Foto Capa: Blitz na praia da Mococa, entre Ubatuba e Caraguatatuba

O governo do estado divulgou na última quinta(20), um balanço sobre as fiscalizações contra o consumo de álcool ao volante no Estado. Entre 2022 e 2025 no estado de São Paulo – o avanço no número de veículos fiscalizados foi de 450%. Em oito superintendências do Detran-SP, o crescimento foi maior que a média estadual. Entre elas está Jundiaí, com maior aumento no Estado (quase 1.300%), seguida por Itapeva, Presidente Prudente, Franca, Ribeirão Preto, Piracicaba, São José do Rio Preto e Bauru.
As operações tiveram crescimento ano a ano em todas as regiões das superintendências do Detran-SP. Em quatro delas, o número de veículos fiscalizados de janeiro a julho é maior do que em todo o ano de 2025: Campinas, São Bernardo do Campo, São José dos Campos(Litoral Norte) e Sorocaba (veja todos os números abaixo).
O número de operações também é expressivo. No estado, o crescimento foi de 234% no ano passado em relação a 2022. Em seis regiões, o número de operações nestes primeiros sete meses do ano foi maior que em 2025: capital, Campinas, Osasco, São Bernardo do Campo, São José dos Campos(Litoral Norte) e Sorocaba.
Penalidades
Dirigir alcoolizado faz o motorista ter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por 12 meses, além de ter de pagar uma multa por infração gravíssima no valor de R$ 2.934,70.
No momento da abordagem, o veículo só é liberado para outro condutor que esteja habilitado e comprovadamente sóbrio para dirigir. Se esse condutor não se apresentar, o veículo é recolhido ao pátio.
Dentro desses 12 meses de suspensão de CNH, o motorista precisa concluir um curso de reciclagem e ser aprovado em uma prova teórica para reaver o documento.
A recusa do bafômetro resulta em penalidades idênticas às aplicadas a quem é pego dirigindo sob efeito de álcool: multa de R$ 2.934,70 e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Instaura-se processo administrativo de suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e o veículo é retido na abordagem, até a apresentação de um condutor habilitado e sóbrio – podendo ser recolhido a pátio se não houver apresentação deste segundo motorista.
Veja o crescimento da fiscalização entre 2022 e 2025:
Estado
Veículos fiscalizados: 450%
Operações: 234%
Santos (Litoral Sul e Baixada Santista)
Veículos fiscalizados: 405%
Operações: 212%
São José dos Campos(Litoral Norte)
Veículos fiscalizados: 169%
Operações: 132%
Números de operações e veículos fiscalizados
Estado
2022
Operações: 382
Veículos fiscalizados: 142.324
2023
Operações: 467
Veículos fiscalizados: 256.901
2024
Operações: 565
Veículos fiscalizados: 401.713
2025
Operações: 1.272
Veículos fiscalizados: 781.458
2026 (jan/jul)
Operações: 1.138
Veículos fiscalizados: 560.952
Santos(Litoral Sul e Baixada Santista)
2022
Operações: 25
Veículos fiscalizados: 9.720
2023
Operações: 22
Veículos fiscalizados: 11.936
2024
Operações: 23
Veículos fiscalizados: 13.168
2025
Operações: 78
Veículos fiscalizados: 49.083
2026 (jan/jul)
Operações: 44
Veículos fiscalizados: 28.482
São José dos Campos(Litoral Norte)
2022
Operações: 25
Veículos fiscalizados: 9.979
2023
Operações: 30
Veículos fiscalizados: 14.115
2024
Operações: 34
Veículos fiscalizados: 22.490
2025
Operações: 58
Veículos fiscalizados: 26.866
2026 (jan/jul)
Operações: 75
Veículos fiscalizados: 29.003
Novas normas
Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou na última segunda-feira (17/8) nova regulamentação para os procedimentos de fiscalização à chamada Lei Seca, que estabelece regras para coibir a condução de veículos sob influência de álcool. A norma atualiza procedimentos vigentes desde 2013 e também disciplina a identificação de outras substâncias psicoativas.
A partir da Resolução, fica instituída uma fase de triagem nas operações de fiscalização realizadas pelos diferentes órgãos de trânsito do país. Nessa etapa, poderá ser utilizado o pré-teste ou teste passivo de alcoolemia, destinado a identificar possíveis indícios da presença de álcool.
O resultado dessa primeira verificação terá caráter exclusivamente orientativo e, isoladamente, não poderá fundamentar autuação ou caracterizar a condução sob influência de álcool. Nesses casos, será necessária a continuidade das avaliações probatórias previstas na norma.
A medida regulamenta condutas já adotadas na maioria dos estados, como Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, além das operações nacionais da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O texto define, ainda, critérios para a utilização desses equipamentos nas etapas de fiscalização.
Álcool residual
A nova regra também detalha os mecanismos para situações que possam interferir no resultado e determina quando deverá ser realizado o reteste. A medida será necessária quando algum fator técnico ou operacional comprometer a obtenção de um resultado válido, inclusive para afastar eventual detecção de álcool residual no trato respiratório superior.
Em situações envolvendo produtos que podem deixar temporariamente resíduos de álcool na boca, como bombons de licor, enxaguantes bucais e pão de forma, a norma estabelece que, diante de uma indicação positiva no teste passivo, será realizada uma avaliação posterior antes de qualquer conclusão.
Substâncias psicoativas
Para identificar outras substâncias além do álcool, a nova regulamentação prevê a possibilidade de uso de equipamentos tecnicamente certificados para essa finalidade, em conjunto com a verificação de sinais de alteração da capacidade psicomotora do condutor.
A resolução não cria um equipamento específico nem estabelece que a simples presença de vestígios de uma determinada substância seja suficiente para caracterizar uma infração. O texto regulamenta uma possibilidade que já está prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que admite testes toxicológicos e outros meios técnicos ou científicos para constatar a condução sob influência de substâncias psicoativas.
Para serem utilizados na fiscalização, os equipamentos deverão ser certificados no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), por organismo acreditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). A regulamentação estabelece os procedimentos para o uso desses equipamentos, sem vincular a fiscalização a uma tecnologia ou ferramenta específica.
Avaliação psicomotora
O agente responsável pela fiscalização deverá registrar, no auto de infração ou em termo específico, pelo menos dois sinais observados que confirmem a alteração da capacidade psicomotora do condutor.
Políticas públicas
Nos sinistros de trânsito, os condutores deverão ser submetidos à fiscalização, sempre que possível. Em caso de óbito, será obrigatória a realização de exame para detectar álcool ou outras substâncias psicoativas. Os dados obtidos deverão subsidiar o planejamento, a gestão e a avaliação das políticas públicas de segurança viária.
Recusa
O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT) também será atualizado para detalhar e padronizar a atuação em casos de recusa ao teste. Para o condutor que não realizar o procedimento, a regulamentação diferencia os enquadramentos, disciplina como cada situação deve ser registrada e determina que, em uma mesma abordagem, não sejam lavrados simultaneamente autos de infração por dirigir sob influência de álcool ou outras substâncias psicoativas e por se recusar ao exame comprobatório destinado a verificar essa condição, conforme os artigos 165 e 165-A do CTB.
Vigência
A Resolução entra em vigor a partir de sua publicação no Diário Oficial da União (DOU). As alterações do Anexo III, que atualizam as fichas de fiscalização e os códigos de enquadramento das infrações, entram em vigor 60 dias após a publicação.
O prazo foi estabelecido para permitir que os órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Trânsito (SNT) realizem as adaptações necessárias em suas ferramentas informatizadas antes da utilização dos novos códigos.
Durante esse período, deverão continuar sendo utilizados normalmente os códigos atualmente vigentes.
Confira perguntas e respostas sobre as mudanças
A Resolução cria alguma nova infração?
Não. A infração continua sendo a prevista no art. 165 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A Resolução apenas regulamenta novos procedimentos de fiscalização.
O que são substâncias psicoativas?
São substâncias capazes de alterar o funcionamento do sistema nervoso central e comprometer a capacidade de dirigir, como substâncias ilícitas e outras substâncias que determinem dependência.
O equipamento identifica qual substância foi consumida?
Sim. A Resolução prevê que o auto de infração deverá conter, entre outras informações, o tipo de substância detectada pelo equipamento.
O equipamento informa a quantidade da substância?
Não. O resultado é qualitativo, indicando a presença da substância psicoativa, e não sua concentração.
Os equipamentos poderão ser utilizados imediatamente?
A utilização dependerá da disponibilidade dos órgãos fiscalizadores e da existência de equipamentos certificados conforme os requisitos estabelecidos pela Resolução.
Os equipamentos precisam ser certificados?
Sim. Somente poderão ser utilizados equipamentos certificados no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), por organismo regulado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
A pessoa poderá se recusar a realizar o teste?
A recusa continua sujeita às consequências previstas no art. 165-A do CTB, conforme disciplinado pela Resolução.
O agente ainda poderá utilizar os sinais de alteração da capacidade psicomotora?
Sim. A verificação dos sinais permanece como um dos meios de fiscalização previstos na Resolução.
O bafômetro deixa de existir?
Não. O etilômetro continua sendo utilizado normalmente para fiscalização do consumo de álcool. A novidade é a inclusão de equipamentos específicos para outras substâncias psicoativas.
A fiscalização continuará podendo ser realizada mesmo sem o novo equipamento?
Sim. A verificação dos sinais de alteração da capacidade psicomotora continua sendo um dos meios legalmente previstos para a fiscalização, assim como o etilômetro nos casos de consumo de álcool.
A Resolução altera as penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro?
Não. A Resolução não altera as penalidades previstas no CTB. Ela regulamenta os critérios de fiscalização e de comprovação da infração.
*Por Agência Gov | Via Ministério dos Transportes
