Câmara autorizou até R$ 110 milhões em operações de crédito; pacote prevê novas unidades em Maresias, Camburi e Boiçucanga, onde a demanda já supera a estrutura
Por por: Humberto Tobé/ Fátima Christine/Ministério da Saúde
Em São Sebastião, distância é um dado de saúde. O município do Litoral Norte, com cerca de 82 mil habitantes, se estende por dezenas de quilômetros de costa, espremido entre o mar e a Serra do Mar, com bairros espalhados ao longo da rodovia. Para quem mora na Costa Sul, em praias como Maresias, Camburi e Boiçucanga, o centro da cidade fica longe, e cada deslocamento em busca de atendimento pesa no tempo e no bolso.
É nesse território que a prefeitura quer concentrar parte de um novo ciclo de investimentos. Em fevereiro de 2026, a Câmara Municipal aprovou por unanimidade dois projetos que autorizam o município a contratar até R$ 110 milhões em operações de crédito. Até R$ 100 milhões virão da Desenvolve SP, agência de fomento do Estado, e R$ 10 milhões da Caixa Econômica Federal, em linha vinculada ao Novo PAC Saúde, programa do Governo Federal.
Na saúde, o pacote prevê cinco obras. A maior é a nova Unidade de Saúde da Família de Maresias, estimada em R$ 7 milhões. Hoje, três equipes atendem ali mais de 8 mil usuários num imóvel projetado para duas. Também estão previstas a UBS de Camburi (R$ 6 milhões), uma nova UBS em Boiçucanga (R$ 3 milhões), a sede própria da USF do Varadouro (R$ 3 milhões) e a UBS do Canto do Mar (R$ 2 milhões).
A escolha pelo crédito diz muito sobre finanças públicas. Uma operação de crédito permite antecipar investimentos que o orçamento anual, sozinho, levaria anos para bancar. Mas não é dinheiro livre: precisa de autorização legislativa, respeita limites de endividamento definidos em lei e será paga ao longo de anos, com juros. Por isso, o destino do recurso importa tanto quanto o valor. A linha do Novo PAC Saúde operada pela Caixa tem prazo de 96 meses e dois anos de carência, o que dá ao município fôlego para executar as obras antes de começar a amortizar a dívida.
Ao abrir uma linha de financiamento voltada à saúde dentro do Novo PAC, o Governo Federal amplia as ferramentas à disposição dos municípios. Além das transferências diretas, que bancam UBS, policlínicas e maternidades em todo o país, cidades com capacidade de endividamento passam a contar com crédito de destino definido: fortalecer a rede do SUS.
Para os moradores da Costa Sul, o efeito é concreto. Uma unidade maior em Maresias significa consultório para cada equipe, menos espera e mais espaço para vacinação, curativos e grupos de acompanhamento. Unidades novas em Camburi e Boiçucanga significam não precisar atravessar o município para uma consulta de rotina. A região conhece bem o custo do isolamento: as chuvas extremas de fevereiro de 2023 mostraram como bairros distantes do centro dependem de estruturas próprias quando as estradas se fecham.
Sem esse investimento, o cenário seria o de sempre: equipes apertadas em imóveis improvisados, filas maiores na alta temporada, quando a população do litoral cresce, e moradores que adiam o cuidado porque o serviço fica longe demais. A conta desse adiamento chega depois, em forma de emergência, internação e transferência para hospitais de referência.
São Sebastião mostra que planejar o orçamento é também desenhar o mapa da cidade. Ao direcionar crédito para a atenção básica nos bairros mais distantes, o município aproxima o SUS de quem mais precisa dele. E, com o Novo PAC Saúde, o Governo Federal deixa claro que levar a saúde para perto de casa é prioridade nacional.
