Duas cabras foram encontradas decapitadas. Vereador quer que polícia investigue se crueldade trata-se de suposto caso de “zoossadismo”, automutilação e morte de animais, com divulgação ao vivo pela internet.
Por Salim Burihan
No último sábado, dia 25, a Guarda Civil Municipal (GCM) de Caraguatatuba foi acionada, por volta das 8h45, por um munícipe, que denunciou o descarte de animais mortos e decapitados no bairro Cantagalo. A equipe da GCM lavrou boletim de ocorrência e encaminhou à Delegacia de Polícia Civil que deverá investigar os dois casos. Foram encontradas duas cabras, decapitadas.
A prefeitura afirmou que a administração municipal não recebeu denúncia sobre o autor ou autores do descarte irregular. Porém, tomou providências imediatas de recolher os animais mortos por meio da equipe da Secretaria de Serviços Públicos, que deu o devido destino às duas cabras decapitadas. A prefeitura aguarda a investigação policial.
O vereador Danster Fernandes, que esteve num dos locais onde um dos animais foi encontrado decapitado, lamentou o que viu em suas redes sociais. “Dois animais encontrados mortos com extrema crueldade em nossa cidade. Em dois pontos diferentes, mas próximos. A pergunta é onde vamos chegar? Eu estive nos locais e sinceramente, não consigo compreender o que foi. Foi ritual, foi desafio na internet, foi alguém superando os limites, achando que isso não vai dar em nada? Isso não pode ser comum gente. A crueldade contra animais vem ficando cada mais banalizada”, postou Danster.

Gigliard Ferreira, o conhecido “guardião das costeiras”, disse que tem encontrado animais sacrificados como cabra, bode e até cachorros nas trilhas que percorre na cidade. Segundo ele, um dos locais mais comuns tem sido o acesso ao Morro de Santo Antônio. “Nas proximidades do estacionamento no pé do morro, já vi muita cabras e bodes sem cabeça. Prá mim, são rituais”, comentou. Ele não acredita que trata-se de casos de “zoossadismo” por alegar que não viu exploração das mortes nas redes sociais. Nas outras trilhas que ele percorre pela cidade, Gigliard disse que é bastante comum encontrar a tradicional “macumba”, realizada com galinhas mortas.
Internet
O vereador Danster disse que está coletando mais informações sobre outras supostas crueldades praticadas contra animal na cidade para levar os casos ao conhecimento da polícia. Segundo ele, será feita uma representação no DEPA( Delegacia Eletrônica de Proteção Animal). O vereador pretende inclusive acionar a Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil Paulista), por suspeitar que os casos possam estar relacionados à prática do “zoossadismo”, desafio de crueldade animal exposta em redes social.
Nos dois casos ocorridos e registrados na cidade, não teria havido divulgação nas redes sociais. Tradicionalmente, quando ocorre este tipo de crueldade, com objetivo de exposição nas redes sociais, as imagens são divulgadas amplamente. Isso não tria ocorrido. Danster rebateu, afirmando que um dos animais foi sacrificado e morto em plena praça pública e que pode ter havido a divulgação da crueldade ao vivo e nas redes sociais, entre os membros do grupo, mas que será a polícia civil quem deverá esclarecer isso.
As sessões de automutilação e principalmente de tortura e assassinato de animais acontecem com transmissão ao vivo na internet, segundo o Núcleo de Observação e Análise Digital(Noad), da Polícia Civil de São Paulo. Os policiais do Noad estão se infiltrando nas comunidades e para assistem aos crimes e poderem identificar e prender os responsáveis.
O mês de abril é dedicado ao “Abril laranja” , uma campanha que tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da proteção dos animais e combater os maus-tratos. O Brasil registra, em média, 13 casos por dia de maus tratos contra animais.
Legislação
A prefeitura de Caraguatatuba destaca que o descarte de animais mortos em locais públicos é crime pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). O artigo 54 classifica como crime causar poluição de qualquer natureza que possa resultar em danos à saúde humana ou mortandade de animais.
A pena pode incluir reclusão de um a quatro anos e multa. Além da esfera federal, legislações municipais e estaduais frequentemente preveem multas administrativas pesadas para quem descarta resíduos inadequadamente em vias públicas. Cadáveres podem atrair vetores de doenças, como ratos e moscas, além de transmitir patógenos (ex: parvovirose ou cinomose) que podem contaminar o solo e outros animais por meses. A decomposição a céu aberto ou o enterro inadequado pode contaminar o solo e lençóis freáticos.
