O animal, uma fêmea com aproximadamente quatro metros de comprimento, apresentava um apetrecho de pesca enroscado no corpo.
A equipe do Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado pelo Instituto Argonauta, durante o monitoramento embarcado, encontrou um golfinho de grande porte, conhecido como “pseudorca” (Pseudorca crassidens) morto, localizada a cerca de quatro quilômetros da Ponta do Sepituba.
O animal, uma fêmea com aproximadamente quatro metros de comprimento, apresentava um apetrecho de pesca enroscado no corpo. Após o resgate, a carcaça foi rebocada até a Praia Grande, em São Sebastião, onde está localizada a Unidade de Estabilização do Instituto Argonauta. No local, foi iniciada a necropsia para investigar as possíveis causas da morte, além da coleta de amostras biológicas que serão encaminhadas para laboratórios especializados. As análises contribuirão para ampliar o conhecimento sobre a saúde da espécie e identificar possíveis fatores relacionados ao óbito.

Após a conclusão dos procedimentos, a carcaça será destinada, seguindo rigorosamente os protocolos de biossegurança e a legislação ambiental vigente. Com uma trajetória de 28 anos na conservação da fauna marinha, iniciada a partir das ações desenvolvidas pelo Aquário de Ubatuba, o Instituto Argonauta realiza o registro de ocorrências, o monitoramento, o resgate, a reabilitação e a pesquisa com animais marinhos, contribuindo para a geração de conhecimento científico e para a conservação da biodiversidade. Ao longo desse período, milhares de animais foram atendidos pela instituição, consolidando um importante banco de dados sobre a fauna marinha do litoral brasileiro.
Para Hugo Gallo Neto, diretor-presidente do Instituto Argonauta, cada ocorrência representa uma oportunidade de compreender melhor a realidade enfrentada pela fauna marinha e fortalecer as estratégias de conservação.
“Há quase três décadas acompanhamos de perto a fauna marinha do litoral paulista. Cada ocorrência registrada amplia o conhecimento sobre as espécies, suas ameaças e os desafios para sua conservação. Esse trabalho contínuo é essencial para subsidiar pesquisas, orientar políticas públicas e contribuir para a proteção dos ecossistemas marinhos.”
A médica-veterinária Mariana Zillio, responsável pelos atendimentos na Unidade de Estabilização de São Sebastião, destaca que a investigação científica é essencial para compreender o caso.
“Cada ocorrência como essa representa uma oportunidade importante para ampliar o conhecimento sobre a saúde da fauna marinha e os impactos das atividades humanas no ambiente costeiro. A necropsia, aliada às análises laboratoriais, é fundamental para esclarecer as possíveis causas da morte e gerar informações que contribuam para a conservação da espécie. A presença de um apetrecho de pesca enroscado no animal também reforça a necessidade de ações voltadas à redução dos impactos das atividades humanas sobre a fauna marinha.”
A pseudorca (Pseudorca crassidens) é um cetáceo da família dos golfinhos (Delphinidae) que pode atingir cerca de seis metros de comprimento e pesar mais de uma tonelada. Apesar do nome popular, não se trata de uma orca, mas de uma espécie de golfinho de grande porte. Vive em grupos sociais e alimenta-se principalmente de peixes e lulas, ocupando o topo da cadeia alimentar marinha.
De distribuição cosmopolita, a espécie ocorre em águas tropicais e subtropicais dos oceanos, preferencialmente em regiões oceânicas profundas, embora possa se aproximar da costa em determinadas situações. No litoral brasileiro, os registros são considerados pouco frequentes, tornando cada ocorrência uma importante fonte de informações para pesquisas sobre sua biologia, distribuição e conservação.
