No Litoral Norte Paulista, segundo o Instituto Argonauta, desde o início de 2026, foram registradas 24 ocorrências envolvendo baleias, sendo dois encalhes de baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae), ambas encontradas mortas.
Até outubro de 2026, foram registrados 59 encalhes de baleias-jubartes no Brasil. Segundo o Projeto Baleia Jubarte, mais de 90% dos casos correspondem a animais já sem vida que são levados pelas correntes até a praia. A informação é da CNN Brasil.
Segundo informações do Projeto Baleia Jubarte, foram registrados três encalhes em janeiro, um em fevereiro, dois em março, um em abril, sete em maio, 14 em junho, dez em julho, 16 em agosto, três em setembro e dois em outubro.
Santa Catarina registrou o maior número de encalhes, com 13 ocorrências, seguida pelo estado de São Paulo, com 12, e Espírito Santo, com 11. O Rio de Janeiro e a Bahia tiveram nove registros cada. Também foram contabilizados dois encalhes no Rio Grande do Sul e um no Paraná, em Pernambuco e no Ceará.
Litoral Norte Paulista

Desde o início de 2026, o Instituto Argonauta registrou 24 ocorrências envolvendo baleias no Litoral Norte de São Paulo, sendo dois encalhes de baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae), ambas encontradas mortas. Os outros 22 registros correspondem a avistagens e ocorrências envolvendo baleias enredadas em petrechos de pesca, incluindo ações de desenredamento.
O Argonauta esclarece que nem toda ocorrência envolvendo baleias representa um encalhe. Durante a temporada de migração, é esperado um aumento no número de avistagens de baleias-jubarte no litoral paulista, já que esses animais percorrem a costa brasileira em direção às áreas de reprodução e, posteriormente, retornam às áreas de alimentação.
Sobre as causas dos encalhes e das mortes

Segundo o Argonauta, os encalhes de grandes cetáceos podem estar associados a diferentes fatores, incluindo doenças, alterações nas condições de saúde, interações com atividades humanas, como colisões com embarcações e enredamento em petrechos de pesca, além de fatores ambientais e naturais. O instituto explica que é importante diferenciar o encalhe da causa da morte.
Em muitos casos, o animal já está morto quando chega à praia, transportado pelas correntes marítimas e pela ação dos ventos. Portanto, encontrar uma baleia encalhada não significa necessariamente que ela tenha morrido naquele local. A identificação da causa da morte depende da avaliação das condições da carcaça, do histórico da ocorrência e, sempre que possível, da realização de exames necroscópicos e análises complementares. Em alguns casos, especialmente quando a carcaça apresenta decomposição avançada, não é possível determinar a causa da morte com segurança.
Como são realizados os atendimentos às baleias?
O Instituto Argonauta atua no atendimento e na investigação de encalhes de cetáceos por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), desenvolvido como condicionante do licenciamento ambiental federal conduzido pelo IBAMA. Quando uma baleia é encontrada morta, a equipe realiza a avaliação da ocorrência, registrando informações sobre o animal, sua localização, características biológicas e condições da carcaça. Sempre que as condições permitem, são realizados exames necroscópicos e coleta de amostras biológicas para análises laboratoriais e pesquisas científicas.
Esses procedimentos contribuem para investigar possíveis causas de morte, identificar ameaças às espécies e ampliar o conhecimento sobre os cetáceos que ocorrem na região. A destinação das carcaças também exige cuidados específicos, considerando que a permanência de uma baleia em decomposição na praia pode representar riscos sanitários, incluindo a possível disseminação de agentes patogênicos, além de comprometer o uso recreativo e as condições ambientais do local.
O Instituto Argonauta desenvolveu uma metodologia para a destinação de carcaças de grandes cetáceos, antes que elas cheguem na praia, sendo pioneiro em sua implantação no Brasil. O procedimento consiste, sempre que as condições técnicas e ambientais permitem, na remoção da carcaça para uma área afastada da costa e de locais habitados, onde é mantida por meio de um sistema de fundeio, com cabos e estruturas de ancoragem. Dessa forma, o processo natural de decomposição ocorre no próprio ambiente marinho. Quando essa alternativa não é viável, pode ser realizado o enterramento da carcaça na própria praia, desde que existam condições ambientais, sanitárias e operacionais adequadas. A definição do procedimento considera o tamanho do animal, seu estado de decomposição, as características da praia, a utilização do local pela população e os possíveis impactos ambientais e sanitários, em articulação com os órgãos públicos responsáveis.
Atendimento às baleias enredadas em petrechos de pesca
As ações de atendimento a baleias vivas enredadas em redes, cabos e outros petrechos de pesca, incluindo as operações de desenredamento, são realizadas no âmbito do Projeto AMMA, desenvolvido pelo Instituto Argonauta com apoio do Aquário de Ubatuba e autorização do CMA/ICMBio.
O Instituto Argonauta conta com a única equipe especializada em operações de desenredamento de grandes cetáceos no litoral do estado de São Paulo, formada por profissionais treinados, capacitados e devidamente autorizados para realizar esse tipo de intervenção.
A equipe utiliza técnicas e equipamentos específicos, seguindo protocolos que priorizam a segurança dos animais e dos profissionais envolvidos. As operações de desenredamento exigem avaliação cuidadosa das condições do animal, do tipo de petrecho envolvido e dos riscos associados à intervenção.
O objetivo é retirar os materiais que comprometem a movimentação e a sobrevivência da baleia, minimizando os riscos tanto para o animal quanto para os profissionais envolvidos. É fundamental destacar que essas operações não devem ser realizadas por pessoas sem treinamento e autorização específicos.
Tentativas de intervenção por navegantes ou pela população podem provocar acidentes graves, agravar a situação do animal e comprometer sua sobrevivência. Ao identificar uma baleia enredada, a orientação é manter distância e comunicar imediatamente as equipes responsáveis.
O monitoramento dos encalhes, as investigações científicas e as operações de desenredamento contribuem para identificar as ameaças enfrentadas pelas baleias, ampliar o conhecimento sobre essas espécies e subsidiar medidas de conservação no litoral brasileiro.
Temporada 2026

Na temporada de avistamento de baleias-jubarte deste ano, que se estende de junho a novembro, com o período de maior intensidade entre julho e outubro, teria ocorrido uma redução no número de animais avistados e, principalmente, na quantidade de filhotes, segundo o Projeto Baleia Jubarte, que monitora a espécie.
Segundo dados do Projeto Baleia Jubarte, até setembro de 2026, a taxa bruta de natalidade das baleias-jubarte no Brasil era de 3,35%, considerando a proporção de filhotes em relação ao total de baleias avistadas. A média histórica para o mesmo período é de 9,89%. Em algumas temporadas anteriores, a taxa chegou a 15% e 16%, enquanto, neste ano, o índice está próximo de 3%.

A diminuição no número de filhotes não é observada apenas no Brasil. De acordo com o monitoramento realizado pelo Projeto Baleia Jubarte, em parceria com pesquisadores da Austrália, do Equador e de outros países, outras populações de baleias-jubarte do Hemisfério Sul também apresentaram redução nos nascimentos nesta temporada.
Segundo os pesquisadores, ainda não há uma explicação definitiva para o fenômeno. Eles apontam três hipóteses: alterações na disponibilidade de alimento, o derretimento do gelo e o aumento das temperaturas associado ao El Niño.
Avistamentos diminuem
Segundo o monitoramento de avistamentos da espécie, em 2026, a taxa foi de 4,199 baleias por hora, contra 6,8207 no mesmo período do ano anterior, uma redução de aproximadamente 38%.
A comparação considera a quantidade de baleias avistadas por hora de observação, indicador que permite avaliar a presença dos animais independentemente do tempo dedicado ao monitoramento.
O levantamento é realizado a partir de uma embarcação que percorre o litoral entre Belmonte, na Bahia, e o Espírito Santo, acompanhando a região do Banco dos Abrolhos. O monitoramento continuará até o final de novembro, quando finaliza o período das jubartes no país.
Além desse trabalho, foi realizado um sobrevoo entre o Rio Grande do Norte e o litoral de São Paulo para estimar o tamanho da população de baleias-jubarte.
O último levantamento desse tipo havia sido feito em 2022, quando a população brasileira foi estimada em aproximadamente 34.500 animais. No sobrevoo deste ano, os pesquisadores observaram menos baleias e filhotes, mas o cálculo populacional ainda está em andamento.
