tentam regularizar suas áreas e transformá-las em condomínios fechados, mas por enquanto apenas um deles, a Mônaco Siani empreendimentos Ltda, conseguiu implantar em um condomínio fechado na Mococa, o Villagio Porto Fino.

 

Preocupados, os frequentadores entendem que o ideal seria a prefeitura transformar a orla da Mococa num Parque Ecológico, medida que iria preservar a praia, um das única ainda selvagem no município, para as futuras gerações. A Mococa é um das praias mais frequentadas na região norte de Caraguatatuba.

 

O biólogo e ambientalista Roque Alves, da Associação Caraguatás Ambiental, que atua desde 2016 na preservação da orla da Mococa, defende a criação do Parque Ecológico. Segundo ele, com a criação do parque, seria mantido o acesso das pessoas à praia e a vegetação ficaria reservada. “Poderia inclusive instalar uma escola de educação ambiental permanente, para visitação das escolas e do público em geral”, disse.

 

Roque Alves, da Associação Caraguatás Ambiental

 

Outro detalhe interessante que pouca gente conhece: no topo do morro, que separa a Mococa da Cocanha, existia um cemitério indígena, que também por muitos anos foi utilizado para o sepultamento de famílias caiçaras. Alves sugere que a trilha seja melhorada e criado um mirante, para que moradores e turistas possam apreciar a beleza da região.

 

Para o caiçara Edson Mendes, ex-vereador e de família tradicional de Caraguatatuba, a criação do parque ecológico pela prefeitura iria acabar de vez com os interesses imobiliários e preservar de vez a praia da Mococa. Guilherme Fritas também defende a criação do parque ecológico.

 

Carla Canoa, moradora do Massaguaçu, uma das primeiras pessoas a alertar os frequentadores sobre a instalação de placas proibindo a entrada das pessoas na Mococa, defende a criação do parque ecológico, com um espaço destinado aos tutores e seus animais. Segundo Carla, a implantação do parque ecológico iria afastar de vez a cobiça do setor imobiliário sobre a Mococa. “É um lugar muito belo que deve ser preservado”, comentou.

 

Parque Ecológico  

 

 

A Prefeitura de Caraguatatuba, através da Secretaria de Urbanismo, iniciou em maio do ano passado estudos para transformar a praia da Mococa, na região norte, num parque ecológico. A proposta, caso seja aprovada pelo prefeito Mateus Silva e sociedade civil, deverá ser apresentada ao MPF(Ministério Público Federal) e SPU(Serviço de Patrimônio da União).

 

Não conseguimos atualizar com está o projeto do parque ecológico, mas caso o projeto avance, a praia da Mococa se tornaria um parque ecológico linear com o plantio de jundu em toda a sua extensão e a recriação de cenários de restinga, com possibilidade de passeio e contemplação para educação ambiental.

 

Ainda, segundo a prefeitura, o parque linear da orla da Mococa seria uma solução sustentável para a recuperação da praia perante a situação em que hoje ela se encontra, devido ao avanço do mar e a erosão praial, que obrigou, inclusive, o remanejamento dos quiosques instalados na praia.

 

Segundo a prefeitura, o mar avançou drasticamente sobre a areia criando erosões que desnivelam a praia em quase dois metros. Boa parte dos quiosques foram parcialmente destruídos pelo avanço do mar e reconstruídos um pouco mais distantes do mar.

 

A prefeitura informou ainda, na ocasião, que iniciou um projeto para a implantação e redimensionamento dos espaços dos quiosques em duas áreas ainda possíveis. As concessões dos quiosques estariam nestes dois ambientes, conjuntos e menores. A prefeitura acredita que criando o parque ecológico da Mococa, conseguirá trazer atração para o turismo não predatório, controlado e consciente, junto à natureza.

 

Segundo o Mapa de Risco à Erosão Costeira no Litoral do Estado de São Paulo,  de 2025, a praia da Mococa, em Caraguatatuba, é classificada como de risco ALTO.  O Mapa classifica as erosões em cinco classes como Muito Alto, Alto, Médio, Baixo e Muito Baixo risco.

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