Prainha, em Caraguatatuba, está há três semanas com suas águas em boas condições para banho após ações e medidas adotadas pela Sabesp e Prefeitura da cidade. Foto Capa: Hugo Labanca/PMC
Por Salim Burihan
Duas reportagens veiculadas pelo NP (Notícias das Praias), uma em 26 de janeiro de 2025, intitulada “Prainha, em Caraguatatuba, passa boa parte do ano imprópria para banho, apesar do bairro ter saneamento básico: afinal, de onde vem o esgoto que polui a praia? e outra, publicada em 20 de março passado, intitulada “Afinal, de onde vem o esgoto que polui a Prainha, em Caraguatatuba? fizeram com que a Sabesp e a Prefeitura de Caraguatatuba adotassem medidas para tentarem descobrir a origem do esgoto e combater a poluição que vinha constantemente poluindo uma das praias mais frequentadas e conhecidas da cidade de Caraguatatuba.
O interessante é que o bairro tem coleta e tratamento de esgoto e os bairros vizinhos, como a Martim de Sá e Prainha, também, possuem saneamento básico. Não existe nenhum córrego ou rio que desague na praia, trazendo esgoto de outros bairros. A suspeita, principalmente, por parte dos comerciantes estabelecidos na praia, sempre foi de que o esgoto que poluía a Prainha vinha de outras regiões, através das correntes marítimas.
Em 2023, a Prainha passou 24 das 52 semanas do ano com classificação de praia imprópria para banho devido a presença de esgoto em suas águas. No ano passado, 2024, a Prainha esteve imprópria para banho em 25 das 52 semanas de avaliação pela Cetesb. Foi a praia mais poluída da cidade em 2023 e 2024. Em 2025, ficou 20 semanas poluídas. Este ano, em 15 semanas, a praia esteve classificada como imprópria em 11 vezes.

Em 2026, a Prainha passou praticamente todo o verão com suas águas impróprias para banho. Segundo a Cetesb, a praia esteve em boas condições de uso apenas nas medições feitas nos dias 15 de fevereiro, 29 de março e 5 e 12 de abril. Apesar da bandeira vermelha, que sinaliza que a água estava poluída, a praia continuava recebendo um número muito grande de banhistas, apesar dos riscos à saúde devido a presença do esgoto no mar.
Segundo consta, o prefeito Mateus Silva após tomar conhecimento da situação da balneabilidade na Prainha, uma das praias mais frequentadas e conhecidas da cidade, acionou seus secretários para que juntamente com a Sabesp adotassem medidas conjuntas para acabar com a poluição na praia. O resultado está dando certo. Nas últimas três semanas de análises pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), às águas da Prainha se mantém em boas condições para banho.

O advogado Luiz Siqueira, da cidade de Santa Branca, frequentador da praia, elogiou a prefeitura pela iniciativa. ” A Prainha é uma das melhores praia de Caraguatatuba. Eu frequento a Prainha desde criança, levado pelos meus pais. Meus filhos, quando pequenos, também frequentaram a praia, que é muito segura para crianças e idosos. O prefeito está de parabéns pelas ações que estão despoluindo as águas da praia”, afirmou Siqueira.
Prefeitura

O secretário de Meio Ambiente da Prefeitura de Caraguatatuba, Auracy Mansano, havia antecipado ao NP, há pelo menos duas semanas, que a prefeitura, através do Meio Ambiente, da Saúde e Urbanismo e a Sabesp tinham iniciado um conjunto de ações para identificar e combater a presença do esgoto na praia. O objetivo é a melhoria da qualidade ambiental numa das praias mais frequentadas da região.
Segundo Mansano, técnicos do Meio Ambiente, da Saúde e do Urbanismo fizeram uma levantamento dos imóveis e dos comércios na região e de supostos problemas na rede de esgoto no bairro da Prainha. O objetivo era localizar algum vazamento ou entupimento na rede ou ainda esgoto lançado indevidamente na praia, situações que pudessem estar causando a poluição da praia. Mansano explicou que trata-se de um trabalho praticamente pioneiro, em conjunto com a Sabesp, para acabar de vez com a poluição na Prainha.
No dia 6 de abril, após a segunda semana com a Prainha apresentando águas próprias para banho, Mansano ainda não queria comemorar o sucesso das medidas e ações feitas em conjunto com a Sabesp. “Acho melhor a gente aguardar mais um mês para ver se a praia se mantém em boas condições de uso”, comentou ele.
A Prainha é um dos cartões postais de Caraguatatuba. A praia de águas mansas e areias finas, é Ideal para banho de crianças e idosos. No passado, foi considerada a “Copacabana” do Litoral Norte. Uma de suas atrações é a Pedra do Jacaré, uma formação rochosa semelhante ao jacaré. É uma das praias mais frequentadas da cidade.
Sabesp

Entre os dias 23 e 27 de março, a Sabesp promoveu uma força-tarefa com a realização de testes de fumaça e de corante em imóveis do entorno da praia, com o objetivo de identificar possíveis ligações irregulares de esgoto e lançamentos indevidos. A iniciativa permitiu identificar três ocorrências: dois imóveis com lançamento direto de efluentes na faixa de areia e um com infiltração de esgoto no solo.
Após a identificação, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Vigilância Sanitária de Caraguatatuba atuaram de forma integrada com a Sabesp na vistoria e notificação dos responsáveis, que deverão realizar as adequações necessárias para a regularização.
A gerente regional da Sabesp, Monica Riccitelli, destaca que as ações fazem parte de um trabalho contínuo. “A atuação técnica é fundamental para identificar e corrigir irregularidades que impactam diretamente o meio ambiente. No entanto, a melhoria da qualidade das praias depende de um esforço permanente e integrado entre Sabesp, Prefeitura e população”, afirma.
O coordenador da Operação de Esgoto no Litoral Norte, Allan Akio Batista Yona, reforça o caráter preventivo das ações. “Os testes realizados permitem identificar conexões irregulares muitas vezes não visíveis, possibilitando uma atuação mais precisa. Esse é um trabalho que precisa ser contínuo para garantir avanços consistentes ao longo do tempo”, explica.
A melhoria observada nas condições da Prainha está associada a um conjunto de ações coordenadas, que envolvem a Sabesp, a Prefeitura, a Secretaria de Meio Ambiente e a participação da população. Trata-se de um processo gradual, que exige fiscalização, conscientização e a correta destinação dos efluentes.
A Sabesp reforça que o apoio da população é essencial e orienta que as ligações de esgoto sejam feitas de forma adequada, contribuindo para a preservação ambiental e a saúde coletiva.
