Programa de turismo inclusivo é destaque em Caraguatatuba

 

A cidade de Caraguatatuba vem se destacando no programa estadual Praia Acessível, que foi criado em 2010 pelo Governo de Estado de São Paulo.  Caraguatatuba foi uma das primeiras cidades do litoral paulista a aderir e a implantar o projeto em sua orla, na praia do centro.

 

O Praia Acessível acontece na Praia do Centro, bem ao lado da Praça da Cultura. Oferece gratuitamente banho de mar assistido com cadeiras anfíbias (que não afundam na água e andam na areia), caiaque e surfe adaptado. Funciona às quintas-feiras para adolescentes inscritos no projeto TEAtivo; às sextas-feiras, para grupos institucionais com agendamento prévio; e, aos sábados e domingos, aberto ao público.

 

O programa Praia Acessível desenvolvido em Caraguatatuba é considerado um projetos inclusivos mais importantes do estado de São Paulo. E, este ano, deverá ser incluído entre a 50 melhores ações inclusivas municipais e a seleção das 15 melhores práticas deste tipo no estado de São Paulo.

 

No dia 18, a cidade recebeu uma visita técnica da equipe de mestres e doutorandos da Universidade de São Paulo (USP), que junto das Secretarias de Turismo e Direitos da Pessoa com Deficiência do Governo do Estado de São Paulo, estão mapeando programas e projetos turísticos inclusivos e assim, em breve, reconhecer as iniciativas de maior relevância e destaque.

 

Entre as principais frentes estão um novo convênio com a Universidade de São Paulo (USP), um acordo de cooperação com a Abrasel SP e o lançamento da Cartilha Turismo Sem Barreiras. O conjunto de medidas reforça o compromisso do Estado com a construção de destinos mais justos, acessíveis e competitivos.

 

Sopia Vendrami e Eduardo Santana

 

Sofia Vendrami, mestranda em turismo da USP e Eduardo Santana, doutorando em turismo pela USP estiveram na cidade para conhecerem de perto como funciona o Praia Acessível. Os dois integram o convênio firmado entre a  SEDPcD, a SETUR e a USP, no desenvolvimento de estudos e pesquisas voltados à qualificação do turismo Acessível no estado de São Paulo.

 

“Estivemos em Caraguatatuba para vivenciar e entender como funciona na prática o Programa Praia Acessível e realizar um relatório sobre o projeto. Uma pessoa com deficiência deve ter acesso as atividades oferecidas pelo programa, além do banho de mar”, destacou Sofia Vendrami.

 

“Realizamos um levantamento amplo no estado de São Paulo, cerca de 300 iniciativas e no finado projeto 15 serão reconhecidas como iniciativas de destaque para que elas possam inspirar outros municípios a implementar essas ações. Eu, particularmente, gostei muito da equipe técnica, pela qualificação e sensibilidade na prestação do serviço”, destacou Eduardo Santana.

 

Para a secretária da Sepedi, Ivy Malerba, é gratificante ter o reconhecimento da USP e das secretarias de estado, envolvidas nesse mapeamento.

 

“Desde abril, estamos participando de reuniões on-line, enviamos toda documentação solicitada, à equipe deste projeto do governo de São Paulo e USP. O Programa Praia Acessível foi um dos primeiros projetos que a Sepedi começou a operacionalizar, desde o nascimento da secretaria em 2012. Como somos uma cidade litorânea foi idealizado para possibilitar acesso com segurança ao mar, lazer e recreação, cuidado e pertencimento à pessoas com deficiência e pessoas idosas que até então enfrentavam barreiras para usufruir do principal atrativo da cidade litorânea. Todas as ações da Sepedi têm o compromisso para a contínua construção de uma sociedade inclusiva. E receber esse reconhecimento de setores distintos do nosso estado é motivo de comemoração e alegria e a certeza de que estamos no caminho certo, pois o Programa se consolidou e já celebra mais de dez anos promovendo inclusão”, declarou Ivy Malerba.

 

Convênio com a USP

 

O governo estadual também busca fortalecer as políticas públicas que priorizem o turismo acessível. Firmado entre a SEDPcD, a SETUR e a USP, por meio da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), o convênio tem como foco o desenvolvimento de estudos e pesquisas voltados à qualificação do Turismo Acessível nos 645 municípios paulistas.

 

Com investimento conjunto de R$ 182 mil, a parceria prevê a criação do Índice de Competitividade Paulista do Turismo Acessível, o mapeamento de ao menos 50 ações municipais, a seleção das 15 melhores práticas do estado, além de oficinas de capacitação e relatórios estratégicos.

 

Segundo o secretário Marcos da Costa, a iniciativa é fundamental para transformar potencial em realidade. “Ao investir em pesquisa e mapeamento, estamos não apenas promovendo inclusão, mas elevando a qualidade e a competitividade do turismo paulista. O turismo acessível é um direito e também uma potência econômica para os municípios”, afirma.

 

Abrasel SP

 

O estado também firmou um acordo com a Abrasel SP, que mobiliza bares, restaurantes, cafés e estabelecimentos gastronômicos em favor de experiências mais acolhedoras para pessoas com deficiência.

 

A cooperação prevê a criação do selo “Hospitalidade Acessível”, produção de cartilhas, capacitação de equipes, alinhamento com os Polos de Empregabilidade Inclusiva (PEIs) e a realização de webinars, workshops e oficinas técnicas.

 

Segundo Marcos da Costa, a proposta vai além da adaptação física. “Promover acessibilidade é abrir portas e receber consumidores de forma amigável e atenciosa. É construir uma cultura de respeito no setor gastronômico”, destaca.

 

Cartilha Turismo Sem Barreiras

 

Outra boa iniciativa foi o lançamento pela SEDPcD em parceria com a SETUR, a Cartilha Turismo Sem Barreiras orienta gestores públicos e o trade turístico na adoção de práticas de acessibilidade em hotéis, restaurantes, parques, museus, teatros, bares e terminais de passageiros.

 

O material aborda diferentes tipos de deficiência e reforça que a inclusão depende tanto de infraestrutura adequada quanto de uma mudança de postura no atendimento. “O turismo é um direito de todos, e garantir esse acesso passa pela capacitação de profissionais e pela eliminação de estigmas”, completa o secretário.

 

As iniciativas do Governo de São Paulo também buscam ampliar o acesso à informação e padronizar boas práticas. Entre as orientações para turistas estão a verificação de rotas acessíveis em hotéis, a existência de quartos adaptados, banheiros com barras de apoio e áreas comuns acessíveis, além da capacitação das equipes.

 

Também é recomendado confirmar a acessibilidade de atrativos turísticos, a disponibilidade de transporte adaptado e a transparência das informações oferecidas pelos estabelecimentos, garantindo autonomia, segurança e uma experiência turística verdadeiramente inclusiva.

 

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