Dos 128 pinguins encontrados até esta terça-feira, dia 30, nas praias do litoral norte paulista apenas 28 deles foram encontrados com vida. Atualmente, doze deles estão sendo reabilitados no Instituto Argonauta, em Ubatuba. Nesta terça-feira(30),pelo menos dois animais foram encontrados vivos em praias de Ubatuba, um nas Toninhas e outro, na praia do Sapê, na região sul.

Entre as principais causas das mortes estão o desgaste migratório, principalmente, causado pela longa viagem. Muitos animais, especialmente os mais jovens, chegam ao litoral debilitados e vulneráveis a doenças; a falta de alimento, mudanças nas correntes marinhas e na oferta de peixes dificultam a alimentação dos pinguins durante o trajeto, causando desnutrição e consequente hipotermia; a interação com a pesca, a captura acidental em redes de arrasto e apetrechos de pesca é uma causa frequente de mortalidade nas águas costeiras; e, parasitoses e infecções, indivíduos debilitados ficam mais suscetíveis a desenvolver quadros infecciosos e parasitários
Nesta terça(30), um pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) foi resgatado no fim da manhã na Praia das Toninhas, em Ubatuba. O animal foi encontrado pelo Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), que realizou o resgate inicial e acionou a equipe do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, responsável pela execução do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no litoral norte paulista. Após o acionamento, a equipe do Instituto Argonauta realizou o recolhimento do animal e o encaminhou ao Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD), em Ubatuba, onde passará por avaliação clínica e receberá todos os cuidados necessários, incluindo exames, estabilização e tratamento, conforme seu estado de saúde.
Um outro pinguim, muito debilitado foi encontrado e resgatado na praia do Sapê. O resgate foi feito pelo professor de surfe Luciano Santanna pela manhã. Segundo ele trata-se de um animal jovem, mas que encontrava-se muito fraco e debilitado. Luciano retirou o pinguim da praia e acionou o Instituto Argonauta para que o animal possa ser reabilitado e solto posteriormente no mar.
Há 28 anos, o Instituto Argonauta, em parceria com o Aquário de Ubatuba, desenvolve um trabalho contínuo de resgate, reabilitação, pesquisa e conservação da fauna marinha no litoral norte paulista. Ao longo desse período, centenas de pinguins-de-Magalhães já passaram pelo Centro de Reabilitação e Despetrolização, consolidando a instituição como referência no atendimento e recuperação dessas aves marinhas durante a temporada de inverno.

O animal resgatado é um pinguim-de-Magalhães juvenil. Nesta época do ano, é comum a chegada desses animais ao litoral brasileiro durante a migração realizada a partir das áreas de reprodução na Patagônia, na Argentina e no Chile. Os indivíduos jovens são os mais frequentemente encontrados nas praias, pois ainda possuem pouca experiência para enfrentar a longa jornada migratória e, muitas vezes, não conseguem acompanhar o grupo, chegando debilitados, com baixo escore corporal e necessitando de atendimento especializado.

A terça-feira foi marcada por diversos acionamentos envolvendo pinguins em diferentes praias de Ubatuba, refletindo o início mais intenso da temporada de ocorrência da espécie no litoral norte paulista. As equipes do Instituto Argonauta permaneceram mobilizadas ao longo do dia para atender às solicitações e avaliar a condição dos animais encontrados. Segundo o oceanólogo Hugo Gallo Neto, cada atendimento representa uma oportunidade de contribuir para a conservação da espécie e para ampliar o conhecimento sobre a fauna marinha.

“O período de inverno é marcado pela chegada dos pinguins ao nosso litoral, e cada resgate representa uma oportunidade de oferecer uma chance de recuperação aos animais debilitados, além de gerar informações importantes para a conservação da espécie e dos ambientes marinhos. Esse trabalho só é possível graças à integração entre as instituições e ao apoio da população, que aciona as equipes especializadas ao encontrar um animal em situação de risco.”
O Instituto Argonauta reforça que, ao encontrar um pinguim ou qualquer outro animal marinho debilitado, ferido ou encalhado, a população não deve tentar devolvê-lo ao mar, oferecer alimento ou água ou realizar qualquer tipo de manejo. A orientação é manter distância, evitar aglomerações, afastar animais domésticos e acionar imediatamente a equipe especializada para que o atendimento seja realizado de forma segura.
Desde o início da temporada de inverno, as equipes do Instituto Argonauta já registraram 128 ocorrências de pinguins-de-Magalhães no litoral norte paulista, sendo 28 animais encontrados vivos. Atualmente, 12 pinguins permanecem em reabilitação no Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD), onde recebem atendimento veterinário, suporte nutricional e todos os cuidados necessários para que possam retornar ao ambiente natural em condições adequadas.
O Instituto Argonauta, criado em 1998 pela diretoria do Aquário de Ubatuba, atua em parceria com o próprio @aquariodeubatubaoficial nas ações de resgate e reabilitação de animais marinhos, contribuindo para a conservação da biodiversidade e a proteção da fauna costeira e oceânica. Além disso, é uma das instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
Sobre o Instituto Argonauta
O Instituto Argonauta (@institutoargonauta) foi criado em 1998 pela Diretoria do Aquário de Ubatuba (@aquariodeubatubaoficial) e, em 2024, foi reconhecido como entidade de Utilidade Pública Municipal. Com a missão de promover a conservação do meio ambiente, com foco nos ecossistemas costeiros e marinhos, o Instituto atua no desenvolvimento e apoio a projetos de pesquisa, resgate e reabilitação de fauna marinha, educação ambiental e gestão de resíduos sólidos no ambiente marinho, entre outras iniciativas. Essas ações reforçam o compromisso do Instituto em preservar a biodiversidade e sensibilizar a sociedade para a importância da proteção dos oceanos.

