Ubatuba e Caraguatatuba já contabilizam 14 acidentes com morcegos na temporada de verão. Saiba como prevenir:

Morcego. Foto capa: Tatiane Dombroski/ Sesa/PR

 

O verão e os dias mais quentes marcam o período de reprodução dos morcegos, o que torna mais frequente a entrada acidental desses animais em residências e áreas urbanas. Diante dessa situação, as prefeituras  de Caraguatatuba e Ubatuba, no Litoral Norte Paulista,  estão fazendo campanha de alerta junto aos moradores, veranistas e turistas sobre os riscos do contato com animais silvestres durante o verão, especialmente, os morcegos.

 

 

Neste período do ano, os morcegos estão mais ativos e em busca de alimento e abrigo, e isso aumenta o risco de interação com humanos e animais domésticos, em áreas urbanas, como casas, garagens, varandas e outros espaços. facilitando a contaminação da raiva, uma doença grave e quase sempre fatal. A raiva é transmitida pela saliva de animais infectados, seja por mordidas, arranhões ou contato com mucosas e feridas abertas. Nas duas cidades, nos últimos dias, já foram registrados 14 acidentes com morcegos.

 

 

O alerta das prefeituras, além dos morcegos, são válidos também, para saguis (são reservatórios do vírus da raiva), capivaras (podem carregar o carrapato-estrela, transmissor da Febre Maculosa); gambás ((são reservatórios da Doença de Chagas e da raiva); e, pombos (podem transmitir a Gripe Aviária através de fezes ou secreções.).

 

 

 

A Secretaria de Saúde de Caraguatatuba, através do Centro de Controle de Zoonoses, orienta a população a não manter contato direto com esses animais. A cidade já registrou nove acidentes com morcego.

 

 

 

Em Ubatuba, onde ocorreram cinco acidentes com morcegos, entre o Natal e o Ano Novo, a Vigilância Epidemiológica de Ubatuba emitiu um alerta preventivo à população e aos turistas sobre os riscos do contato com animais silvestres, especialmente no verão, quando o município recebe grande fluxo de visitantes e aumenta a interação com a fauna local.

 

 

 

Embora Ubatuba seja privilegiada pela proximidade com a Mata Atlântica, a convivência com animais como morcegos, saguis e gambás exige cautela extrema. O contato físico, motivado muitas vezes pela tentativa de alimentar ou socorrer esses animais, pode resultar na transmissão de doenças graves, sendo a raiva a maior preocupação devido à sua letalidade de quase 100%.

 

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 60% das doenças infecciosas em humanos são zoonoses (transmitidas por animais). Entretanto, isso não significa que é preciso exterminá-los: basta manter distância. Cães e gatos podem contrair raiva ao ter contato com morcegos. A Secretaria de Saúde orienta tutores a manter a vacinação antirrábica dos animais domésticos atualizada como medida de prevenção.

 

Por que não alimentar ou tocar?

 

A bióloga do Instituto Butantan, Erika Hingst-Zaher, ressaltou que o hábito de oferecer comida, por exemplo, altera o comportamento natural do animal, fazendo com que ele perca o medo do humano e se aproxime, aumentando o risco de ataques. Além disso, alimentos humanos causam doenças como obesidade e diabetes nos animais.

 

“A recomendação é de não tocar em animais silvestres ou desconhecidos, vivos ou mortos. Mesmo uma tentativa de ajuda pode causar um acidente. Em qualquer situação de mordida, arranhão ou contato suspeito, é fundamental procurar atendimento imediato”, acrescentou a enfermeira coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Alyne Ambrogi.

 

O que fazer em caso de acidente?

Se você for mordido, arranhado ou tiver contato direto com a saliva de um morcego ou outro animal silvestre, você deve:

Lavar imediatamente o local com água corrente e sabão;

Procurar atendimento médico urgente na Santa Casa de Ubatuba, UPA ou Posto de Atendimento (PA).

Não tente capturar o animal. Se possível, apenas informe a localização aos órgãos competentes.

A avaliação médica determinará a necessidade de soro ou vacina antirrábica. Em humanos, os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça e formigamento no local do ferimento, evoluindo rapidamente para confusão mental e espasmos.

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