Uma das três baleias avistadas neste domingo foi a “Mané” que permanece na região desde julho deste ano.
Três baleias da espécie Jubarte foram avistadas neste domingo(14), entre Ilhabela e Ubatuba. O registro foi feito por tripulantes da embarcação Capitão Ximango, que promove passeios para avistamento de baleias na região. Tradicionalmente, a temporada de baleias no Litoral Norte Paulista vai de maio a setembro. Neste período, as jubartes migram para a costa brasileira, cruzam o Litoral Norte Paulista, em direção até Abrolhos, no sul da Bahia, em busca de águas mais quentes e rasas para acasalar e dar à luz aos seus filhotes.
Segundo Júlio Cardoso, Júlio Cardoso, observador experiente do movimento das baleias há mais de 20 anos no Litoral Norte Paulista, neste domingo, as baleias foram avistadas na região de Ubatuba. Ele se manifestou nas redes sociais: “Tudo isso é’ novo, nunca tinham ficado por aqui tanto tempo!” . Confira o vídeo feito neste domingo mostrando a “Mané”, feita por Gustavo, da embarcação Capitão Ximango:
Cardoso, fundador do projeto Projeto Baleia à Vista, disse que uma das três baleias avistadas neste domingo(14), foi uma Jubarte, apelidada de “Mané” que foi avistada em 12 de julho deste ano e ainda permanece na região. “Nós identificamos as jubartes pela cauda e uma delas foi apelidada de Mané e está aqui desse julho. Trata-se de uma baleia juvenil, ainda nova, de uns 2 anos de idade, de cerca de 8 metros de comprimento. Hoje, além da “Mané” tinham mais duas jubartes pela área em Ubatuba. Uma delas também é bem conhecida, é a “Dalai”, contou Júlio.
Segundo ele, as jubartes juvenis que estão no litoral norte, possivelmente, vieram com a mãe e desmamaram na região, como acharam comida foram ficando. “Essa é uma das hipóteses, da permanência delas durante esse tempo todo por aqui. O fato e’ que elas estão se alimentando por aqui, especialmente de camarões bem pequenos, isto já está comprovado”, comentou.
“O que estamos aprendendo é que as baleias adultas seguem fazendo sua migração ao tradicional da região de alimentação (Antártica) para a região de reprodução (Abrolhos). Várias juvenis, que não estão em idade de reprodução precisam comer com mais frequência, como acharam comida por aqui, tem ficado. Enquanto estiverem achando comida, não vão embora. Isso é novo e estamos estudando”, finalizou.
Mané

A Jubarte, apelidada de “Mané”, ficou por duas vezes enroscada em rede de pesca em Ubatuba e foi desemalhada nas duas ocasiões pelo pessoal do Instituto Argonauta. O primeiro resgate ocorreu no dia 30 de junho, quando a baleia-jubarte jovem foi encontrada presa em uma rede de pesca na região da Ponta Grossa, em Ubatuba. A equipe do Instituto Argonauta conseguiu realizar o desemalhe completo, removendo cerca de 27 metros de rede, permitindo que o animal retornasse ao mar. O segundo resgate do Mesmo Animal, ocorreu no dia 17 de julho, desta vez próxima à Praia de Itamambuca, quando foi avistada novamente enredada e biólogos e mergulhadores do instituto realizaram uma nova operação bem-sucedida para libertá-la.

“Essa ocorrência demonstra a importância de termos equipes preparadas e articuladas para responder com agilidade a situações de risco para a fauna marinha. Seguimos firmes em nossa missão, unindo conhecimento técnico e engajamento para proteger a vida marinha”, destaca Hugo Gallo Neto, oceanógrafo, diretor do Aquário de Ubatuba e presidente do Instituto Argonauta.
Segundo Hugo Gallo, o emalhe de baleias é um acidente que acontece quando elas cruzam áreas de pesca durante a migração. Para evitar isso, é essencial unir monitoramento, resposta rápida e educação ambiental na proteção da vida marinha. O desemalhe de grandes cetáceos é uma atividade técnica, realizada mediante autorização dos órgãos competentes e de alto risco. No Brasil, essa atividade é regulamentada pela Portaria Conjunta MMA/IBAMA/ICMBio nº 3, de 8 de janeiro de 2024, que define protocolos rigorosos para garantir a segurança dos animais e das equipes.
