Ricardo Toledo, o bicampeão brasileiro de surfe, está de volta à Ubatuba, sua terra natal, após viver por mais de 10 anos, em San Clemente, na Califórnia(EUA), com a família: a mulher Mari, dos filhos, Filipe, Mateus, Davi e Sofia dos dois netos, Mahina e Koa, filhos de Filipinho e Ananda. O bicampeão mundial Filipinho optou em morar com Ananda e os dois filhos no Rio de Janeiro.

Ricardo optou em levar a família para a Califórnia para fortalecer a carreira profissional do filho Filipe Toledo, principalmente, para garantir maior proximidade junto aos patrocinadores e a mídia internacional. A mudança deu certo. Três meses depois de trocarem Ubatuba por San Clemente, Filipinho ganhou o US Open; em seguida, no Brasil, ganhou o WQS 10 mil em Maresias e foi campeão do WQS naquele ano.
Ricardinho, como ele era e ainda é carinhosamente conhecido, nasceu em 28 de abril de 1968, em Taubaté, mas foi nas ondas de Ubatuba que colocou seu nome na história do surfe brasileiro. Foi sem duvida um dos melhores surfistas brasileiros e , também, paulista e do litoral Norte. Tinha um surfe radical, agressivo e com manobras fortes. Entre seus principais concorrentes estavam o baiano Jojó de Olivença, o paranaense Peterson Rosa; e, os paulistas Tinguinha Lima; Tadeu Pereira; e, Teco Padaratz.

Ricardo ganhou na verdade três títulos brasileiros de surfe profissional, o primeiro deles em 1985, aos 17 anos e os outros dois, em 1991 e 1995, já pela Abrasp (Associação Brasileira de Surfe). Após se aposentar como profissional, foi campeão paulista Open, Master e de Longboard. Foi ainda medalha de prata no Mundial Master da Internacional Surfing Associação (ISA), em 2008, no Peru.
O bicampeonato brasileiro conquistado em Itamambuca, em Ubatuba, no dia 5 de novembro de 1995, diante das aproximadamente 10 mil pessoas, foi inesquecível. Ricardo Toledo, que tinha 27 anos, disputava o Sea Club Final Heat, a última etapa do Brasileiro de 95 e 49ª do World Qualifying Series (WQS), a segunda divisão do surfe mundial.
A quarta bateria do Sea Club Final Heat, era decisiva, participavam dela, o paranaense Peterson Rosa(que também lutava pelo título), Teco Padaratz e o australiano Simon Law. O australiano ficou em primeiro. Ricardinho venceu Peterson na última onda terminou em segundo lugar conquistando o título brasileiro.
Naquele domingo, 5 de novembro de 1995, Ricardinho fez Itamambuca explodir de felicidade e deixou o mar sob aplausos de mais de 10 mil pessoas. Itamambuca ganhava o apelido de “Maracanã” do surfe brasileiro. O segundo lugar lhe garantiu o titulo brasileiro. Ricardinho acabou sendo eliminado na semifinal.
O Sea Club Final Heat, a última etapa do Brasileiro de 95 e 49ª do World Qualifying Series (WQS), a segunda divisão do surfe mundial, teve como campeão o australiano Nathan Webster, o australiano Simon Law terminou em segundo e o brasileiro Tadeu Pereira, em terceiro.
Ricardinho formou-se em Educação Física pela Faculdade Módulo, de Caraguatatuba e, após deixar a carreira profissional, passou a se dedicar a formação de jovens surfistas, como instrutor da Escolinha de Surfe de Ubatuba. Nos fins de semana surfava e incentivava seus filhos Mateus e Filipe.
Antes do surgimento de Gabriel Medina e Filipinho Toledo, Ricardinho Toledo era, até então, o maior nome do surfe paulista e do Litoral Norte Paulista. Aos 58 anos, o pai, técnico e bicampeão decidiu retornar para Ubatuba para cuidar do Instituto Filipe Toledo. Seja bem-vindo nosso eterno bicampeão.
Em entrevista ao colega Fábio Maradei, em agosto de 2020, Ricardinho contou que “O surf é a minha vida. Faço isso desde pequeno, me tornei atleta profissional, pai de família como surfista, fiz universidade por causa do surf, para atuar na área e pelos benefícios que me traria como pessoa e profissional. Criei meus filhos, minha família com o surf. E hoje o Filipe se tornou um atleta de alto rendimento e o acompanho. É a minha vida, é tudo”.
Legends

Foto Ricardo Bocão e Ricardo Toledo na Bateria Legends: Fabriciano Jr./ Surf Brasil
Na última terça-feira, dia 21, após o encerramento da rodada de estreia dos Top-11 do ranking e dos 2 convidados na quarta fase do Surf Brasil PRO Ubatuba, aconteceu uma bateria de apresentação de duas lendas vivas do surf brasileiro. O hoje diretor de comunicação da Confederação Brasileira de Surf, Ricardo Bocão, que com 70 anos de idade surfou as morras de Nazaré em Portugal, entrou no mar junto com o bicampeão brasileiro de 1991 e 1995, Ricardo Toledo, de 58 anos, pai do bicampeão mundial Filipe Toledo, que voltou a morar em Ubatuba depois de mais de 10 anos vivendo na Califórnia, Estados Unidos.
“Eu to muito contente de estar aqui com o (Ricardo) Bocão, fazendo essa apresentação”, continuou Ricardinho. “Minha mudança da Califórnia chegou ontem em casa, 60 pés de contêiners pra descarregar, então minha cabeça tava a milhão. Mas, fiz questão de parar tudo pra vir aqui, fazer essa bateria de apresentação com esse cara que é um exemplo, um ícone, um ídolo do surf brasileiro e mundial. Com a idade que ele tá, botar pra baixo em Nazaré, acho que eu não teria coragem. Então é isso, to muito feliz e só quero agradecer todo mundo, parabenizar meu time que tá fazendo um trabalho incrível no Instituto Filipe Toledo e dar parabéns também pelo evento. Que seja muito legal aí nos últimos dias”.
“Poxa, é muito legal a oportunidade e só tenho que agradecer toda a organização do evento, a Confederação Brasileira, por estar dando continuidade nesse legado que várias gerações atrás iniciou, para hoje o surf chegar nesse patamar que está”, disse Ricardinho Toledo. “Muitos jovens não têm noção do que passamos, do que aconteceu lá atrás, não conhece a história do surf brasileiro e isso é uma pena. Nós passamos por muitas coisas para o surf hoje estar como está, com esses palanques gigantes, patrocinadores, milhões de reais de premiação. Mas é isso, faz parte da evolução”.
Ricardo Bocão também falou sobre essa bateria especial de Legends no Surf Brasil PRO Ubatuba: “Ele é o competidor de sempre né, passava por mim por dentro toda hora, mas foi muito legal. Foi uma honra estar nessa apresentação com um bicampeão brasileiro. O nível do Ricardinho na época dele, foi muito alto, é de uma família tradicional do surf brasileiro e daqui de Ubatuba, então foi uma honra fazer uma bateria com ele nesse dia lindo de Sol. Pena que não tinha tantas ondas né, não só tamanho, mas um pouquinho mais de quantidade. A gente sempre quer uma coisa melhor, mas foi ótimo, uma experiência maravilhosa”.
De volta a Ubatuba após mais de uma década vivendo na Califórnia, Ricardinho aproveitou a homenagem para destacar a importância de preservar a história do surfe brasileiro. Ele lembrou que muitos jovens não conhecem os desafios enfrentados pelas gerações que abriram caminho para o esporte alcançar o patamar atual.
“Passamos por muitas coisas para o surfe hoje estar como está, com grandes estruturas, patrocinadores e premiações cada vez maiores.”
Ricardinho também elogiou o trabalho desenvolvido pelo Instituto Filipe Toledo e agradeceu à CBSurf pela iniciativa de valorizar os pioneiros. Ao seu lado, Ricardo Bocão celebrou a oportunidade de dividir o mar com um velho amigo e rival, destacando a importância de manter viva a história do surfe brasileiro. Momentos como esse mostram que o futuro do surfe também passa por reconhecer e valorizar aqueles que ajudaram a construir esse caminho.
