Cetesb faz vistoria técnica em áreas em recuperação na costa sul de São Sebastião

 

 

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) realiza nesta quinta-feira, dia 26,  uma vistoria técnica nas áreas em recuperação pelo Projeto Restaura Litoral Norte, iniciativa voltada à restauração de encostas afetadas pelos deslizamentos provocados pelas chuvas extremas de 2023 em São Sebastião, no litoral norte paulista.

 

A vistoria integra o monitoramento das ações de recuperação ambiental conduzidas pelo Instituto Conservação Costeira (ICC), responsável pela execução do projeto. Ao todo, a iniciativa atua na recuperação de 853 cicatrizes de deslizamentos formadas após o desastre climático que atingiu o município em 2023.

 

Para restaurar áreas de difícil acesso nas encostas da Serra do Mar, o projeto adotou a semeadura aérea com drones. Os equipamentos lançam sementes nativas da Mata Atlântica encapsuladas em biocápsulas sustentáveis, tecnologia desenvolvida pela Ambipar para favorecer a germinação e acelerar o processo de regeneração natural da vegetação.

 

Veja como estava a área antes da recuperação
A mesma área, hoje, ainda em processo de recuperação

O desenvolvimento técnico da iniciativa conta com o apoio da Atlântica Consultoria Ambiental e integra um Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRA) vinculado às obras do Contorno Rodoviário da Tamoios. O instrumento estabelece medidas de compensação ambiental aprovadas e acompanhadas pela CETESB.

 

O projeto também conta com apoio institucional do Ministério Público Federal, da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL) e da Prefeitura de São Sebastião.

 

Comunidade

 

Além da restauração ecológica, a iniciativa inclui ações voltadas às comunidades locais. Por meio do projeto Escolas Seguras, estudantes e moradores participam de oficinas e atividades educativas relacionadas à redução de riscos e desastres.

 

As atividades são realizadas em parceria com o CEMADEN Educação e com a Secretaria Municipal de Educação de São Sebastião, promovendo o diálogo com escolas e comunidades sobre prevenção de desastres, monitoramento ambiental e adaptação às mudanças climáticas.

 

Segundo a diretora executiva do Instituto Conservação Costeira, Fernanda Carbonelli, a recuperação do território após o desastre exigiu uma abordagem que combinasse restauração ambiental e fortalecimento das comunidades locais.

 

“Desde o início, entendemos que restaurar a floresta era essencial, mas não suficiente. Depois de um evento tão extremo, também era necessário investir em educação climática, informação e mobilização social para fortalecer a segurança da população. A restauração ambiental precisa caminhar junto com a construção de comunidades mais preparadas e resilientes diante das mudanças climáticas”, afirma.

 

O monitoramento mais recente das áreas restauradas, realizado em dezembro, apontou taxa superior a 70% de recuperação da vegetação nativa, indicando avanço no processo de regeneração das encostas e na recomposição da biodiversidade da Mata Atlântica.

 

Entre as espécies que vêm apresentando destaque nesse processo estão o guapuruvu, a crindiúva e as embaúbas, espécies pioneiras da floresta que desempenham papel importante na recuperação de áreas degradadas e na formação inicial da cobertura vegetal.

 

Segundo André Motta, coordenador do projeto, os resultados das espécies utilizadas na semeadura vêm sendo confirmados pelo monitoramento de campo realizado nos últimos anos. “Três anos após as semeaduras realizadas, verificamos que três espécies apresentaram os melhores resultados: crindiuva (Trema micrantha), embaúba (Cecropia pachystachya) e guapuruvu (Schizolobium parahyba), justamente as três espécies mais utilizadas no projeto.”

 

Os resultados serão apresentados à equipe técnica da CETESB durante a vistoria, como parte do acompanhamento das ações de recuperação ambiental no território.

 

O Projeto Restaura Litoral Norte já recebeu reconhecimentos nacionais e internacionais por sua abordagem tecnológica e impacto socioambiental. Entre as premiações obtidas em parceria com a Ambipar estão o Green World Awards – Champion of Champions (EUA, 2023) e o Global Good Awards, na categoria Recovery & Regeneration (Reino Unido, 2024).

 

No Brasil, a iniciativa também conquistou o Prêmio SP Carbono Zero, do Governo do Estado de São Paulo, e foi duas vezes finalista do Troféu Seriema.

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