Segundo a Ong Carga Viva Não, pelo menos 17 embarques de carga vivas estão previstas até maio
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Por Salim Burihan
O porto de São Sebastião, no Litoral Norte Paulista, terá pelo menos 17 embarques de gado vivo com destino à Turquia e ao Marrocos nos primeiros meses deste ano. O porto sebastianense vem se consolidando como um dos principais pontos de exportação de cargas vivas do Brasil, alternando com outras cargas como açúcar, cevada e malte. Pesquisa feita pelo movimento “Carga Viva Não”, aponta que 84% dos moradores se posiciona contra a exportação de animais vivos pelo porto local.


Navios de grande porte, como o S. Aras e WMF Express, atracam no Porto de São Sebastião para carregar milhares de animais. Acredita-se que cada navio transporte de 5.000 a mais de 20.000 cabeças por operação. O gado vem da fazendas de Minas Gerais e do interior paulista. O transporte até o porto é feito em carretas pela Tamoios. Segundo os exportadores, o transporte e o embarque são realizados em conformidade com as normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).
No ano passado, o porto de São Sebastião transportou ao todo 150 mil cabeças de gado. A exportação em 2026 deverá ser maior. O primeiro embarque de animais vivos pelo porto de São Sebastião ocorreu no dia 6 de janeiro, quando foram embarcados 5.000 bois vivos no navio WMF EXPRESS. Ainda em janeiro, foram feitos embarques de animais vivos no navio Hajh Amina. Em fevereiro, até agora, foram realizados dois embarques nos dias 6 e 15 nos navios Dalal F e Maysora outros dois embarques estão programados para os dias 25, navio Queensland e dia 26 no navio North Star.
Em março, o porto sebastianense tem programado cinco embarques de cargas vivas, nos dias 4 (navio Dalal F), no dia 10 (navio Ghena); no dia 13 (navio Madonna), no dia 22 (navio Maysora) no dia 28 (navio Queesland). Em abril, por enquanto um embarque, dia 15, no navio S.Aras, Em maio, estão programados dois embarques: dia 4,navio Ghena dia 9, navio Maysora.
A receita de exportação de bovinos vivos do Brasil em janeiro de 2026 de US$208,70 milhões foi 158,2% acima do praticado no mesmo período do ano anterior (US$80,16 milhões) e, de longe, novo recorde para um mês de janeiro, segundo o site Farmnews. A exportação de bovinos vivos, avaliada em faturamento, somou o equivalente a US$208,70 milhões em janeiro de 2026, o valor mensal mais alto já observado. Apenas para comparação, em 2024, a receita foi de US$19,99 milhões, e, em 2023, de US$ 10,53 milhões.
Seguem os protestos

Ativistas dos direitos animais e ambientalista continuam protestando em São Sebastião contra o embarque de cargas vivas pelo porto do município. Promovem protesto na Câmara Municipal, no porto e nas ruas da cidade. Segundo o ativista João Carlos, do movimento ” Carga Viva, Não!”, o movimento é uma iniciativa de cidadãos comuns incomodados com o impacto ambiental causado pelos embarques e com os maltrato dos animais.

Os ambientalistas já acionaram o Ministério Público a justiça local, para que seja proibida exportação de animais vivos pelo porto de São Sebastião. Uma pesquisa do movimento constatou que 84% dos moradores da cidade são contra o embarque de animais vivos pelo porto. Este ano, estão sendo promovidas “lives” com a participação feitas especialistas, pesquisadores e ativistas mostrando porque a exportação de animais vivos deve ser proibida em São Sebastiao e nos demais portos do país.
Porto é premiado pela Antaq

O Porto de São Sebastião ficou em segundo lugar entre os terminais brasileiros com melhor desempenho ambiental na categoria destinada a instalações que movimentam até 5 milhões de toneladas por ano. O resultado foi divulgado durante a cerimônia do Prêmio Antaq 2025, realizada em Brasília.
A premiação é concedida pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e avalia indicadores de gestão ambiental, eficiência operacional e práticas de governança no setor portuário. Neste ano, o tema foi “Soluções para a Mudança do Clima”.
Segundo a Antaq, o Índice de Desempenho Ambiental (IDA) leva em conta critérios como monitoramento de impactos, controle de emissões, gestão de resíduos e adoção de medidas voltadas à sustentabilidade das operações.
O resultado reflete uma estratégia de longo prazo. “O desempenho ambiental é resultado de planejamento contínuo e de decisões que buscam conciliar a atividade portuária com a preservação ambiental e o desenvolvimento regional”, afirmou o presidente do porto.
Localizado no litoral norte paulista, o terminal opera na faixa de até 5 milhões de toneladas por ano e tem papel relevante na logística regional, com movimentação de granéis sólidos, carga geral e apoio a cadeias produtivas locais.
A cerimônia ocorreu no Clube Naval, em Brasília, e reuniu representantes do governo federal, dirigentes de portos públicos e privados e autoridades do setor de transportes.
Agenda ambiental – O porto mantém uma agenda ambiental considerada referência no setor. Foi o primeiro do país a adotar um protocolo internacional de proteção às baleias e registrou, em 2025, 695 avistamentos de cetáceos, alta de 72% em relação ao ano anterior. O terminal também mantém monitoramento ambiental contínuo e ações de mitigação de impactos.
Além do reconhecimento da Antaq, o porto acumula outros prêmios recentes, como o Selo Prata do Programa Brasileiro GHG Protocol e o segundo lugar na categoria Desempenho ESG – Portos Públicos no XII Cidesport.
Expansão prevista – Paralelamente aos reconhecimentos ambientais, o Porto de São Sebastião se prepara para um novo ciclo de expansão com o arrendamento do terminal SSB01, projeto conduzido pelo governo federal em parceria com o governo paulista. O leilão está previsto para o segundo semestre de 2026.
O investimento privado estimado é de R$ 2,5 bilhões, com área operacional de 426 mil metros quadrados e previsão de um píer com dois berços de atracação. A expectativa é de geração de cerca de 5.000 empregos durante as obras e 1.300 postos permanentes após a conclusão.
Com a expansão, a capacidade do porto poderá crescer até 187%, alcançando 4,3 milhões de toneladas anuais de granéis e até 1,3 milhão de contêineres por ano. Há estudos em andamento para preservar um dos berços como operação pública.
O projeto pode reposicionar o porto como alternativa complementar aos terminais já saturados do Estado de São Paulo, contribuindo para reduzir gargalos logísticos e desconcentrar a movimentação de contêineres.

