Praça Cândido Mota, a mais antiga de Caraguatatuba, oferece boas atrações para moradores e turistas.
Por Salim Burihan
Nesta época do ano, em plena temporada de verão, acidade de Caraguatatuba recebe milhares de turistas. As praias e a orla ficam lotadas. A região central, onde ficam concentrados o comércio e os bancos, recebe poucos turistas, apesar dos inúmeros atrativos que oferece, principalmente, no entorno da praça Cândido Mota.
Nas décadas de 70/80, esse trecho da praça, no período noturno, era o ponto de encontro dos veranistas e turistas que circulavam pela cidade. Ali existiam na época, o posto de gasolina do seu Zezinho, a Lanchonete Estrela, o Eds Bar, uma das poucas opções com música ao vivo, a Sorveteria Aldo, a padaria Capri, a Igreja Matriz e a galera que ocupava a mureta do colégio Adaly Coelho Passos para paquerar “as minas” ou curtir a madrugada.
A partir do final da década de 90, com as obras do então prefeito Antonio Carlos da Silva, principalmente, a duplicação e urbanização da avenida da praia, no centro, Indaiá e Martim de Sá, a concentração de moradores, veranistas e turistas passou a acontecer na orla central.
A cidade foi crescendo nas regiões sul e norte, mas a praça Cândido Mota, mantém inúmeras atrações turísticas, que por sinal, deveriam ser mais valorizadas pelas administrações municipais. Ali, naquela praça, foi onde praticamente surgiu a cidade de Caraguatatuba, inicialmente chamada de Vila Santo Antônio de Caraguatatuba.
Passear pela praça Cândido Mota um belo programa para os turistas que visitam a cidade. A praça oferece inúmeras atrações aos turistas e oferece aos novos moradores uma boa oportunidade para se redescobrir coisas importantes do passado e do presente da cidade.

Um dos locais mais visitados é a Igreja Matriz de Santo Antônio(Foto acima), que apesar de receber muitas intervenções, continua bela como sempre. A sua fachada, em estilo colonial, mantém-se original. A igreja surgiu por volta de 1663/64 e mantinha nos fundos um cemitério. A Paróquia Santo Antônio, em Caraguatatuba, foi elevada a Santuário Diocesano em 2018 tem como relíquia de primeiro grau de Santo Antônio, um pedaço do osso do Santo.
A igreja fica aberta a visitação pública das 7 às 21 horas. Em seu interior tem muitas coisas interessantes para se ver: a imagem de Santo Antônio, em madeira, de cerca de 1 metro de altura, vinda de Portugal, com mais de 200 anos; os corredores laterais com doze imagens de santos, entre eles, Santo Antônio, São Benedito, Santa Inês, São Pedro, São Francisco, Santa Rita e Santa Cecília; os azulejos que produzem quadros de Santo Antônio; e, a cruz feita com madeira recuperada da catástrofe que abalou a cidade em 1967.

Em frente a Igreja Matriz, fica o coreto(Foto acima), muito tradicional nas cidades do interior do país. O primeiro coreto da praça Cândido Mota foi construído na década de 1930 por Dona Belmira Nepomuceno, diante da necessidade da pracinha ter um espaço para as apresentações dos festejos populares. Em 1971, na gestão do então Prefeito Silvio Luiz dos Santos, o antigo coreto foi demolido e substituído por um novo. Em 2005, foi reformado ganhando um novo visual.
No coreto, acontecem as apresentações da Banda Municipal Carlos Gomes, apresentações musicais promovidas pela fundação cultural, o tradicional carnaval de antigamente e as festas da Igreja, entre elas, a de Santo Antonio, o padroeiro da cidade.

A praça Cândido Mota também mantém um obelisco muito antigo, conhecido como “Obelisco da Torneira”, instalado em 1919. O Chafariz foi construído de alvenaria e mede três metros de altura, possui em duas laterais duas torneiras dourada, 18×23. Não sofreu nenhuma alteração, desde a sua construção, 1919. Foi o primeiro ponto a oferecer água encanada ao povo de Caraguatatuba, na inauguração estavam presentes o Dr. Altino Arantes, então Presidente do Estado de São Paulo e o Secretário de agricultura, Dr. Cândido Motta.
Outro atrativo bastante interessante da praça é o “Relógio do Sol” construído em 1957, por ocasião das comemorações do centenário de Caraguatatuba. O monumento fica onde existia o marco zero da cidade e foi construído por iniciativa de Acácio de Vilalva e Américo Neto, ambos da Sociedade Geográfica Brasileira. A obra foi inaugurada em 1957 com a presença de várias autoridades como o bispo de Santos, Edilio José Soares e o prefeito da época, Altamir Tibiriçá Pimenta.

O Obelisco possui 3,50m de altura, incluindo seu pedestal, constituído de 4 degraus e de um bloco de embasamento. Incorporados ao Obelisco, no painel dianteiro, encontra-se o mostrador de um Relógio de Sol. Os painéis laterais, combinados com a projeção da quilha de um barco, dá a impressão de uma meia nau a vela, e expressa a vida marítima de Caraguatatuba e as faces laterais do monumento sugerem, expressivamente, uma veia latina. Na elevação da parte traseira, em painel de azulejos, figura o Marco Zero da cidade, indicador dos seus principais pontos de atração turística. O Relógio do Sol não sofreu nenhuma intervenção desde sua construção. O Relógio do Sol, primeiro a ser feito no Brasil-república em uma quilha de um barco, foi inaugurado em 13 de Julho de 1957 e projetado pelo Eng. Acácio Villalva.
A fonte luminosa é outro atrativo da praça. A fonte foi construída pela empresa Studio Pantheon, contratada na década de 60 para a construção de fontes em vários municípios do interior do Estado de São Paulo. Com suas águas lançadas a muitos metros de altura, dançando ao compasso das notas musicais, colorindo-se de acordo com as emoções proporcionadas pela sinfonia dos clássicos virou atração da cidade, após ser inaugurada em 1965 na administração de Geraldo Nogueira da Silva, o “Boneca”.
A fonte transformou na década de 70 e 80 em uma “briga política entre dois prefeitos populares: Boneca e José Bourabeby. Quando um assumia, fazia questão de alterar as cores da fonte. Isso ocorreu por muitos anos. Tinha até uma escultura de jacaré, que quando um entrava, colocava o jacaré, quando o outro assumia, tirava o jacaré.
Polo Cultural Adaly Coelho Passos

Outro espaço muito interessante é Polo Cultural Adaly Coelho Passos, onde está o Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba (Macc), bem em frente a praça. Uma das atrações é a palmeira imperial, plantada pelo senhor Francisco D’Onófrio, atendendo pedido do prefeito Bráulio Pereira Barreto, na década de 40, quando existia o grupo escolar Adaly Coelho Passos. Naquela ocasião foram plantadas duas palmeiras, mais devido ao desgaste provocado pelo tempo, uma delas foi derrubada por um forte vendaval em 2010.
O prédio que sedia o Polo Cultural é uma atração à parte. Foi construído em 1941 para sediar o Grupo Escolar de Caraguatatuba na praça Dr. Cândido Mota, que contou, inicialmente, com quatro salas de aulas para a escola primária de 1ª a 4ª séries. Na década de 1950, o Grupo Escolar atendia a uma média de 550 alunos matriculados em 13 classes, funcionando em dois períodos. A escola mantinha a única quadra de esportes da cidade.
Em 1952, foi implantado no prédio do Grupo Escolar, o Ginásio Estadual “Thomaz Ribeiro de Lima”, que permaneceu em suas dependências até 1957. Em 1972 a escola foi batizada de Escola Estadual de Primeiro Grau Professora Adaly Coelho Passos. O grupo escolar integrou a rede estadual de educação até o ano de 1998, quando o ensino básico foi municipalizado. Nos anos de 2000 e 2001, o prédio sofreu adaptações para abrigar o Polo Cultural Professora Adaly Coelho Passos, inaugurado em junho de 2002 pelo então prefeito Antonio Carlos da Silva para preservar e divulgar a história e cultura do município.
Outro atrativo muito interessante: a Fundação Cultura resgatou um poste antigo que exista ao redor da praça Cândido Mota, instalado nas décadas de 50 e 60, restaurou e o colocou em frente ao Polo Cultural. Olhando o poste, vem a recordação da Caraguatatuba antiga. Seu formato de poste-pirulito permitia a colocação de algum tipo de painel de propaganda no topo.
Fundacc
Aberto ao público com entrada gratuita, o Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba convida moradores e visitantes a incluírem a arte em seus roteiros, descobrindo que Caraguatatuba também é destino de cultura, pensamento e expressão artística — uma experiência que vai muito além da praia.Em meio à alta temporada e ao fluxo intenso de visitantes atraídos pelas praias, o Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba (Macc) estendeu o atendimento até às 19h e entrada gratuita.
Além de oferecer a experiência de conhecer uma casa tradicional caiçara e um mergulho na história do município, o museu apresenta as exposições de Manuela Navas e Maurici Caruso e encontros musicais, as jam sessions, quando todos interagem e conhecem a expressões artísticas da cidade.
Na exposição “Caminho para casa – o mar é sempre mais pra dentro”, de Manuela Navas, o público é convidado a percorrer universos poéticos construídos a partir de investigações visuais delicadas, nas quais matéria, gesto e conceito se entrelaçam. A artista propõe uma imersão sensível nas trajetórias e vivências de famílias negras periféricas que, nas últimas décadas, construíram suas histórias no litoral norte de São Paulo. A artista propõe uma experiência contemplativa, estimulando olhares atentos e reflexões sobre o cotidiano, a memória e os afetos por meio de pinturas em óleo sobre tela, desenhos, instalação e vídeo.

Moradora de Caraguatatuba, Navas teve suas obras como parte do cenário da turnê Zeca Pagodinho, 40 Anos. Em 2023 fez parte da ocupação IBORU, de Marcelo D2, no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador e, em 2024, suas obras fizeram parte da cenografia do Festival Aliança Global, realizado pelo G20 no Rio de Janeiro. Também produziu trabalhos para o mercado editorial e fonográfico, como a co-autoria nas pinturas do livro “Chupim”, de Itamar Vieira Junior, e as pinturas do álbum “Pelos olhos do mar” – Lia & Daúde ✧ Daúde & Lia”, de Lia de Itamaracá e Daúde, lançado pelo Selo Sesc.
Já a exposição “Do Papel à Arte”, de Maurici Caruso apresenta uma produção marcada pela força expressiva onde o papel, em sua essência frágil e cotidiana ganha nova vida nas mãos do artista. Moldado com sua sensibilidade e precisão, o material deixa de ser suporte e torna-se protagonista: esculturas que retratam ícones da história, da cultura e da música, promovendo também o diálogo entre sustentabilidade e criatividade. Entre as obras estão representações de Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Charlie Chaplin, Moisés, guerreiros medievais e outras figuras simbólicas que transitam entre o sagrado, o popular e o imaginário coletivo, incluindo um presépio em tamanho real.

As ‘jam sessions’ são os encontros informais de músicos que improvisam juntos, sem ensaio prévio, para criar música espontaneamente realizados pela dupla ‘Dois Velhinhos pelo Mundo’ Débora e Júlio D’Zambê, integrando o projeto MM MACC MUSEU VIVO. Nas sextas-feiras, sempre às 17h30, plateia e artistas se misturam, resultando em música, poesia e momentos de inspiração.

Serviço:
Exposições – Caminho para casa – o mar é sempre mais pra dentro, de Manuela Navas e Do Papel à Arte, de Maurici Caruso – até 28 de fevereiro
Sarau Jam Sessions – Dias 9, 16, 23 e 30 de janeiro (sextas-feiras) às 17h30 com ‘Dois Velhinhos pelo Mundo’ – Débora e Júlio D’Zambê
Local: Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba (Macc)
Endereço: Praça Dr. Cândido Motta, 72, Centro
Dias e horários de funcionamento do museu: terça a sexta-feira, das 10h às 19h e sábados, das 13h às 19h
Entrada: gratuita

