Jornalista Adriana Rodrigues, de Caraguatatuba, participará de ação humanitária na África, através do Fraternidade Sem Fronteiras

 

Jornalista irá visitar comunidades atendidas por projetos humanitários, através da Caravana Malawi, da Fraternidade Sem Fronteiras

 

Em novembro, uma mala que sai de Caraguatatuba terá como destino o Malawi, no sudeste da África. Além das doações que serão levadas para comunidades atendidas por projetos humanitários, a bagagem da jornalista Adriana Rodrigues carrega uma história que começou há décadas, quando ainda era criança.

Aos 43 anos, Adriana se prepara para integrar a Caravana Malawi, da Fraternidade Sem Fronteiras (FSF), com destino ao Projeto Nação Ubuntu, que atua no Campo de Refugiados de Dzaleka. Servidora pública da Prefeitura de Caraguatatuba, na Secretaria de Comunicação, a jornalista deve realizar um sonho antigo: participar de uma missão humanitária na África.

 

A vontade nasceu diante de imagens que chegavam pela televisão e pelos jornais sobre a fome e as crises humanitárias no continente. Uma delas ficou especialmente marcada em sua memória: a fotografia feita por Kevin Carter, em 1993, no Sudão, que mostrava uma criança em situação de extrema desnutrição enquanto um abutre aparecia ao fundo. A imagem correu o mundo e recebeu o Prêmio Pulitzer no ano seguinte.

Para Adriana, porém, ficou algo além da fotografia. “Eu era criança, mas aquela reportagem me despertou para uma realidade que eu não conhecia. E também despertou em mim uma vontade de conhecer histórias, de contar histórias e de, por meio da comunicação, fazer com que essas realidades chegassem a outras pessoas”, lembra.

Anos mais tarde, já jornalista, Adriana começou a procurar uma maneira de transformar aquele sentimento em ação. Há mais de uma década conheceu o trabalho da Fraternidade Sem Fronteiras e tornou-se madrinha de um dos projetos da organização. A possibilidade de participar presencialmente de uma caravana ficou guardada até que chegasse o momento certo.

 

 

Esse momento chegou. No Malawi, Adriana deve encontrar uma realidade formada por milhares de histórias. O Campo de Refugiados de Dzaleka abriga mais de 60 mil pessoas e recebe famílias que deixaram seus países em busca de segurança e de uma oportunidade para recomeçar.

É nesse cenário que funciona o Projeto Nação Ubuntu. Entre as iniciativas estão uma escola que atende aproximadamente duas mil crianças e o Mães do Campo, projeto que oferece trabalho e geração de renda para mulheres refugiadas.

A missão também começa antes do embarque. Cada voluntário assume os custos da própria viagem e participa da mobilização para arrecadar doações, que seguem para a África nas bagagens dos integrantes da caravana.

Adriana pretende transformar os dias no Malawi em relatos. Durante a viagem, vai produzir o “Diário de um Coração Sem Fronteiras”, com histórias, imagens e reflexões sobre as pessoas e os lugares que encontrar pelo caminho.

Mais do que registrar uma viagem, a ideia é fazer o caminho de volta daquelas reportagens que tanto a impressionaram quando criança: aproximar realidades distantes através da comunicação.
“Vou para servir, para ouvir, para aprender e para viver encontros que certamente vão permanecer comigo. E quero voltar para contar essas histórias daqui da minha cidade.”

Em novembro, quando embarcar para o Malawi, Adriana não realiza apenas um sonho. Chega mais perto de uma história que começou muito antes da passagem comprada, das malas ou da decisão de viajar. Começou quando uma menina descobriu, diante de uma reportagem, que o mundo era muito maior do que conhecia — e decidiu que um dia gostaria de fazer alguma coisa a respeito.

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