Agenda: exposição “Caminho para casa – o mar é sempre mais pra dentro”, de Manuela Navas, no MACC de Caraguatatuba, segue até o dia 28

 

Manuela Navas produziu cenários para Zeca Pagodinho e Marcelo D2, também fez trabalhos para o mercado editorial e fonográfico, como a co-autoria nas pinturas do livro “Chupim”, de Itamar Vieira Junior e as pinturas do álbum “Pelos olhos do mar” , de Lia & Daúde. A artista expõe pela primeira vez em Caraguatatuba onde vive há 20 anos

 

Foto: Divulgação/Fundacc

A cidade de Caraguatatuba, Litoral Norte de São Paulo, promove até o dia 28, a exposição “Caminho para casa – o mar é sempre mais pra dentro”, da artista plástica Manuela Navas. Trata-se de um ótimo programa para quem circula pelas cidades do Litoral Norte neste feriado de carnaval. A mostra, exibida no Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba (MACC), propõe uma imersão sensível nas trajetórias e vivências de famílias negras periféricas que, nas últimas décadas, construíram suas histórias no litoral norte de São Paulo.

Depois de expor em cidades e países como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Recife, Brasília, Salvador, Estados Unidos e Itália, Manuela traz seu trabalho pela primeira vez para a cidade onde vive há 20 anos.

Reunindo pinturas em óleo sobre tela, desenhos, instalação e vídeo, a exposição apresenta uma narrativa poética que entrelaça memória, cotidiano, resistência e pertencimento. Em cada obra, o olhar de Manuela transita entre o pessoal e o coletivo, revelando fragmentos de sua própria experiência e de seu entorno.

As pinturas e desenhos destacam cenas de convivência, trabalho, celebração e superação, jogando luz para a presença e a força da população negra em Caraguatatuba. Já a instalação e o vídeo ampliam essa narrativa ao registrar gestos cotidianos e relatos orais, reforçando a ligação dessas famílias com o território litorâneo.

“Caminho para casa – o mar é sempre mais pra dentro” convida o público a mergulhar na fronteira entre realidade e imaginação, propondo uma leitura afetiva e multifacetada da vida no litoral paulista. O resultado é uma experiência estética profunda e intensa, que combina o pictórico e o audiovisual em uma reflexão sobre identidade, memória e pertencimento.

 

 

A artista

 

Manuela Navas nasceu em 1996 em Jundiaí, no interior paulista, e tem Caraguatatuba como seu lar há 20 anos. Usando técnicas de pintura, fotografia, vídeo e xilogravura, a artista autodidata tem como temáticas principais os corpos negros, o feminino e o maternar, geralmente em cenas cotidianas e buscando refletir sobre a realidade em torno do brasileiro como um exercício de pensar a própria existência.

Manuela constrói sua produção a partir das histórias que a cercam transformando vivências pessoais e memórias coletivas em imagens que misturam ficção e realidade. Com um olhar sensível e inventivo, a artista elabora um “diário imaginado” no qual pesquisa o macro a partir de sua própria história familiar. Suas obras exploram o jogo entre fabulação e memória, criando cenas intimistas marcadas por movimento e afetos. O direito ao sonho e a transgressão do tempo são temas recorrentes em suas telas: um exercício de revisitar o passado enquanto se reflete sobre o presente que se revela.

A artista já participou de diversas exposições coletivas, como “Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro”, realizada em 2023 no Sesc Belenzinho, uma das mostras mais importantes do circuito nacional recente, com curadoria de prestígio (Marcelo Campos, Lorraine Mendes e Igor Simões) e foco na produção afro-brasileira contemporânea, e “Funk: um grito de ousadia e liberdade”, apresentada no mesmo ano no Museu de Arte do Rio (MAR), 2023. Com curadoria de Marcelo Campos e Amanda Bonan, a mostra recebeu grande repercussão de público e crítica, o que reafirma a potência do funk como expressão cultural e política.

Manuela também realizou exposições individuais, como “O Concreto que evapora”, apresentada em 2022 na Bacorejo Arte, galeria independente criada para apoiar e divulgar jovens artistas, e “Lembranças inventadas”, exposição internacional realizada na galeria Monti8, na Itália, com curadoria de Jorge Pereira. Participar dessa mostra reforça a projeção internacional da trajetória da artista e o trânsito entre contextos culturais distintos, agregando diversidade geográfica e ampliação de público para a sua obra.

Em 2022, participou do festival de arte urbana NaLata, pintando a lateral de um edifício no bairro de Pinheiros, em São Paulo, e, em 2024, teve suas obras como parte do cenário da turnê Zeca Pagodinho, 40 Anos. Em 2023 fez parte da ocupação IBORU, de Marcelo D2, que aconteceu nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador e, em 2024, suas obras fizeram parte da cenografia do Festival Aliança Global, realizado pelo G20 no Rio de Janeiro.

Também produziu trabalhos para o mercado editorial e fonográfico, como a co-autoria nas pinturas do livro “Chupim”, de Itamar Vieira Junior (Editora Baião/Todavia) e as pinturas do álbum “Pelos olhos do mar” – Lia & Daúde ✧ Daúde & Lia”, de Lia de Itamaracá e Daúde, lançado pelo Selo Sesc em novembro.

Fomento

A exposição “Caminho para casa – o mar é sempre mais pra dentro” está sendo viabilizada por meio de edital do município de Caraguatatuba, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), iniciativa que apoia ações culturais em todo o país e contribui para o fortalecimento da produção artística local.

Serviço

Exposição Caminho para casa – o mar é sempre mais pra dentro

Local: Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba (MACC)

Endereço: Praça Dr. Cândido Motta, 72, Centro

Período de exposição: até 28/02

Dias e horários de funcionamento do museu: terça a sábado, das 10h às 20h

Entrada: gratuita

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