Vídeo: Instituto Argonauta auxilia baleia-jubarte emalhada em Ubatuba

Vista de drone da baleia-jubarte em Ubatuba Foto: Leandro coelho

 

A equipe de desenredamento de grandes cetáceos do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha foi acionada para atender uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) juvenil avistada emalhada nas proximidades da Ponta Grossa, em Ubatuba. O animal, conhecido como Lena, já havia sido registrado na região no ano passado e voltou a ser avistado neste ano durante sua passagem pelo litoral norte paulista.

 

Após a chegada ao local, a equipe constatou a presença de petrechos de pesca presos ao corpo da baleia. A situação exigiu avaliação cuidadosa e a aplicação de técnicas específicas de desenredamento, que auxiliaram na remoção da rede e dos cabos que restringiam os movimentos do animal.

 

Confira o vídeo divulgado pelo Argonauta:

 

Após a intervenção, Lena passou a se locomover com mais agilidade e afastou-se nadando rapidamente. A equipe acompanhou o animal por algum tempo e não observou novos sinais aparentes de emalhe, sendo possível verificar que a baleia havia conseguido se desvencilhar completamente da rede.

 

Segundo Danilo Camba, integrante da equipe de desenredamento de grandes cetáceos do Instituto Argonauta, a rápida comunicação da ocorrência foi essencial para o atendimento. “Felizmente conseguimos atuar a tempo e acompanhar uma resposta positiva da baleia após a liberação. Cada caso é diferente e exige muito cuidado durante toda a operação.”

 

A ação foi conduzida por equipe habilitada e autorizada para atividades de desenredamento de grandes cetáceos por meio da licença SISBIO nº 99585-1, emitida pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA/ICMBio), seguindo protocolos técnicos e de segurança específicos para esse tipo de ocorrência. O Instituto Argonauta é a única instituição autorizada para a realização desse tipo de atividade no litoral de São Paulo.

 

A ocorrência reforça a importância do acionamento rápido das equipes capacitadas e da colaboração de pescadores, navegadores, operadores de turismo e demais usuários do mar, que frequentemente são os primeiros a identificar situações que demandam atenção especializada.

 

O acompanhamento da ocorrência contou também com o apoio das imagens aéreas registradas por Leandro Coelho (@horizontesdemar), que contribuíram para a observação do comportamento do animal e para a documentação da ação realizada pela equipe. Os registros de baleias emalhadas têm se tornado cada vez mais frequentes ao longo da costa brasileira durante a temporada migratória. Essas ocorrências reforçam a importância do monitoramento, da comunicação rápida entre os usuários do mar e da adoção de boas práticas que favoreçam a convivência entre as atividades humanas e a presença desses animais.

 

Para Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta e diretor executivo do Aquário de Ubatuba, a ocorrência também reforça a importância da observação responsável. “As baleias utilizam nosso litoral durante sua migração e a presença desses animais tem se tornado cada vez mais comum. Por isso, é fundamental que a observação seja realizada de forma responsável, respeitando seu comportamento natural e permitindo que sigam sua rota sem interferências.”

 

O caso também serve como um importante lembrete sobre a observação responsável de cetáceos. A aproximação de embarcações deve sempre respeitar as normas vigentes e o comportamento natural dos animais, evitando perseguições, cercamentos ou qualquer ação que interfira em seu deslocamento.

 

Em áreas onde há atividade pesqueira, esse cuidado torna-se ainda mais importante. Permitir que a baleia mantenha sua rota natural reduz situações de estresse e minimiza o risco de interação com redes e outros petrechos presentes no ambiente marinho. Da mesma forma, embarcações de observação devem evitar posicionar-se de forma a direcionar ou restringir a movimentação dos animais.

 

Em casos de baleias emalhadas, a orientação é não tentar remover cabos, redes ou qualquer material preso ao animal. Além dos riscos envolvidos, intervenções inadequadas podem dificultar futuras ações de desenredamento. O recomendado é manter distância segura, registrar a localização e acionar equipes habilitadas para esse tipo de atendimento.

 

O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, instituição criada pela diretoria do Aquário de Ubatuba, atua há mais de 28 anos na pesquisa, conservação e educação ambiental voltadas aos ecossistemas costeiros e marinhos. Por meio de ações de monitoramento, resgate, reabilitação e proteção da fauna marinha, trabalha para promover a conservação da biodiversidade e a convivência harmoniosa entre as atividades humanas e o ambiente marinho.

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