Falta de saneamento e descarga inadequada de resíduos poluem o rio Itamambuca, atração turística em Ubatuba

 

SOS Rio Itamambuca: sociedade se reúne para despoluir o rio Itamambuca

 

Por Salim Burihan

 

A praia de Itamambuca, em Ubatuba, no Litoral Norte Paulista, classificada como Reserva Nacional de Surfe, está com as águas do Rio Itamambuca poluídas há 15 semanas consecutivas, nas 17 semanas de 2026. As águas da praia apresentaram boas condições de uso nas 17 semanas que foram avaliadas pela Cetesb (Companhia Ambiental Paulista).

 

As águas do rio, muito utilizadas para banho pelos visitantes, esteve em boas condições para uso apenas na semana do dia 18 de janeiro. Segundo a Cetesb, a poluição é causada pelo esgoto presente na água do rio.

 

No Relatório de Situação dos Recursos Hídricos do Litoral Norte de 2025, o rio Itamambuca que é apontado como um dos principais rios da região, segundo análises da Cetesb de 2024, na classificação anual de balneabilidade, recebeu classificação “Péssima”, o que significa que suas águas ficaram impróprias para banho em mais da metade das amostras coletadas ao longo daquele ano.

 

A praia que sedia neste fim de semana a etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe, reunindo surfistas nacionais e sul-americanos foi classificada em agosto de 2024, como Reserva Nacional de Surfe. Das cinco praias brasileiras que concorreram, apenas Itamambuca foi aprovada.

 

O Rio Itamambuca, responsável por uma parte do abastecimento público da cidade e fonte de atração turística, enfrenta a poluição há muitos anos devido a atividade turística sem planejamento, a falta de saneamento básico e a descarga inadequada de resíduos e, descarga inadequada de efluentes.

 

Congresso científico

 

 

A poluição das águas do rio Itamambuca foi tema inclusive de um congresso cientifico pela Unicamp m 2016. Um estudo realizado por Isabela Teixeira Barbosa(engenheira) e Elaine Cristina Catapani Poletti- “Rio Itamambuca, Ubatuba-SP: um estudo do cenário de impacto ambiental e da dispersão de efluentes via modelagem matemática e computacional”, apresentando em um congresso de iniciação científica da Unicamp, em Campinas, já apontava a crítica situação do rio Itamambuca.

 

De acordo com o estudo, a habitação sem planejamento do entorno e a falta de investimento em saneamento da cidade ameaçam a qualidade das águas do manancial, que já apresentava poluição.

 

O estudo destacava que a bacia do rio Itamambuca possuía, na época, apenas 0,31% de sua área ocupada, por moradias e comércios. Existia a formação de seis bairros: Casanga, com  população de baixa renda; Morro do Tiagão, de população caiçara; Asa Branca, região comercial; Condomínio Itamambuca, com casas de veraneio de médio e alto padrão; Recanto Itamambuca, local com estabelecimentos de hospedagem, além de moradias em situação de irregularidade fundiária; e Renário, área com muitas residências próximas a cursos d’água.

 

Nenhum destes bairros recebia coleta e tratamento de esgoto. A maioria das casas e comércios  mantinha sistemas individuais de fossas, o que não garantia a qualidade dos cursos d’água ao redor e colocava a própria população em risco, visto que a maioria das residências dispõem somente de fossa negra, uma minoria contava com fossas sépticas e há, ainda, lançamento de efluente diretamente na água. Amostras da água do rio Itamambuca já apresentavam a presença de Enterococos e Coliformes Termotolerantes.

 

Associação aciona a Sabesp 

 

 

Em 2020, a associação de amigos e moradores de Itamambuca acionaram a Sabesp na justiça, cobrando a implantação dos serviços de água encanada e coleta e tratamento de esgoto no bairro. Em 2025, segundo declarações da advogada Jacqueline Tupinambá, nenhum bairro da bacia hidrográfica do Rio Itamambuca contava com saneamento básico.

 

Ainda em junho do ano passado, a prefeitura anunciou um pacote de obras de saneamento básico, pela Sabesp com investimento total de quase R$ 600 milhões até 2029. Os investimentos devem beneficiar mais de 300 mil pessoas, entre moradores e turistas, em mais de 20 bairros. Na ocasião, também, foi anunciada a construção da Estação de Tratamento de Esgoto da Itamambuca, que quando concluída irá tratar 15 litros de esgoto por segundo.

 

Sociedade se une para salvar o rio

 

Sociedade cria projeto para salvar o rio. Foto: CBH-LN

 

Em março deste ano, a Associação Amigos de Itamambuca (SAI) em parceria com o Instituto de Cultura Oceânica (ICOA) deram início ao processo formativo de educomunicação e monitoramento hídrico da bacia do Rio Itamambuca para agentes comunitários, em Ubatuba (SP). O projeto, intitulado “Vozes do Rio Itamambuca”, foi selecionado no pleito de 2024 do edital do Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) e teve financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO).

 

A oceanógrafa e coordenadora do projeto, Laura Piatto (idealizadora do ICOA), a qualidade da água do rio está diretamente relacionada às condições de saneamento básico, ao uso e ocupação do solo e à forma como o território é gerido. Problemas como lançamento de esgoto, drenagem inadequada e ocupação desordenada impactam não apenas o rio, mas também a saúde pública, os ecossistemas e a balneabilidade da praia

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