Biquíni comemora 80 anos. Taxação de Trump pode inviabilizar exportações para os EUA. Confira:

Foto capa: Reprodução Modelo Sereia Prata

 

O biquíni está comemorando 80 anos. A peça que é usada nas praias do mundo inteiro foi criada em julho de 1946 por um engenheiro mecânico  francês, de 50 anos, chamado Louis Réard, que havia deixado o ramo automobilístico para assumir uma empresa de lingeries da família.

 

Réard teria contratado uma dançarina para lançar o biquíni, na época, uma roupa de praia feminina em duas peças, mais parecido com uma calcinha e um sutiã. A jovem  Micheline Bernardini, de 18 anos, fez o lançamento do biquíni em um piscina pública de Paris.

 

O novo traje foi considerado por conservadores, religiosos, autoridades e até por parte de jornalistas, como uma provocação aos costumes e códigos de moralidade na época. m diversos países europeus o biquíni foi proibido em praias e piscinas.

 

Em 1951, durante a primeira edição do Miss Mundo, a sueca Kerstin Hãkansson venceu o concurso e foi coroada usando um biquíni. Após a segunda guerra, o traje foi os poucos fazendo sucesso entre as celebridades. Estrelas como a francesa Brigitte Bardot e a sueca Ursula Andress foram fotografadas com o traje em praias e  filmes.

 

A partir da década de 60, com a revolução sexual, o cinema e  cultura pop, o biquíni passou a ganhar o status de “símbolo de liberdade”. No Brasil, não foi isso que ocorreu. Até a chegada do biquíni, os maiôs dominavam as praias do Rio de Janeiro.

 

Consta que o então presidente Jânio Quadros, em 1961, chegou a proibir o uso do biquíni em espaços públicos e em concurso de beleza. Aos poucos, no entanto,  vestimenta foi conquistando as brasileiras e as praias do país. A praia de Copacabana, no Rio, passou a mostrar e a divulgar a moda. Aqui no Brasil, ao longo dos anos, as peças foram ficando cada vez mais reduzidas para ampliar o bronzeamento do corpo.

 

No Brasil, o biquíni brasileiro,  lançado em 1946 pelo francês Louis Réard, em Paris, foi reinventado nas areias de Ipanema na década de 1970, com o surgimento de modelos como o “fio-dental” e o “asa-delta”. O país passou a ser referência mundial na produção de biquínis.

 

Taxação 

 

As exportações de biquínis e moda praia do Brasil em 2025 enfrentaram grandes desafios de competitividade de custos frente a concorrentes globais e barreiras tarifárias, tendo os Estados Unidos como  principal destino. 

 

Segundo o Comex Stat, compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), as exportações de vestuário  totalizaram US$ 10 milhões em 2025. Os Estados Unidos são o principal destino internacional do beachwear produzido no Brasil, absorvendo cerca de 40% de todas as exportações do segmento.

 

O biquíni brasileiro está sendo severamente taxado pelos Estados Unidos, enfrentando uma alíquota total de importação que atinge 74,9%. O setor de moda praia (beachwear) foi um dos mais atingidos pelas barreiras comerciais e disputas tarifárias.

 

Histórico e Evolução da Taxa
A escalada do imposto sobre a moda praia brasileira ocorreu em etapas consecutivas:
  • Tarifa Base: Originalmente, biquínis e maiôs exportados para os EUA pagavam 24,9% de imposto.
  • Aumento Intermediário: A taxa subiu para 34,9% após um acréscimo de 10 pontos percentuais.
  • Tarifaço: O governo de Donald Trump adicionou mais 40 pontos percentuais, elevando o imposto final para os atuais 74,9%

 

Entidades representativas, como a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), apontam que uma tributação de quase 75% praticamente inviabiliza as vendas diretas para o varejo americano pelo preço competitivo. Para contornar o prejuízo, estilistas e confecções nacionais têm buscado fortalecer sua presença física em eventos tradicionais — a exemplo da feira internacional Miami SwimShow — além de redirecionar fatias da produção para o mercado interno, Europa, Ásia e América Latina.

 

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