Conheça a campanha premiada em Cannes, “Sem Azul Não Há Verde”, que está impulsionando a conservação dos oceanos no Brasil

 

A campanha brasileira “Sem Azul Não Há Verde” (ou “No Blue, No Green”), criada pela agência Droga5 São Paulo para a coalizão SOS Oceano, foi premiada com o Leão de Prata na categoria Print & Publishing Lions no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions 2026 .    Ganhar um Leão em Cannes é o equivalente a receber o “Oscar da publicidade”.  A 73ª edição do Festival Internacional de Criatividade de Cannes Lions ocorreu de 22 a 26 de junho, em Cannes, na Riviera Francesa. 

 

A campanha utilizou uma poderosa metáfora visual ao reinterpretar a bandeira do Brasil como um pedido de socorro. O conceito central estabelece que sem o azul dos oceanos, o verde da vida na Terra e das nossas florestas não pode existir. Na segunda fase da iniciativa, o design ganhou vida através de uma série de seis serigrafias produzidas artesanalmente.

 

 

As peças foram confeccionadas com pigmentos minerais naturais, conectando ilustrações naturalistas da fauna e da flora brasileiras para mostrar a interdependência dos biomas. Mais do que uma peça publicitária de sucesso, a comunicação serviu como uma ferramenta de pressão civil e política.

 

A SOS Oceano nasceu em 2023. Hoje, a aliança reúne 16 organizações brasileiras e internacionais unidas pela ampliação e fortalecimento de Áreas Marinhas Protegidas por acreditarem na conservação como caminho para garantir um futuro mais saudável para todos.

 

Além de conquistar o importante prêmio, campanha da SOS Oceano mostrou como a comunicação pode ter um papel importante na construção de políticas públicas ambientais e na conscientização da preservação ambiental.

 

A campanha “Sem azul não há verde” foi criada pela agência de publicidade Droga5  (através do seu hub de inovação Walk) para a coalizão SOS Oceano. O conceito da iniciativa foi inspirado em uma frase da renomada oceanógrafa Sylvia Earle sobre a preservação marinha.

 

A campanha utilizou o conceito “Sem Azul Não Há Verde” para evidenciar  relação direta entre a saúde dos oceanos, a manutenção da biodiversidade, o equilíbrio climático e  a qualidade de vida das populações.

 

Uma ação inédita transformou o maior símbolo nacional – a bandeira brasileira – em um poderoso chamado à ação. Na bandeira do Brasil, a ausência do azul e do verde – cores que representam nosso mar e nossas florestas – é uma metáfora contundente em alusão à frase de Sylvia Earl: “Sem azul, não há verde”.

 

Segundo a SOS Oceano, mais do que uma intervenção visual, essa iniciativa é um manifesto coletivo, um pedido urgente para que sociedade, governo e lideranças públicas reconheçam o valor estratégico do oceano e assumam compromissos concretos em sua proteção.

 

Além do sucesso em Cannes, o maior prêmio de criatividade do mundo, a campanha já alcançou 1 milhão de pessoas, garantiu a criação do maior Parque Nacional Marinho Brasileiro; teve Paul Watson como embaixador (fundador do Sea Shepherd Conservation Society, fundador da Captain Paul Watson Foundation e foi cofundador e diretor da fundação Greenpeace) e reuniu mais de 50 organizações e 40 influenciadores numa só voz.

 

 

Campanha 

 

 

O governo federal anunciou no último dia 6, a criação do Parque Nacional do Albardão, maior unidade de conservação marinha do Brasil, depois de mais de duas décadas que o projeto estava paralisado.

 

Segundo o Clube de Criação, a coalizão SOS Oceano, que uniu organizações da sociedade civil, advocacy político, ciência e  criatividade, ajudou a transformar o tema dos oceanos em pauta pública. Walkhub de inovação em impacto da Droga5, criou na ocasião a campanha “Bandeira sem Vida / Sem Azul não há Verde”, para promover o movimento.

 

A iniciativa teria começado durante a Rio Ocean Week e na COP30 e se mantém com conteúdos nas redes sociais, projeção, peças para out of home, influência e advocacy.

 

Nomes como Alok, Ney Matogrosso e Anitta, entre outros artistas, ativistas globais, lideranças indígenas e personalidades da cultura, compartilharam a iniciativa de forma orgânica.

 

A área de advocacy institucional da coalizão é responsável por fazer os materiais e mensagens da campanha chegarem a lideranças políticas, nos âmbitos estadual e federal.

 

Ajudamos a colocar o oceano no centro do debate público e a levar o tema às autoridades responsáveis. Essa é a melhor forma de usar a nossa criatividade: a serviço do impacto positivo“, ressalta Gabi Rodrigues, chief impact officer da Droga5 e líder da Walk.

 

O parque foi elaborado tecnicamente pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e inaugura uma nova etapa na proteção de ecossistemas oceânicos estratégicos.

 

Foram mais de 20 anos de espera. A campanha ‘Bandeira Sem Vida’ foi o ponto de virada que ajudou a destravar esse processo, trazendo visibilidade, pressão pública e engajamento em um momento decisivo. Ela mostrou que criatividade também é uma ferramenta poderosa de conservação”, pondera Angela Kuszack, articuladora da aliança SOS Oceano.

 

A criação do parque não encerra os desafios da proteção dos oceanos no país e cria um precedente concreto para avançar em outras áreas, como Fernando de Noronha, Abrolhos e a Foz do Amazonas. Assim, com o decreto, uma nova fase da campanha é inaugurada, agora visando “garantir a implementação efetiva da unidade de conservação e fortalecer a agenda de proteção marinha no Brasil”.

 

A campanha é um movimento nacional pela preservação do oceano, conjuntamente às florestas nacionais e a rica biodiversidade brasileira e pela ampliação das Áreas Protegidas Marinhas.

 

Por que o oceano precisa de proteção agora?

 

O oceano cobre mais de 70% da superfície da Terra, abriga 80% de toda a vida no planeta e fornece alimento para mais de 3 bilhões de pessoas. É também responsável por absorver cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e produzir mais da metade do oxigênio que respiramos. Além de regular o clima, os mares são essenciais, ainda, para a economia global.

 

Apesar dessa importância vital, a proteção marinha ainda é insuficiente. Hoje, apenas 8,2% do oceano global está protegido por alguma categoria de Área Marinha Protegida. No Brasil, o desafio é igualmente urgente: apenas cerca de 27% da Zona Econômica Exclusiva está sob alguma forma de proteção legal, e menos de 3% conta com proteção integral. Vulneráveis, grande parte dos ecossistemas marinhos e costeiros está ameaçada pela pesca predatória, poluição e pelos efeitos da crise climática.

 

Para enfrentar esses desafios e propor soluções concretas, a SOS Oceano nasceu em 2023. Hoje, a aliança reúne 16 organizações brasileiras e internacionais unidas pela ampliação e fortalecimento de Áreas Marinhas Protegidas por acreditarem na conservação como caminho para garantir um futuro mais saudável para todos.

 

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