Litoral Norte Paulista tem 74 escolas no projeto Escola Azul; objetivo é conscientizar sobre a importância dos oceanos e a sua preservação

Foto Capa: EB1Regalheiras/ Logomarca do Escola Azul, projeto iniciado em Portugal

 

Em apoio ao 14º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que visa preservar a vida marinha até 2030, o projeto Escola Azul, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), está sendo implementado em escolas de todo o país, inclusive, no Litoral Norte Paulista.

O objetivo é promover a Cultura Oceânica entre os estudantes, despertando a conscientização sobre a importância dos ecossistemas aquáticos e a necessidade de sua preservação. O Brasil é o primeiro país do mundo a incluir no currículo escolar a educação sobre oceanos. O mar é fonte de renda e abriga uma diversidade de vida imensa. Colocar o ensino sobre os oceanos no currículo das escolas é uma recomendação da Organização das Nações Unidas. O Brasil tem 388 “escolas azuis” em 24 estados. O legal é que existem escolas azuis em cidades do interior paulista e inclusive, em cidades do Acre.

 

“Nós estamos vivendo a década do Oceano, enfrentando intensas mudanças climáticas e, para mudar o mundo, nós precisamos mudar a cultura. Isso significa ensinar, desde a educação infantil, a importância de preservar e viver em harmonia com a natureza. E é isso que nós fazemos no programa Escola Azul”, explica a professora associada do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do projeto de extensão Maré de Ciência, Andrezza Andreotti.

A Escola Azul é uma iniciativa que começou em Portugal, com um trabalho transversal sobre o tema “oceano” dentro do currículo escolar por meio do desenvolvimento de pensamentos críticos e criativos sobre a Cultura Oceânica. “Precisamos mostrar e ensinar às pessoas que existe uma forma de conservar o meio ambiente. Se não cuidarmos do futuro, simplesmente não o teremos”, afirmou Andreotti.

 

Apesar do nome, a “Cultura Oceânica” não se refere apenas a oceanos e mares, mas também abrange rios, lagos e manguezais. O Programa Escola Azul é coordenado pelo projeto de extensão Maré de Ciência, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e realizado em cooperação Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

 

Litoral Paulista

 

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Segundo os organizadores, atualmente, o litoral paulista conta com 131 escolas integradas ao Programa Escola Azul, sendo 74 delas nas cidades do Litoral Norte Paulista. Ao aderirem, essas instituições passam a fazer parte de uma rede nacional com mais de 650 escolas, além da Global Blue Schools Network, que conecta escolas de mais de 70 países comprometidas com a educação oceânica e a sustentabilidade.

 

A contrapartida das escolas consiste em integrar essa rede colaborativa, comprometida com a promoção da cultura oceânica. Como benefícios, o programa oferece acesso a um repositório de materiais didáticos e pedagógicos, além de divulgar e compartilhar iniciativas que estimulem o protagonismo estudantil.

 

As escolas participantes contam com apoio para desenvolver ações como:

  • Capacitação de professores, com oportunidades de encontros e trocas com pesquisadores, aproximando a universidade da escola. Em 2025, a Capes lançou o curso de especialização em Cultura Oceânica voltado para docentes da educação básica.
  • Mediação com pesquisadores, sempre que possível, para contribuir com o desenvolvimento dos projetos escolares.
  • Clubes de Cultura Oceânica, com 15 iniciativas financiadas pelo CNPq em 2025, oferecendo bolsas para estudantes, especialmente em clubes liderados por meninas, incentivando a participação feminina na ciência.
  • Olimpíada do Oceano (O2), com três modalidades: conhecimentos gerais, projetos socioambientais e produções artísticas e tecnológicas.

 

Essas ações são viabilizadas por meio de parcerias com instituições regionais, universidades, ONGs e outros atores locais, ampliando o impacto do programa nas comunidades escolares e no território.

 

Por meio dos pilares da Escola Azul, interdisciplinaridade, cultura oceânica e transversalidade, as iniciativas envolvem a comunidade local e promovem ações transformadoras que fortalecem a educação oceânica.

 

Distribuição das Escolas Participantes no Litoral Paulista:

  • Bertioga: 2
  • Cananéia: 1
  • Caraguatatuba: 1
  • Cubatão: 2
  • Guarujá: 2
  • Ilhabela: 2
  • Itanhaém: 24
  • Praia Grande: 3
  • Santos: 12
  • São Sebastião: 66
  • São Vicente: 11
  • Ubatuba: 5

 

Em São Sebastião, a Secretaria Municipal da Educação (SEDUC), em parceria com o CEBIMar/USP e o Projeto Coral Vivo, realizou a inscrição de todas as escolas da rede municipal no Programa Escola Azul Brasil. A iniciativa reafirma o compromisso do município com a educação ambiental e a cultura oceânica, envolvendo 67 unidades escolares e mais de 16 mil estudantes.

Como parte das ações de aprofundamento do currículo azul, as escolas receberão os livros do Programa Literatura Atlântica. Além disso, os professores participarão de um curso de atualização oferecido pelo CEBIMar e pelo Coral Vivo, fortalecendo a formação docente com foco na biodiversidade marinha e nos ecossistemas costeiros.

 

O projeto contempla ações contínuas e integradas, como:

  • Educoleta e Recicla Mais: iniciativas de reciclagem e sustentabilidade com gincanas escolares e parcerias com cooperativas locais.
  • Semana do Meio Ambiente e Semana da Água: atividades educativas voltadas à preservação dos ecossistemas costeiros, saneamento e uso consciente da água.
  • Projeto RegenerAção e Viveiro Municipal: práticas de reflorestamento, cultivo de hortas e técnicas ecológicas com participação ativa dos alunos.
  • Valorização da cultura local: celebração do Dia do Caiçara com atividades culturais e cardápio tradicional nas escolas.
  • Parcerias com CEBIMar/USP e Projeto Baleia Jubarte: formações e experiências práticas ligadas à biodiversidade marinha.

 

Resultados Esperados

  • Sensibilizar toda a comunidade escolar sobre a importância da preservação dos recursos hídricos.
  • Incentivar práticas sustentáveis no ambiente escolar, como a redução do uso de plástico descartável.
  • Fortalecer o protagonismo dos alunos como agentes de mudança em suas comunidades.
  • Criar uma cultura de respeito e proteção ao meio ambiente, especialmente aos recursos marinhos e hídricos.
  • Reduzir a geração de lixo nas escolas, com foco na diminuição de resíduos que poluem rios e oceanos.
  • Promover uma rede de escolas engajadas na sustentabilidade e na preservação ambiental.

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