Aos 94 anos, vivendo em Porto Alegre, ex-meio-campista é o mais velho brasileiro campeão do mundo vivo
Por Salim Burihan
O Mundo da Bola em sua quarta edição, destaca Dino Sani, campeão mundial em 1958 na Suécia, num time que tinha Pelé, Garrincha, Didi e Vavá. A trajetória no torneio incluiu os seguintes resultados: Quartas de final: Brasil 1 × 0 País de Gales; Semifinal: Brasil 5 × 2 França; na final: Brasil 5 × 2 Suécia. Em 1962, Dino jogava no Milan da Itália, clube onde havia conquistado os campeonatos italianos de 1961 e 1962 e a Taça Campeões Europeus (atual Liga do Campeões da UEFA) no ano de 1962( ele conquistaria depois a de 1963).
Em 1962, após a conquista do campeonato italiano e da Taça de Campeões Europeus, Dino sofreu uma lesão séria no joelho e orientado por médicos, resolveu curar a lesão nas areias monazíticas da praia da Mococa, em Caraguatatuba, no Litoral Norte Paulista. O jogador chegou à cidade, acompanhado de sua esposa dona Elza. Logo, Dino fez muitas amizades com os moradores, entre elas, o Durval Marques de Jesus, na época goleiro do XV de Novembro; o comerciante Jorge Burihan; Zé Pinto, zagueiro do XV; com o João Baiano, dono do bar mas famoso da cidade, na época; com o Iaiá, famoso pelos seus quitutes, entre eles, o frango a passarinho e o churrasquinho.

O jogador ia diariamente até a praia da Mococa para usar a areia medicinal para tratar seu joelho, que lhe impedia de retornar aos gramados e praticar um futebol de alto rendimento. Ele sentava praia e aplicava grossas camadas de areia sobre o joelho lesionado. Dino Sani foi muito paciente e dedicado. Passava horas e horas sentado na areia da praia, com aquela areia escura sobre o joelho lesionado.

O jogador passou um bom tempo em Caraguatatuba, período em que acabou recebendo recebeu várias homenagens por parte dos políticos locais, entre eles, os ex-prefeito Altamir Tibiriçá Pimenta e políticos como Matheus e Boneca e comerciantes, entre eles, Neno Fida, José de Almeida Barbosa e Durval Marques de Jesus. As homenagens aconteceram na sede do clube XV de Novembro e na antiga sede da Secretaria de Turismo( que no passado já foi Câmara Municipal e clube social). Dino e dona Elza (Foto) também foram recepcionados com jantares e almoços pela tradicionais famílias da cidade.
O tratamento alternativo deu certo. O jogador recuperou-se da lesão e retornou ao futebol italiano. Logo depois, deixou a Itália, retornou ao Brasil para defender o Corinthians. Nesta época, voltou algumas vezes para passear em Caraguatatuba. Vinha acompanhado de dona Elza e do seu filho Júnior. Dino se aposentou do futebol e hoje, aos 94 anos, vive em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Dino Sani

Dino nascido em 1932, que vive em Porto Alegre(RS), fez parte da primeira Seleção Brasileira que conquistou uma Copa do Mundo, em 1958, na Suécia. Lá, foi titular nas duas primeiras partidas da competição, contra Áustria e Inglaterra, mas lesionou-se e não voltou a jogar no Mundial. A situação, porém, não se sobrepõe à grande carreira que construiu pela Amarelinha, em que disputou 24 jogos com 16 vitórias, quatro empates, apenas quatro derrotas e quatro gols marcados.
Ele conquistou ainda a Taça Oswaldo Cruz (1958), a Taça Bernardo O’Higgins, (1959) e a Copa Rocca (1960). Era conhecido pela qualidade com a bola nos pés, precisão nas cobranças de falta e capacidade de marcação.
Por clubes, Dino Sani foi revelado em 1950 pelo Palmeiras, cujas raízes italianas são as mesmas do ex-meio-campista. Logo em seu primeiro ano, levantou a taça do Campeonato Paulista de 1950. Jogou, em seguida, pelos paulistas XV de Novembro(SP) e Comercial(SP) e foi contratado pelo São Paulo, em 1954. No Tricolor, ganhou o Paulista de 1957 e permaneceu até 1960, ano em que se transferiu para o argentino Boca Juniors.
Após a passagem pelo Boca Juniors, ele chegou em 1961 ao Milan, da Itália, onde fez história, sagrando-se campeão do Campeonato Italiano, na edição 1961/62, e da Taça dos Campeões Europeus, hoje conhecida como Champions League, na temporada 1962/63. Deixou o Milan em 1964, para se juntar ao Corinthians, pelo qual venceu o Torneio Rio-São Paulo de 1966 e se aposentou em 1968.
Além de jogador, Dino Sani também foi técnico
Embora tenha pendurado as chuteiras no Timão, não deixou o Parque São Jorge, pois assumiu o comando da equipe já em 1969, dando início a sua trajetória como técnico. Dino Sani treinou grandes e tradicionais clubes do Brasil, como Corinthians, Internacional, Goiás, Palmeiras, Flamengo, Fluminense, Ponte Preta, Coritiba e Grêmio. Liderou também Peñarol (URU), Boca Juniors (ARG) e a seleção do Catar.
Apesar da passagem por todas esses times, teve sucesso em especial no Peñarol, com o bicampeonato nacional em 1978 e 79, e no Internacional, com o tricampeonato gaúcho em 1971, 72 e 73.
Créditos: Gerência de Acervo e Memória da CBF
