Criado em 2015 o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) tem sido fundamental para a preservação dos animais marinhos. Institutos, como o Argonauta(Ubatuba) e Gremar(Guarujá), atuam no resgate de animais marinhos.
Por Salim Burihan
No último dia 24 de agosto, o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) completou 11 anos de atuação. O projeto é um programa federal de conservação e resgate da fauna marinha. Exigido pelo Ibama e operado pela Petrobras, ele avalia os impactos da produção de petróleo e gás ao longo de mais de 1.500 km de costa entre Santa Catarina e o Rio de Janeiro.

No Litoral Norte Paulista, o Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, fundado em 1998, atua desde 2015, no Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Atualmente, o Instituto Argonauta é responsável pelo Trecho 10 do PMP-BS, que compreende os municípios de Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela e São Sebastião.

Segundo o instituto, ao longo desses onze anos de atuação no projeto, foram registradas 17.284 ocorrências de tetrápodes marinhos, grupo que inclui tartarugas, aves marinhas e mamíferos marinhos encontrados vivos ou mortos. Desse total, 60,2% corresponderam a tartarugas marinhas; 31,5% a aves marinhas; e 8,4% a mamíferos marinhos.

No mesmo período, os resgates de animais vivos corresponderam a 18,6% das ocorrências registradas, e foram realizadas 10.008 necropsias. Esses procedimentos contribuem para compreender as condições dos animais atendidos, investigar causas de mortalidade e identificar ameaças à fauna marinha.

Entre as ocorrências registradas, 24,6% apresentaram evidências de algum tipo de interação com atividades humanas, o que corresponde a aproximadamente uma em cada quatro ocorrências. O dado reforça a importância do monitoramento contínuo para compreender de que forma as ações antrópicas afetam tartarugas, aves e mamíferos marinhos. Redes e outros petrechos de pesca, resíduos sólidos, embarcações e diferentes formas de interação humana estão entre os fatores que podem afetar esses animais.
Segundo o instituto, a avaliação das ocorrências permite identificar padrões, compreender ameaças e produzir informações que auxiliam no direcionamento de ações de conservação. Os dados coletados pelas equipes em campo, durante os atendimentos veterinários e nas necropsias contribuem para a produção de relatórios técnicos, estudos e pesquisas científicas, além de subsidiarem ações de educação ambiental e sensibilização da sociedade.
O acompanhamento realizado de forma contínua ao longo dos anos permite observar padrões e mudanças na ocorrência das espécies, ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade marinha e compreender melhor os impactos que atingem os ecossistemas costeiros. A parceria com o Aquário de Ubatuba permanece como parte importante dessa trajetória, aproximando ciência, conservação e educação ambiental e contribuindo para ampliar o conhecimento e a sensibilização da sociedade sobre a importância da proteção dos oceanos e de sua fauna.
Ao completar 28 anos de atuação institucional e 11 anos de participação no PMP-BS, o Instituto Argonauta reforça uma trajetória construída a partir da integração entre conservação, atendimento à fauna, ciência, pesquisa e educação ambiental. Ao encontrar tartarugas, aves ou mamíferos marinhos vivos, debilitados ou mortos no litoral norte de São Paulo, a orientação é não tocar, não alimentar e não tentar devolver o animal ao mar. Acione a equipe do Projeto de Monitoramento de Praias pelos telefones: 0800 642 3341 e WhatsApp: (12) 99785-3615. Sempre que possível, informe a localização exata do animal e mantenha distância até a chegada da equipe.
Instituto Gremar

Integrante do Trecho 9 do PMP-BS, o Instituto Gremar atua no monitoramento das praias e no atendimento à fauna marinha e costeira nos municípios de São Vicente, Santos, Guarujá e Bertioga. O trabalho envolve o resgate e a assistência veterinária aos animais encontrados vivos e debilitados, bem como a avaliação dos indivíduos encontrados mortos, com a realização de exames e a coleta de dados e amostras para estudos.

Ao longo desses 11 anos, 11.034 animais foram registrados e atendidos pelo Trecho 9, entre aves, tartarugas e mamíferos marinhos. Por trás de cada número, existem histórias, aprendizados e, principalmente, pessoas. São profissionais de diferentes áreas que trabalham diariamente no monitoramento das praias, no resgate, no atendimento veterinário, na reabilitação, na realização de exames e na produção de conhecimento científico, sempre em prol da conservação.

Segundo o Gremar, o monitoramento contínuo gera dados essenciais para compreender a ocorrência, a distribuição, as condições de saúde e as principais ameaças à fauna marinha e costeira da região. As informações são reunidas no SIMBA (Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática) e contribuem para pesquisas, políticas públicas e ações de conservação.
