Confira a qualidade da areia da sua praia. Cetesb divulga análises feitas nas areias das praias do Litoral Paulista.

Foram analisadas as areias das praias de Maresias e Barequeçaba, em São Sebastião; Indaiá e Martim de Sá (Foto), em Caraguatatuba; Praia Grande, Prumirim e Tenório, em Ubatuba; e, Praia Grande e Sino, em Ilhabela.

 

Por Salim Burihan

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) lançou o relatório anual de Qualidade das Praias Litorâneas com dados de 2024.  As informações reunidas no relatório são resultado do monitoramento feito ao longo de todo o ano de 2024, e permitem consultas por praia, município e período do ano, além da comparação entre diferentes trechos do litoral paulista e da visualização de tendências observadas ao longo dos anos anteriores.

 

A Cetesb avaliou em 2024 a qualidade das areias de 19 praias paulistas, nove delas no Litoral Norte,  também monitoradas pelo “Programa de Balneabilidade das Praias Paulistas”. As amostragens foram realizadas aos finais da semana de 14 de janeiro de 2024 a ao dia 1º de junho de 2024, juntamente com a avaliação da balneabilidade. Cada praia foi avaliada em cinco campanhas, totalizando 95 amostras de areia seca (45 do Litoral Norte e 50 da Baixada Santista).

 

Segundo a Cetesb, para obter uma amostra representativa foram coletadas 100 gramas de areia seca de cinco pontos equidistantes em uma linha paralela ao mar. Cada amostra constituiu-se, portanto, de cinco porções de 100 gramas coletadas da camada superficial (até 5 cm) formando uma amostra composta de 500 gramas. Na avaliação da qualidade microbiológica dessas areias foram utilizados dois indicadores de poluição fecal – Coliformes Termotolerantes (CTt) –  (podem desencadear distúrbios gastrointestinais) e Enterococos ( são bactérias que habitam o trato gastrointestinal e o trato genital feminino), resultando em 190 análises microbiológicas.

 

No Litoral Norte foram avaliadas as areias das praias do Prumirim, Tenório e Praia Grande, em Ubatuba;  Martim de Sá e Indaiá, em Caraguatatuba; Barequeçaba e  Maresias, em São Sebastião; Praia do Sino e Praia Grande, em Ilhabela.  Foram classificadas como “ótimas” as areias das praias Prumirim e Tenório, em Ubatuba; e, Martim de Sá e Indaiá, em Caraguatatuba. Foram classificadas como “Boa”, as areias das praias Grande, em Ubatuba e do Sino, em Ilhabela. Foram classificadas como “Regular” as arias das praias de Grande, em Ilhabela; e, Barequeçaba e Maresias, em São Sebastião.

Confira a avaliação das arias das praias do Litoral Norte m 2024:

Ubatuba

Prumirim- “Ótima”

Tenório- “Ótima”

Praia Grande- “Boa”

Caraguatatuba

Martim de Sá- “Ótima”

Indaiá- “Ótima”

São Sebastião

Barequeçaba- “Regular”

Maresias- “Regular”

Ilhabela

Sino- “Boa”

Praia Grande- “Regular”

 

Em 2023, a avaliação das areias das praias do Litoral Norte foram as seguintes: Prumirim, Tenório e Praia Grande, em Ubatuba, foram classificadas como “Boa”;  Martim de Sá e Indaiá, em Caraguatatuba; também como “Boa”; Barequeçaba e  Maresias, em São Sebastião; também como “Boa”; em Ilhabela, a Praia do Sino foi classificada em 2023 como “Boa” e a Praia Grande, como “Ótima”. em Ilhabela.

 

Em 2024, as arias das demais praias do litoral paulista tiveram  a seguinte classificação:

Enseada- Bertioga: “Péssima”

Enseada- Guarujá: “Regular”

Pitangueiras- Guarujá: “Ruim”

Boqueirão- Santos: “Regular”

Gonzaguinha-São Vicente: “Regular”

Boqueirão- Praia Grande: “Péssima”

Vila Mirim-Praia Grande: “Péssima”

Central-Mongaguá: “Regular”

Sonho-Itanhaém: “Ruim”

São João Batista-Peruibe: “Regular”

 

Riscos

 

Segundo a Cetesb, além da qualidade da água para o banho, considerando-se a frequência do público às praias, a qualidade das areias também é uma preocupação relacionada à saúde, principalmente no que diz respeito às crianças que têm maior contato com esse compartimento. As areias podem constituir reservatórios de microrganismos, nas quais já foram isolados vírus, fungos, bactérias, protozoários e helmintos.

 

Vários gêneros e espécies destes podem ser patogênicos, além disso, as areias são áreas de uso relevantes. Microrganismos são habitantes naturais das areias, porém níveis de patogênicos podem aumentar através da introdução direta por humanos e animais (cães, aves e outros).

Além disso, os microrganismos podem persistir e se multiplicar em resposta a fatores ambientais como umidade, luz solar e nutrientes. Fatores físicos e geomorfológicos podem influenciar na sobrevivência e dispersão de microrganismos indicadores de umidade fecal e patogênicos na areia. Eles incluem características de maré, grafia da praia, nível de urbanização, número de banhistas, tipo de areia e presença de microplásticos. 

A presença de microrganismos na areia pode causar efeitos à saúde como diarreia, náusea e vômito, com risco inferior à exposição à água, porém significativamente. Em períodos quentes, as pessoas permaneceram uma parcela significativa de tempo na areia para a prática de exercícios físicos e de atividade, aumentando os riscos de infecção pelo contato e integração de areia. 

Em 2024, segundo a Cetesb, o Litoral Paulista apresentou 31% de praias ótimas como Ótimas e Boas. Tais praias atendem à ordem de grandeza do valor orientador da OMS, pois todas suas amostras têm resultados inferiores a 100 NMP/g de Enterococos. Na categoria Regular foram 42%, dos quais a maior parte das amostras apresentaram resultados inferiores a 100 NMP/g, 11% foram definidas na categoria Ruim e 16% foram ordinárias como Péssimas. Na comparação entre as regiões, nota-se que o Litoral Norte apresentou quatro praias como ótimas e duas praias como Boas, totalizando 66% de suas praias. Na categoria Regular observou-se 33% das praias da região. Nenhuma praia foi estratégica como Ruim ou Péssima. A Baixada Santista não teve expectativas como Ótimas ou Boas, sendo que 50% foram definições como Regulares, 20% foram definições como Ruínas e 30% como Péssimas.

Ranking das praias avaliadas

 

O Gráfico apresenta o Ranking da Qualidade da areia das praias do litoral norte avaliadas em 2024. As praias estão ordenadas de acordo com a média geométrica de Enterococos (NMP/g). As praias de Prumirim, Indaiá e Tenório tiveram as menores médias periódicas anuais (1 NMP/g) e a Praia da Vila Mirim apresentou a maior média simultânea (652 NMP/g). Médias anuais inferiores a 10 NMP/g foram observadas em 11 praias: todos os pontos avaliados no Litoral Norte e em dois pontos da Baixada Santista.

Bactérias

Com relação às concentrações de bactérias nas areias, as praias com médias geométricas anuais superiores a 100 NMP/g para CTt foram cinco na Baixada Santista: Enseada (Bertioga), Pitangueiras (Guarujá), Boqueirão e Vila Mirim (Praia Grande) e Sonho (Itanhaém). Para os Enterococos, as mesmas praias tiveram média média superior a 100 NMP/g para CTt, exceto Pitangueiras (Guarujá). Note-se que as médias obtidas para CTt foram superiores às de Enterococos na maioria das praias. As praias com médias anuais mais baixas, inferiores a 10 NMP/g, foram quatro para CTt no Litoral Norte. Para Enterococos foram 10 praias: todas do Litoral Norte e uma na Baixada Santista. As praias que tiveram médias menores do que 10 NMP/g para os dois indicadores foram: Prumirim em Ubatuba, Indaiá em Caraguatatuba, Barequeçaba e Maresias em São Sebastião.

Classificação do Nível de Poluição Fecal

 

Quanto ao nível de poluição fecal, 77% das amostras de areia das praias avaliadas foram coletadas nos níveis Baixo e Intermediário. O Litoral Norte mostrou uma porcentagem maior de amostras (93%) desses dois níveis de poluição, sendo que na Baixada Santista foram 62%. Para o total de amostras, 23% foram com nível Elevado e Muito Elevado, sendo a maioria nas praias da Baixada Santista. Cinco amostras foram classificadas na categoria Muito Elevada: Enseada (Bertioga) em janeiro, Vila Mirim em janeiro e maio, Boqueirão (Santos) em fevereiro e Sonho em março.

Classificação Anual da qualidade microbiológica

 

De acordo com a classificação anual da qualidade microbiológica das areias em 2024, das 19 praias avaliadas no Litoral Paulista, 32% foram definidas nas categorias Ótima e Boa, ou seja, atenderam à faixa do valor de referência recomendado pela OMS. A categoria Regular correspondeu a 42% do total e a categoria Ruim e Péssima corresponderam a 22% das praias. Observa-se piora em relação ao ano anterior, que apresentou 69% das amostras de areia do Litoral Paulista ocorrências nas categorias Ótimas e Boas. Considerando as duas regiões separadamente, nota-se que o Litoral Norte teve 66% de suas praias nas categorias Ótima e Boa. Por outro lado, a Baixada Santista não apresentou praias tão ótimas ou boas. Vale destacar que as praias da Enseada (Bertioga) e Boqueirão e Vila Mirim (Praia Grande) foram definidas como Péssimas.

Recomendações

São muitos os fatores que têm influência direta na qualidade microbiológica das areias, entre eles podemos citar as condições sanitárias de cada praia, a presença de animais e o comportamento dos banhistas. Além disso, a gestão da orla, principalmente a manutenção e limpeza da faixa de areia seca, e a educação ambiental para a sensibilização dos usuários promovem melhorias nas condições sanitárias das areias, causando a exposição a microrganismos que podem, eventualmente, trazer riscos à saúde dos banhistas.

Garantir a limpeza urbana com coleta adequada de lixo, proibir ou minimizar a presença de animais nas praias, disponibilidade de área para cães, coletar e descartar detritos de forma adequada, disponibilidade de sanitários, fornecer contribuições irregulares afluentes aos cursos de água e a poluição difusa, dentre outras medidas de saneamento, são ações que poderão trazer uma melhoria significativa da qualidade das áreas relacionadas à economia.

Recomenda-se, portanto, aos usuários:

  • Evitar andar descalço na areia.
  • Evitar sentar-se ou deitar-se diretamente na areia.
  • Evite o contato muito intenso com areia – enterrar-se etc.
  • Cobrir  na pele.
  • Evite esfregar os olhos se houver areia. Lave com água limpa para evitar abrasões.
  • Tomar cuidado redobrado com as crianças e idosos.
  • Lavar bem as mãos para remover a areia antes de ingerir algum alimento.
  • Recolher as fezes dos animais de estimação, pois podem contaminar a areia.
  • Jogar sempre o lixo nas lixeiras.

Fonte: Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb)

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