Matheus Rodelo Monteiro Machado, de 27 anos, natural de Fernandópolis(SP), acusado de aplicar golpes em várias mulheres, inclusive, uma delas de família tradicional de Caraguatatuba, foi condenado pela justiça à pena de dois anos e seis meses de reclusão, em regime semiaberto.
Matheus que foi condenado no último dia 27, pelo juiz Júlio da Silva Branchini, poderá recorrer em liberdade, mas o promotor Renato Queiroz de Lima, autor da denúncia, entrou com recurso no Tribunal de Justiça, em São Paulo, reivindicando o aumento da pena imposta inicialmente ao estelionatário.
Conforme a denúncia feita pelo Ministério Público, ele se apresentava às vítimas, todas elas mulheres, como estudante de medicina, investidor em criptomoedas e herdeiro de família abastada. Matheus ostentava com helicópteros, embarcações, veículos de luxo e publicações relacionadas a investimentos financeiros, reforçando artificialmente a imagem de elevado poder aquisitivo e expertise financeira.
Ainda conforme denúncia feita pelo promotor Renato Queiroz de Lima, “ele desenvolveu verdadeiro padrão reiterado de obtenção de vantagem patrimonial ilícita mediante fraude, manipulação psicológica, induzimento a erro e exploração da confiança estabelecida com múltiplas vítimas em diferentes estados da federação”.
Alvo de diversos inquéritos por estelionato sentimental, Matheus Rodelo Monteiro Machado, na época com 26 anos, foi preso por estelionato e ameaça em Santos, no litoral de São Paulo, no dia 8 de outubro do ano passado, após pedido do promotor de Justiça Renato Queiroz de Lima.
Segundo as investigações, o homem fez vítimas em diversos Estados do país. Ele usava redes sociais e aplicativos de relacionamento para se aproximar de mulheres, apresentando-se como estudante de medicina, investidor, esportista e integrante de uma influente família do interior paulista. Os golpes financeiros, aplicados por meio de transferências de valores, uso de cartões de crédito e falsas promessas de investimentos, teriam ocorrido após o estabelecimento de vínculos afetivos. Há relatos de prejuízos superiores da R$ 100 mil por vítima.
Matheus foi denunciado em 2 de outubro de 2025, após denúncia feita por uma jovem, C.D., de tradicional família da cidade. Ela teria tido um relacionamento amoroso com Matheus por 10 meses, período em que ele, através de estratagemas, fazia o possível para mostrar à vítima possuir um estilo de vida de alto padrão, como investidor nas áreas de criptomoedas e investimentos fora do território brasileiro, passando a oferecer à vítima a possibilidade de investimentos em bitcoin e dólares, com retornos acima dos de mercado.
A jovem foi lesada em R$ 104.576,56 através de 51 transações realizadas à Matheus. A vítima tomou teria começado a suspeitar de Matheus em março de 2025, após ele ter furtado um anel, avaliado em R$ 21.500,00 de sua tia, que residia na Suíça, durante visita dela em Caraguatatuba. Em juízo, Matheus alegou que tinha achado o anel na piscina e tinha vendido por R$ 700,00.
“Eu tinha um relacionamento com o matheus que indicava ser investidor, ele investia em dólar e falava que tinha uma grande quantidade no exterior. Em alguns momentos ele perguntava para mim se eu queria comprar dólar, eu falava não e ele foi me convencendo. A gente foi anotando em um excel, quando começou a ter uma grande quantia ele começou a me enrolar para pagar, então eu falei eu quero passar para o meu nome os dólares, já que vc está investindo lá eu quero abrir uma conta na plataforma no meu nome, aí ele falou que o mínimo que pode colocar é 10 mil dólares, aí eu juntei e trabalhei muito. Juntei esses 10 mil dólares e quando eu falei então vamos passar para o meu nome agora ele falou agora tá bloqueado.”
Outra vítima de Matheus foi L.B., do Mato Grosso do Sul, foi lesada em mais de R$ 30 mil. Ele usou o mesmo padrão de aproximação fraudulenta, se apresentando como “kitesurfista e investidor da bolsa de valores”, afirmando possuir aplicações milionárias em dólar e exibindo supostos investimentos em seu aparelho celular, de modo a construir uma falsa imagem de estabilidade financeira, sofisticação patrimonial e êxito profissional.
“O matheus pegou o meu cartão de crédito e colocou no aplicativo do Ifood dele, e estava debitando da minha poupança, quando chegou em dezembro de 2024 e eu fui fazer uma cotação de quanto eu tinha gasto no ano, tava faltando R$ 30.000,00 (trinta mil reais), ai eu fui olhar os débitos e só tinha compra no ifood, farmácia, mercados e restaurantes de Caraguatatuba.”
L.B., contou que decidiu se afastar de Matheus, mas que ele passou a ameaçar sua família, afirmando possuir contatos com facções criminosas e dizendo que poderia mandar matar seu pai caso o relacionamento não fosse retomado. Em Juízo, o acusado admitiu a utilização do cartão da vítima L.B., limitando-se a alegar que teria recebido autorização para tanto.
Uma outra vítima do estelionatário foi L.H.B., do Pará. Em depoimento, ela contou que manteve um relacionamento com Matheus, na época se apresentando como estudante de medicina, mas que, realizava transferências falsas via PIX e possuía hábito reiterado de forjar comprovantes bancários, encaminhando imagens de supostos pagamentos com o objetivo de induzir terceiros em erro.
Ela disse em depoimento que teve que bloqueá-lo de todos os meios de comunicação, inclusive e-mail, diante da insistência e da escalada de comportamentos abusivos apresentados pelo acusado. Ela ajuizou pedido de medida protetiva na 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Belém, do Tribunal de Justiçado Estado do Pará.
C.G.S., outra vítima de Matheus, em depoimento contou ter conhecido ele em junho de 2022, durante viagem a cidade de João Pessoa(PB), ocasião em que ele se apresentou como estudante de Medicina, investidor de criptomoedas e herdeiro de família abastada.
Com o decorrer dos dias, C.G.S. começou a perceber situações suspeitas envolvendo o acusado. Narrou que, em determinado dia na praia, Matheus realizou um suposto pagamento via PIX a um vendedor ambulante, porém o valor jamais foi creditado na conta do recebedor. Ela afirmou ter percebido que situações semelhantes já haviam ocorrido anteriormente. Após descobrir a existência de diversos processos judiciais envolvendo Matheus, inclusive ações relacionadas à prática de estelionato e utilização de comprovantes falsos de PIX. Camila imediatamente cancelou seus cartões bancários e passou a buscar meios para que o acusado deixasse sua residência.
O pedido de aumento da pena pelo promotor, foi justificada diante da quantidade extremamente elevada de condutas fraudulentas, da habitualidade criminosa demonstrada, da elevada reprovabilidade concreta dos fatos, da sofisticação do modus operandi e da intensa persistência delitiva revelada nos autos, requer-se a incidência da continuidade delitiva específica prevista no artigo 71, parágrafo único, do Código Penal, com aplicação da fração máxima legal de aumento.
Ainda, segundo o promotor, “a atuação do acusado revela risco concreto de reiteração delitiva, especialmente diante do padrão serial de fraudes patrimoniais identificado nos autos. Diante disso, requer-se a fixação de regime mais gravoso, suficiente para reprovação e prevenção do delito”.
Matheus teria ainda aplicado golpes em comércios e contra um dentistas. Ele teria falsificado em 2018, documento público verdadeiro, adulterando as notas do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos – ENCCEJA, edição de 2019, bem como assumindo conscientemente o risco de que o documento falso viesse a ser utilizado junto ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP.
