Entidades cobram respeito as regras e participação do estado e União no turismo de avistamento de baleias no Litoral Norte

 

 

No feriado prolongado de Corpus Christis, centenas de turistas e embarcações foram o mar para avistarem as baleias que nesta época do ano,  cruzam o mar do Litoral Norte em direção até Abrolhos, no sul da Bahia. A presença de cerca de 40 embarcações acompanhando uma baleia jovem, na região do Borrifos, no sul de Ilhabela, no dia 6, sábado, assustou entidades de proteção animal e ambientalistas.

 

Baleia “encurralada” por barcos em Ilhabela

 

Mia Morete, da Fundação Viva Verde Azul, de Ilhabela, classificou as imagens da perseguição e encurralamento da baleia por mais de 40 embarcações, como um cena triste e cruel . “Desrespeitaram quase todas as regras que estão na legislação brasileira de proteção desses animais, como ficar a 100 metros;  nunca, mais de dois barcos próximos;  motor neutro, durante o  avistamento”, afirmou Mia.

 

Segundo ela, além de desrespeitarem a legislação, desrespeitaram a baleia. O animal, normalmente jovem, d 3 a 4 anos de idade, já percorreram mais de 4,5 mil quilômetros, da área de alimentação até aqui, em Ilhabela. Hoje, em dia o oceano é uma grande ameaça para esses animais.  Existem muito barulho dos motores, apetrechos de pesca, poluição química,  poluição sonora,  tráfego intenso de navios,  ou seja, enfrentam tudo isso antes de chegarem por aqui. Quando chegam, ao invés de terem tranquilidade, são perseguidas por mais de 40 barcos. E preciso mudar isso”, alertou.

 

Mia explicou que os barcos não podem ficar quatro, cinco horas acompanhando a baleia. “Isso não é legal para elas, com certeza. Vamos repensar isso tudo e ter respeito por esse animal. Absurdo o que estamos registrando … uma caça a baleias… sem respeito, sem piedade, sem ética … e fica a questão? Por que?”, finalizou.

 

Fiscalização

 

Prefeitura de São Sebastião orienta turistas de observação

 

 

Júlio Cardoso, do Projeto Baleia à Vista, de Ilhabela, um dos pioneiros na transformação do avistamento de baleias em atração turística no Litoral Norte Paulista, afirmou que, a observação de baleias se transformou num setor muito importante do turismo náutico na região.

 

Segundo Cardoso, cresceu e muito, o número de pessoas e de embarcações no avistamento de baleias em Ilhabela e São Sebastião nos últimos anos. “Não podemos ter preconceitos por que termos muitas embarcações na região. Baleias geram um enorme interesse. O que está faltando, basicamente, é organizar os avistamentos”, comentou.

 

Cardoso explica que a Marinha do Brasil tem ajudado, mas que estaria faltando embarcações das prefeituras, do Estado (Fundação Florestal) e da União(Ibama), na organização e fiscalização desses passeios, principalmente, em feriados prolongados.

 

Para Cardoso, apesar da pressão dos ambientalistas, após o grande número de embarcações seguirem e se aproximarem de uma baleia na ilha, não seria recomendável proibir esse tipo de turismo embarcado para avistamento de baleias em nossa região.

 

“O que ocorreu em Santa Catarina, no berçário das baleias francas, foi um erro. É o único lugar do mundo onde turismo embarcado foi proibido. Na Península Valdes, na Argentina, cerca de 150 mil pessoas anualmente fazem turismo embarcado para ver baleias francas”, contou.

 

Segundo Cardoso, Ilhabela e São Sebastião, não são berçário e, sim, áreas de passagem da espécie Jubarte que seguem em direção até Abrolhos, no sul da Bahia, para reprodução.

 

“A IWC (international Whale Comission) apoia e incentiva o turismo de avistamento de baleias, pois a atividade ajuda a criar a consciência na população sobre a importância de proteger nossa fauna.

 

Nos últimos anos, graças ao trabalho de foto identificação feito pelas operadoras deste tipo de turismo, já existem 840 baleias jubartes identificadas na região. “Várias baleias tem voltado e estão sendo vistas por aqui. Se estivessem muito incomodadas, não voltariam”, acredita.

 

Cardoso argumenta que, o turismo náutico de avistamento de baleias é uma atividade nova que está incrementando a economia da região, mas que seria necessário uma maior presença do estado e da União para se desenvolver de forma adequada.

 

“Na ausência do Estado, as próprias operadoras habilitadas e treinadas,  que conhecem as normas  regras de avistamento, tem procurado disciplinar a atividade, afastando as embarcações particulares e jet-skis, que por desconhecerem as normas, acabam se aproximando das baleias,   além do permitido”, destacou.

 

Segundo ele, as baleias são animais para serem vistas de longe pois, como as jubartes, saltam, batem a cauda e as nadadeiras. “Podem causar acidentes sérios ou até fatais em quem não respeita as regras. O ideal é ficar a 100 metros das baleias. Jet skis e pequenas embarcações tem que respeitarem as normas e manter uma distância ainda maior”, finaliza.

 

Regras

 

Embarcação não pode se apoximar tanto da baleia

 

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