Aos 70 anos, morre o jornalista e artista plástico Lauro Lucchesi

Foto Capa: Lauro Augusto Lucchesi Targhetta, o Lauro Lucchesi/Reprodução

 

Morreu nesta sexta-feira, dia 5, aos 70 anos, o jornalista, artista plástico e chef de cozinha, Lauro Lucchesi. O corpo está sendo velado na Capela Prever, em Mirassol, no interior paulista e o sepultamento acontece neste sábado, às 9 horas, no Cemitério Municipal de Mirassol. Ele deixa uma filha, Bianca.  Lauro faleceu em decorrência de problemas cardíacos.

 

Lauro Augusto Lucchesi Targhetta, o Lauro Lucchesi, trabalhou em jornais de Campinas e São José dos Campos. Em 1987, após concluir um curso de artes plásticas na Gerrit Rietveld Academie, de Amsterdã, na Holanda, Lauro, a convite de seu inseparável amigo Nelson Homem de Melo, foi trabalhar em São José dos Campos, no ValeParaibano, o principal jornal diário do Vale, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte Paulista.

 

Com suas ideias sempre inovadoras e sua ligação com as artes plásticas, junto com o editor Nelson Homem de Melo, implantou no jornal, em 1989, um caderno de cultura e variedades que viria a ser um dos mais lidos do jornal, desde a sua fundação em 1952: o ValeViver, que chegou a circular com seis páginas diariamente. No caderno, chegou a dar amplo destaque às cidades do Litoral Norte, principalmente, nos meses de verão.

 

Lauro e Nydia Natali na redação do Valeparaibano

 

Segundo o estudo “O jornalismo que não é notícia: a produção de variedades no jornal Valeparaibano”, de Francisco de Assis, da Universidade Metodista de São Paulo Universidade de Taubaté, que foi apresentado no XII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste, em maio de 2007, em Juiz de Fora (MG), o caderno ValeViver era apreciado por 98% dos leitores do ValeParaibano, que circulava de terça a domingo, com uma tiragem de 30 mil exemplares nos fins de semana. Atualmente, o Valeparaibano circula com o nome de O Vale.

 

Lauro teve coluna de gastronomia no Correio Popular, de Campinas

 

Lauro amava também a gastronomia. Chegou a ter uma coluna no jornal Correio Popular, de Campinas, em 2012, como Chef Lauro Lucchesi, onde publicava receitas e dava dicas de culinária. Laurão, como ele era carinhosamente conhecido, adorava falar e discutir sobre sabores, temperos e aromas. E, adorava, cozinhar para os amigos. Quando vivia em São José dos Campos, curtia um pequeno sítio que mantinha em Santo Antônio do Pinha, cidade vizinha a Campos do Jordão, onde mantinha no quintal as ervas e verduras que utilizava no preparo de seus almoços e jantares na serra. Ele adorava cozinhar para os amigos.

 

 

Ele chegou a trabalhar na assessoria de Imprensa da Prefeitura de são José dos Campos, antes de retornar para Campinas e, posteriormente, para Mirassol. Sua morte nesta sexta-feira(5), surpreendeu os inúmeros amigos jornalistas do Vale e Litoral Norte.

 

Colegas

 

Lauro Lucchesi com as amigas jornalistas Karen Schimidt e Célia Paccini em encontro de jornalistas em São José dos campos.

 

Uma época, a criatura inquieta que era nosso amigo Lauro, resolveu que viveria na serra. Arrumou um sítio pequeno em Santo Antônio do Pinhal e disse que criaria galinhas label rouge, chiques como ele. Nos convidou para uma pratada das galinhas, eu, Josias e meu filho João pequenininho que estressou as tais galináceas correndo atrás delas. Como sempre, a prosa e a comida estavam deliciosas. Não sei quanto tempo durou a aventura granjeira mas rendeu boas risadas. Esse era o Lauro, buscava saídas fora da curva”, postou a jornalista Célia Paccini.

 

Que notícia triste! Trabalhei com o Lauro e sempre nos demos muito bem. Aprendi muito com ele no ValeViver. Lembro que uma vez encontrei o Lauro numa livraria do Centervale, eu estava com uma amiga e disse que ele era o meu chefe. Minha amiga disse: que chefe bonitão! Foi um privilégio trabalhar com ele.”, postou a jornalista Regina Dore Roda.

 

O coração ficou apertado hoje com essa notícia triste.  Lauro era um editor admirável, aprendi muito com ele. Mais que tudo, foi um grande amigo dos tempos joseenses. Sempre me lembro das nossas boas conversas, ouvindo Lou Reed e comendo panquecas de batata que ele fazia. Boas lembranças de um tempo bom. Siga em paz, amigo”, postou a jornalista Mônica.

 

Que notícia triste 💔 Lauro foi meu primeiro editor, me ensinou, me acolheu, abriu as portas do jornalismo pra mim”, comentou a jornalista Karen Schimidt.

 

A jornalista Cristina Valéria foi autora de um texto, em nome dos amigos-que também encomendaram uma coroa de flores, prestando homenagem ao colega. Confira:

 

Lauro Augusto Lucchesi Targuetta, de quem agora nos despedimos, deixou para seus amigos e colegas do antigo Jornal O VALEPARAIBANO, um legado de aprendizados e grandes momentos.

Com a sua inteligência brilhante, múltiplos talentos e humor afiado, Lauro foi jornalista, artista plástico, chef de cozinha e um grande apreciador da vida, dos encontros festivos, dos amores.

Em nossa lembrança, ficará a imagem do profissional competente, um dos responsáveis por imprimir uma visão moderna às páginas do antigo jornalão.

Com seu senso artístico, modernizou a linguagem e a estética do jornalismo, valorizando as artes e a cultura valeparaibana, da qual era apreciador, crítico e incentivador. Deixou ainda uma passagem competente pela assessoria de imprensa da prefeitura de São José dos Campos, cidade onde viveu e fez inúmeros amigos.

Tinha um traço marcante e suas telas são obras de arte facilmente reconhecidas, espalhadas em dezenas de residências, revelando uma linguagem complexa, carregada de simbolismos que só um artista com seu talento poderia traduzir.

Sua outra habilidade, a gastronomia, sem dúvida era a mais apreciada pelos amigos. Encontros regados de boa comida e boa prosa são registros afetivos eternizados na memória daqueles que tiveram o prazer de desfrutar desses momentos.

Lauro Lucchesi deixou um traço profundo na sua passagem por esse plano e seus amigos e colegas desejam que em sua nova jornada encontre a luz, o brilho, o amor que perseguiu em vida.

Com saudades imensas, dos velhos jornassauros.

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