Premiado em SP, documentário de Ilhabela vai ao Festival do Rio, um dos mais importantes eventos cinematográficos do país

 

Depois de ter sua estreia mundial no festival Labrff Orlando (EUA) e de levar o principal prêmio na Mostra Ecofalante de Cinema, o maior festival de temas socioambientais da América Latina, em São Paulo, o documentário “Mounir” faz sua estreia no Rio de Janeiro, como parte da programação da 28ª edição do Festival do Rio. 

 

Primeiro longa-metragem da documentarista e roteirista Juliana Borges, paulista radicada em Ilhabela, o filme integra a mostra não-competitiva “Itinerários Únicos” da Première Brasil, maior e mais importante vitrine do cinema nacional e uma das principais atrações do Festival do Rio.

A 28a edição do Festival acontece de 1º a 11 de outubro espalhado por toda a cidade do Rio de Janeiro. Escolhidos entre um total de quase 1.500 longas e curtas-metragens inscritos, os 104 filmes selecionados compõem um amplo panorama da produção audiovisual brasileira, reunindo diferentes narrativas, linguagens, gêneros e modos de produção, refletindo a vitalidade e a diversidade criativa do cinema realizado no país.

 

“Mounir” é um documentário singular que acompanha a trajetória impressionante de um refugiado entre 2014 e 2024, atravessando três continentes – América, África e Europa. A diretora e o protagonista se conheceram em 2014, quando ele a convidou a fazer um filme sobre a história dele. A cineasta aceitou o desafio e passou a filmar diferentes acontecimentos emblemáticos da vida de Mounir, como o nascimento do seu primeiro filho e a viagem de retorno ao continente africano para reencontrar sua família depois de mais de 15 anos distante. A obra vai além de uma simples narrativa sobre a vida de um personagem; é uma exploração do vínculo entre o protagonista e a diretora. Essa conexão torna-se o fio condutor do filme, revelando como a relação entre eles se transforma ao longo do tempo. 


O protagonista, hoje com 41 anos, é uma pessoa anônima, mas não é um homem comum. Vaidoso, poliglota e um exímio contador de histórias, ele nunca aceitou o curso natural que o destino reserva a uma pessoa como ele – preta, pobre, nascida na periferia da República Centro Africana. Foi esta certeza de que ele poderia ser ator de seu próprio destino que cativou Juliana. “Mounir usou todas as ferramentas de que dispunha para forjar, de forma totalmente criativa e improvável, novas possibilidades para sua vida. Eu sempre me impressiono com sua capacidade de se reinventar”, afirma a diretora Juliana Borges. 

 

O protagonista

Aos 12 anos, Mounir foi escravizado no Sudão; aos 14 vivia com grupos rebeldes nos Camarões; com 16 anos, decidido a se tornar “alguém na vida”, ele cruzou o Atlântico no porão de um navio, numa longa e arriscada travessia que custou a vida de um amigo. Como um zelig, viveu errante pelo mundo experimentando diferentes possibilidades para a sua vida, até se estabelecer no Brasil, se estabilizar financeiramente, formar uma família e se naturalizar brasileiro. Hoje, ele vive entre a Europa e a África comercializando diamantes, ouro e criptomoedas, sempre impecavelmente vestido com ternos, sapatos e cintos de grife.  

 

A narrativa embaralha as fronteiras entre realidade e ficção: quanto mais nos envolvemos na trama de Mounir, mais dúvidas temos sobre quem de fato ele é. No filme, a diretora explora essas contradições, tornando-as parte da linguagem. O documentário destaca-se ao oferecer uma perspectiva que convida o público a enxergar Mounir além dos rótulos de “refugiado” e “imigrante”, humanizando um indivíduo que, muitas vezes, é reduzido a uma estatística ou uma narrativa simplificada. 

 

Produção e equipe

Produzido pela Ver Pra Crer Produções, produtora com sede em Ilhabela, SP, com co-produção das produtoras paulistanas Loma Filmes e Pink Flamingo Filmes, o documentário foi 100% rodado de forma independente e contou com recursos estaduais do Proac Editais para a fase de edição e finalização. Ao longo dos anos, o projeto passou por diferentes laboratórios e mercados, como o DocSP, o Miradas Doc (Espanha), Docs MX e Ventana Sur (Argentina). 

 

Apesar de não ser ambientado em Ilhabela, algumas cenas do documentário foram rodadas no município, no Centro Cultural Baía dos Vermelhos, e no píer da Ponta Azeda. A produção também contou com a participação de outros profissionais da região, além de Juliana: Pedro Gorski na produção executiva, Ricardo Imakawa com um dos profissionais de som direto e Norma Nascimento nas mídias sociais. 

 

Equipe de filmagem no Instituto Baía dos Vermelhos, em Ilhabela (2022)

 

A diretora Juliana Borges tem mais de 15 anos de experiência como documentarista. Entre os projetos dirigidos estão a série “Libertários” (13 episódios de 26’ sobre os legados da população negra do Brasil,  TV Cultura, 2022) e o documentário “O Último Baile” (2023), sobre a Congada de Ilhabela, produzido para a Unesco. Como roteirista, Juliana atuou em projetos como os longas documentais “Ouvidor”, (estreia Mostra Internacional de SP 2023 e exibido em mais de 20 festivais); Ocupa SP (estreia na Mostra de SP 2024), “Odilon, Réu de Si Mesmo (HBO, 2021). Também foi uma das roteiristas de “The Beat Diáspora”, série sobre músicas periféricas globais produzida pelo Youtube Originals, com mais de 10 milhões de visualizações; e roteirista e criadora da série “Ciência, Substantivo Feminino”, sobre cientistas brasileiras, para o Canal GNT. Mounir é seu primeiro longa-metragem como diretora. De origem caiçara, Juliana também é uma das fundadoras do Citronela Doc – Festival de Documentários de Ilhabela, que em 2026 realizou sua 6a edição, e da Escola de Cinema CItronela. 

 

SERVIÇO

Mounir (documentário, 80 minutos, 2026)

Instagram: https://www.instagram.com/mounir_filme/ 

 

Sessões no Festival do Rio

  • 5/10/26, às 21h15, no Estação Claro Rio 5 (R. Voluntários da Pátria, 35, Botafogo) – sessão de gala com apresentação da equipe e personagens do filme;
  • 7/10/26, às 16h, no Cinesystem Belas Artes Botafogo 2 (Praia de Botafogo, 316)

 

Sinopse

Para Mounir, contar histórias é uma estratégia de sobrevivência. Carismático e enigmático, o imigrante centro-africano convence uma jovem cineasta brasileira a documentar a sua vida. Ao longo de dez anos e três continentes, sua narrativa embaralha as fronteiras entre realidade e ficção. Quanto mais nos envolvemos na trama de Mounir, mais dúvidas temos sobre quem de fato ele é.

 

Ficha técnica 

Direção: Juliana Borges

Produção: Mounir Ismael, Carolina Kotscho, Clara Ramos, Fernando Nogueira, Giovana Amano, Heloisa Jinzenji, Juliana Borges, Pedro Gorski e Renata Martins

Produção executiva: Clara Ramos, Fernando Nogueira, Heloisa Jinzenji

Roteiro: Juliana Borges e Oswaldo Santana

Direção de fotografia: Renato Stockler

Edição: Oswaldo Santana, AMC

Direção de Arte: Ricardo H. Fernandes

Trilha Sonora Original: Pedro Santiago e C-AFROBRASIL

 

Prêmios 

Mostra Ecofalante de Cinema 2026: Prêmio do júri de melhor longa-metragem

 

Festivais

 – Labrff 2026 (Orlando, EUA), Mostra Ecofalante de Cinema 2026 (São Paulo/SP)

– DH Fest (São Paulo/SP)

– Mostra da Diversidade Mulheres no Cinema (São Paulo/SP) 

– Citronela Doc – filme de encerramento (Ilhabela/SP)

 

Link para cartaz, frames do filme e outros materiais de divulgação

https://drive.google.com/drive/folders/1FP0hPgCLYihSJ0_qNHAtyoMtkkcUxf8E?usp=drive_link 

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