Morre em Caraguatatuba, aos 92 anos, o artista plástico Gianni Parziale.

 

Morreu em Caraguatatuba, no Litoral Norte Paulista, aos 92 anos, o artista plástico Gianni Parziale. Nascido em Brescia, na Itália, em 1934, o artista vivia em Caraguatatuba desde 1979. O artista morreu durante madrugada desta quinta(25).  As causas da morte não foram divulgadas. Parziale será sepultado às 14 horas desta quinta-feira(25), no Bela Vista Cemitério Parque, no bairro do Jetuba, em Caraguatatuba.

 

Gianni Parziale nasceu em Bréscia (Itália), vivia no Brasil desde a década de 80, quando realizou sua primeira exposição, no MASP, deixando uma de suas obras (“Il Sole Muore nel Lago”) para o acervo permanente do museu. Com um agradecimento de próprio punho, o então diretor Pietro Maria Bardi, manifestou sua admiração pelo artista, documento que ele guarda com carinho.

 

Por ocasião da ECO-92 foi escolhido para representar o Brasil, na Itália, com a mostra “Vivere”, cujo objetivo era despertar o interesse dos europeus para o movimento ecológico que se dava em nosso país, bem como à causa ambiental no mundo.

 

Com o tema Amazônia, expôs na Suíça, França e Itália, sendo premiado em várias mostras européias, com esta e outras temáticas ecológicas.  Seu primeiro prêmio internacional (“Tavolozza T´Oro”) conquistou na década de 60, em Roma. De lá para cá muitos outros vieram.

 

Parziale tem obras em vários acervos permanentes além do Brasil: Museu de Arte Contemporânea de Amsterdã, Bruxelas, Caracas, Luxemburgo e Londres. Viaja anualmente a Europa onde expõe e comercializa sua arte. É membro da Academia de Letras, Ciências e Arte de Roma, e das Academias de Belas Artes do Brasil e da Itália.

 

 

Ele costumava dizer que o “Brasil é minha terra e a Itália é minha pátria”, justificando seu desejo de permanecer mais tempo aqui do que na Europa, onde estão todos os seus familiares. Vivendo em contato estreito com a natureza, em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo, Gianni encontrou nela os elementos para desenvolver seu trabalho.

 

Pintor, escultor e ceramista, Gianni lançou mão de elementos da natureza para compor suas obras em cerâmica, madeira e vidro. Durante as numerosas viagens que realizou em lugares como, Tunísia, Marrocos, Egito, Grécia, México, Venezuela, ele trabalhou e pesquisou, assimilando tudo que viu e viveu.

 

 

Sua incansável pesquisa das diversas técnicas lhe permitiu trabalhar em pintura e escultura com liberdade máxima. Seu estilo alcançou um cunho estritamente pessoal e suas obras, não obstante a mais variada diversificação das técnicas, são inconfundíveis. O artista tem ainda, em quatro templos católicos do Brasil, afrescos, mosaicos e vitrais com a temática sacra, que ele desenvolve com a ajuda de duas de suas filhas, também artistas plásticas, residentes na Itália.

 

 

E, como artista plástico, estimulou muitos jovens por onde passou. “Um dia muito difícil par nós. Obrigado, Gianni pela semente da fantasia, do universo onírico onde tudo é possível. Descanse em paz, Maestro. Ciao”, postou o artista visual e pintor, Edson Macedo.

 

Macedo conta que conheceu Parziale nos fins dos anos 80, através de um pintura vista em uma galeria de Caraguatatuba. “Eu tinha 18 anos, e aquele quadro já carregava um destino: abrir a porta. Depois veio o encontro real, e com Gianni veio o mentor, o amigo, o tempo de oficina, o silêncio bom do aprendizado-quando a informação era rara e o olhar valia ouro. O mestre circula pelos materiais com naturalidade: escultura, pintura, vidro, mosaico, madeira e tapeçaria”, postou Macedo em suas redes sociais.

 

Edson Macedo teve o privilégio de participar da última exposição do artista italiano realizada no MASP, em Caraguatatuba, “Poesia e Cores de Parziale” e “Encontros”, de Edson Macedo, integraram a comemoração do aniversário de Caraguatatuba e a visitação pública foi encerrada no último dia 20.

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