O “Mundo da Bola” desta terça-feira, dia 16, destaca uma história interessante envolvendo dois craques do futebol internacional. O brasileiro Careca e o meia argentino Diego Maradona. Os dois ficaram super amigos quando atuaram juntos pelo Napoli, da Itália, entre 1984 e 1991 e conquistaram inúmeros títulos.
Em 1989, Careca iniciou a construção de um mansão na praia Domingas Dias, uma das praias mais belas de Ubatuba. Segundo comentários, em Ubatuba, na época, a casa pé na areia, seria na verdade para uso de Diego Maradona. O responsável pela obra era o construtor Paulo, sogro de Careca. A mansão nunca chegou a ser usada por nenhum dos dois. Maradona acabou se envolvendo com o uso doping depois, com o uso de drogas e chegou até a ser preso alguns anos depois. Consta que, a residência, que não chegou a ser usada por nenhum dos dois, acabou sendo envolvida na compra de um haras em São José do Rio Preto(SP).
Por Salim Burihan
No dia 4 de setembro de 1989, uma linda manhã de segunda-feira, quando eu checava as pautas do dia para a Folha de São Paulo, jornal que trabalhava, na época, recebi um telefonema do meu amigo Roberto Toti, atual proprietário do Restaurante Guaruçá, na praia central de Caraguatatuba, que na ocasião tinha um supermercado na praia do Lázaro, em Ubatuba.
Ele me antecipou que o jogador Careca, do Napoli, da Itália e titular da seleção brasileira iria almoçar no restaurante de um amigo dele em Ubatuba. “Quer ir até lá, fazer uma reportagem com ele? O Ademir Peres, dono do restaurante é meu amigo. Falei prá ele que iria te avisar que o Careca iria almoçar lá”, explicou o Toti. O Restaurante do Peres, no Lázaro, era um lugar muito frequentado por jogadores e ex-jogadores, entre eles, Rivellino, Careca, Zetti.

O Toti sem querer, com o seu convite, acabou salvando o meu dia: Careca, que atuava no Napoli, da Itália, ao lado de Maradona, tinha sido um dos destaques da seleção brasileira, no dia anterior, domingo, dia 3 de setembro. Careca tinha sido o autor do gol da seleção brasileira na vitória por 1×0 contra o Chile, no Maracanã, em jogo válido pelas eliminatórias para a Copa de 90. O centroavante tinha feito o único gol da partida, aos quatro minutos do segundo tempo, após receber passe de Bebeto.
O Brasil precisava da vitória para se classificar para a Copa da Itália e disputava a vaga do grupo três justamente com o Chile. A partida, todos devem se recordar, não chegou ao seu final, porque aos 24 minutos do segundo tempo o goleiro Rojas forjou um ferimento no rosto, após um simulador ter sido atirado no gramado por uma torcedora.
Rojas foi levado para o vestiário e o time recusou-se a retornar ao campo de jogo. Alguns dias depois, ficou comprovada a farsa promovida por Rojas, que acabou banido dos gramados, e a Fifa classificou o Brasil.
Encontrei o Careca no Restaurante do Peres, cujo proprietário, o Ademir, era amigo dele havia muitos anos. Careca contou detalhes do jogo ocorrido no dia anterior, do incidente com Rojas –ele fora o primeiro a atender o goleiro, falou da classificação do Brasil para a Copa, sobre os possíveis adversários e comentou de sua atuação no Napoli, da Itália, ao lado de Maradona.
Mansão a beira mar

Terminei a entrevista, fiz as fotos e retornei a Caraguatatuba. A pauta solicitada pela Folha foi sobre o jogo, o incidente com Rojas e a classificação do Brasil para a copa de 90.
Na mesma tarde, daquela segunda, dia 3, após enviar o texto, surgiu uma dúvida na minha cabeça. Mas, espera aí? O que o Careca estaria fazendo em Ubatuba, em plena segunda-feira, um dia antes de retornar à Itália?
Descobri o que era, mas a Folha optou em manter o texto original com o jogador comentando o resultado da partida, o incidente com o Rojas e a classificação para mais um mundial. Fui orientado em fazer uma “suíte” no dia seguinte sobre o que Careca estaria fazendo em Ubatuba.
No dia seguinte, logo pela manhã, corri atrás da história. O Toti novamente me ajudou. Careca estaria iniciando a construção de uma bela mansão na praia Domingas Dias. Os comentários eram de que a casa pertenceria na verdade a Maradona. O sogro de Careca, o seu Paulo, era quem cuidava da construção.
Fui até a Domingas Dias, conheci o seu Paulo, o construtor, sogro do Careca e visitei a obra. Tratava-se de um projeto de uma bela casa, de frente para o mar, em uma das praias mais lindas do litoral brasileiro, a Domingas Dias.
Passado um ano e meio, a obra foi concluída, orçada na época em R$ 800 mil. Comentava-se na época, que na inauguração do imóvel, Diego Maradona estaria presente. Fiquei de prontidão, pois se a casa fosse mesmo de Maradona, seria uma notícia de destaque internacional.
Careca e Maradona formavam uma das mais belas duplas de ataque no Napoli. O ex-atacante brasileiro defendeu o clube italiano por 6 temporadas, entre 1987 e 1993. Os dois conquistaram duas Copas da Itália (88 e 89), dois campeonatos italianos (89 e 90) e uma copa da Uefa (89).
Careca marcou 95 gols pelo Napoli. Maradona fez 115 gols pelo Napoli. Ele defendeu o clube italiano entre 1984 e 1991, período em que se tornou o maior ídolo da história da equipe e o quarto maior artilheiro. Os dois jogadores mantinham uma forte e sólida amizade.
Maradona, no entanto, não apareceu em Ubatuba. Ele acabou sendo pego no exame antidoping em abril de 91, atuando pelo Napoli. No mês seguinte, maio, foi preso em Buenos Ayres por porte de drogas.
Em 94, na primeira fase da copa do mundo dos EUA, Maradona foi pego novamente no antidoping por uso de efedrina, substância não permitida pela Fifa, e afastado definitivamente dos gramados.
Diego Maradona morreu em 25 de novembro de 2020. O ex-jogador de futebol argentino faleceu aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória, enquanto se recuperava de uma cirurgia na cabeça em sua casa na cidade de Tigre, na grande Buenos Aires.
O ex-atacante Careca disputou 64 jogos e marcou 30 gols pela Seleção Brasileira. Ele defendeu o Brasil em duas Copas do Mundo, sendo um dos principais destaques no torneio de 1986 e também participando do mundial de 1990.
Careca (Antônio de Oliveira Filho) defendeu o Guarani, São Paulo, Napoli (Itália) e Kashiwa Reysol (Japão). Ele também teve passagens pelo Santos, além de ter fundado e jogado no Campinas Futebol Clube, clube que mais tarde se tornou o Red Bull Brasil.
Com relação a casa construída na praia da Domingas Dias, consta que nem Careca e nem Maradona chegaram a usar a mansão pé na areia. A casa teria sido incluída na compra de um haras em São José do Rio Preto. Permanece a dúvida sobre quem teria construído a residência: Careca ou Maradona. O ex-jogador, segundo consta, mantém um apartamento em Ubatuba, cidade que frequenta, principalmente, no verão.
