O Tribunal de Justiça de São Paulo acatou na segunda-feira(18), recurso do Ministério Público Estadual e determinou a prisão temporária de Alessandro Neves dos Santos, de 24 anos, que confessou ter assassinado a jovem Sarah Picolotto, de 20 anos, em Ubatuba. Ele tinha sido preso na sexta-feira(15), confessado o crime e levado a polícia até o local onde tinha abandonado o corpo da jovem, mas na audiência de custódia ele acabou sendo liberado para responder ao crime em liberdade. A decisão causou indignação na família de Sarah e na cidade de Ubatuba.
O pedido havia sido negado pela Justiça em primeira instância. Ao requerer a reforma da decisão, a promotora Heloíse Maia da Costa sustentou que a prisão é “adequada ao hediondo crime praticado pelo agente, que foi cometido de forma cruel e desprezível, ofendendo a vida e a dignidade humanas mediante enforcamento, com a vítima subjugada pelo efeito de álcool e drogas”. Ainda segundo Heloíse, o homem tem passagens por crimes violentos e poderia colocar em risco as investigações.
De acordo com o apurado, o investigado e a vítima se conheceram no dia 10 de agosto durante um baile funk. Após manter relações íntimas com o homem e outras pessoas, ela foi levada para um imóvel em construção e asfixiada após dizer algo que desagradou o criminoso. Ele se entregou à polícia e indicou o local onde o corpo havia sido abandonado, em uma área de mata.
“Conforme destacado pela representante do Ministério Público, estão presentes, no caso, todos os requisitos necessários para se admitir a decretação da prisão preventiva”, decidiu o desembargador Pinheiro Franco, relator do caso. A promotora Heloíse Maia da Costa, do MP-SP, em Ubatuba, que entrou com um recurso contra a decisão da 2ª Vara de Ubatuba, alegou em seu recurso que em liberdade Alessandro poderia interferir ou prejudicar as investigações que podem identificar e levar à prisão outras supostas pessoas envolvidas no crime. A polícia civil tenta localizar Alessandro, que estaria foragido.
O Crime
A jovem Sarah Picolotto, de 20 anos, deixou sua casa na Vila Progresso, em Jundiaí, no dia 8 de agosto, uma sexta-feira, para passar um fim de semana na casa de um amigo de Ubatuba, W.S.A., que conheceu através da internet. O último contato com a família foi feito no domingo(10).
Como a filha não dava retorno, a mãe Tânia Cristina Picolotto, decidiu procurar W.S.A. e sua família para saber notícias de Sarah. Tânia conversou com o amigo e com a mãe dele, onde Sarah estava hospedada. Ambos informaram que a jovem saiu, deixou seus pertences e não retornou.
A família decidiu registrar boletim de ocorrência sobre o suposto desaparecimento de Sarah e pediu a colaboração de todos através das redes sociais na localização da filha dela. Qualquer informação sobre o paradeiro de Sarah deveria ser repassada à Polícia Militar pelo 190 ou à Polícia Civil.
A polícia civil de Ubatuba conseguiu informações sobre o suposto envolvimento de Alessandro Neves Santos Ferreira, de 24 anos, no desaparecimento da jovem. Na sexta-feira(15), Alessandro teria confessando o assassinato. A jovem teria sido morta na segunda-feira, dia 11.
No interrogatório, segundo a polícia, ele teria afirmado que convidou a vítima para sua casa, onde tiveram relação sexual consentida. Ele relatou que, após a vítima ter dito algo que o irritou (não se recorda exatamente do que), a enforcou e, após o efeito de entorpecentes passar, levou o corpo para a mata, na região do Rio Escuro, cobrindo-o com folhas. Alessandro também teria informado que tria jogado o celular e as roupas de Sarah em um rio.
A Polícia Civil apura a possível ocorrência de estupro coletivo e eventual crime de vulnerável, solicitando exames necroscópicos, toxicológicos e sexológicos. O corpo da jovem foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Caraguatatuba para exames necroscópicos, toxicológicos e coleta de material genético que poderá esclarecer se houve violência sexual. Somente após a conclusão dos procedimentos, o corpo seria liberado para sepultamento em Jundiaí.
Outras pessoas podem ter participado do crime, segundo suspeita a polícia. A jovem esteve numa adega e manteve contato com outras pessoas. A polícia tenta identificar quem esteve com Sarah. Após a confissão de Alessandro, a polícia civil de Ubatuba representou pela sua prisão temporária pelo período de 30 dias. O pedido foi acatado pelo TJ nesta terça(19).

