O trabalho da MAPEC contribui diretamente para a preservação dos ecossistemas marinhos na Praia da Cocanha, a valorização da pesca artesanal e o fortalecimento da maricultura, atividades tradicionais que movimentam a economia local. O presidente da Associação dos Pescadores e Maricultores da Praia da Cocanha (Amapec) é José Luiz Alves.
A MAPEC também desenvolve ações de educação ambiental, como o Rancho Escola — uma iniciativa de turismo de base comunitária que permite que estudantes conheçam de perto a produção de mexilhões, a história e a cultura da comunidade pesqueira. O projeto atende escolas municipais e particulares, alunos de faculdades e mantém parcerias com professores e pesquisadores para ampliar o impacto científico das atividades realizadas pela instituição.
Com a certificação, a Associação passa a ter prioridade no acesso a projetos e políticas públicas e poderá firmar convênios, parcerias e termos de colaboração com os governos municipal, estadual e federal. A entidade também estará apta a receber subvenções e repasses de verbas públicas; participar de editais de fomento e programas governamentais; obter isenções ou reduções tributárias, conforme legislação, e receber doações.
O novo decreto fortalece a capacidade da Associação de Pescadores e Maricultores da Praia da Cocanha de captar recursos, ampliar projetos socioambientais e impulsionar iniciativas que promovam geração de renda, disseminação da cultura e sustentabilidade.
Cultivo de Mexilhão

O cultivo de mexilhões na Praia da Cocanha, em Caraguatatuba, começou em 1984 através do Projeto Martim Pescador, uma colaboração entre a Colônia de Pescadores Z-8 Benjamin Constant e a ONU (Organização das Nações Unidas), através da FAO( Food and Agriculture Organnization)- a Organização das Nações Unidas para a Alimentação a Agricultura.
Trata-se de uma agência especializada da ONU com sede em Roma, que trabalha para combater a fome, garantir a segurança alimentar e promover o desenvolvimento da agricultura, silvicultura e pesca em todo o mundo. O projeto chegou à Caraguatatuba através do então vereador José Dias, que era presidente da Associação dos Pescadores Z-8, de Georgina Gonçalves, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e do oceanógrafo Júlio César de Avelar, contratado pela FAO, para implantar o Projeto Martim Pescador ( cultivo de mexilhões) em Caraguatatuba.
O projeto foi um sucesso. O cultivo na Cocanha transformou-se numa importante atividade econômica e social para as comunidades caiçaras locais, envolvendo famílias de pescadores na produção. Tudo começou com 12 famílias, hoje, cerca de 20 atuam no cultivo e comercialização do mexilhão. A área da Cocanha se tornou um dos principais centros de maricultura de mexilhão do estado de São Paulo. A Fazenda de Mexilhão é considerada a maior do Estado e sua produção em uma área de 36 mil metros quadrados pode chegar a 300 toneladas/ano
A Associação dos Pescadores e Maricultores da Praia da Cocanha (Amapec) organiza eventos como o Festival do Mexilhão, desde 2001, para valorizar e divulgar essa tradição. A fazenda marinha da Cocanha também oferece passeios turísticos, onde é possível conhecer o processo de cultivo e degustar a culinária local.
Vila Cocanha

A ‘Vila Turística Comunitária dos Pescadores e Maricultores da Praia da Cocanha’ mantém as características de uma vila caiçara, onde os tradicionais pescadores colocam seus barcos ao mar e seguem para tratar da sua ‘Fazenda de Mexilhão’, se transformando na maior do Estado de São Paulo.
O local representa o Brasil este ano num concurso global liderado pela Organização Mundial do Turismo (OMT), que vai eleger as “Melhores Vilas Turísticas” do mundo, segundo escolha feita pelo Ministério do Turismo (MTur). O resultado do concurso será anunciado no final do ano.
A Vila Cocanha também é finalista do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade 2025, na categoria “Empreendedorismo e Inovação”, reconhecendo o trabalho realizado pelos maricultores. Os vencedores do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade serão anunciados em cerimônia oficial, marcada para o dia 8 de dezembro, em Belém (PA). Nessa ocasião, os jurados irão divulgar as iniciativas vencedoras nas respectivas categorias do prêmio.
Em 2023, o projeto da Vila Turística de Pescadores e Maricultores da Praia da Cocanha foi finalista na edição do Prêmio Nacional de Turismo, na categoria “Iniciativas de Destaque no Turismo – Geração de Emprego e Renda”.
Além do cultivo, a Fazenda Marinha também é rota de passeio para quem quer conhecer o plantio submerso do marisco, por isso, a atividade qualificada como Turismo de Comunidade de Base (TBC) é ainda um atrativo para Caraguatatuba. Outras informações sobre o local estão disponíveis em www.caragua.tur.br/atrativos-turisticos/de-base-comunitaria/.

