Lobo-marinho avistado na Prainha, em Caraguatatuba, retorna ao mar após a subida da maré.

 

A Prainha, uma das praias mais frequentadas e conhecidas de Caraguatatuba, recebeu uma visita muito especial nesta quarta(12), um lobo-marinho. Instituto Argonauta foi acionado e atendeu o lobo-marinho (Arctocephalus tropicalis). O animal foi avaliado pela equipe veterinária e retornou naturalmente ao mar após a subida da maré, sem necessidade de intervenção.

 

O atendimento foi realizado no âmbito do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). A equipe da estabilização do Instituto Argonauta se deslocou até o local para avaliar as condições do animal. Durante o atendimento, foi constatado que se tratava de um macho jovem, com baixo peso e sinais de cansaço. Apesar disso, o lobo-marinho estava alerta e não apresentava lesões externas ou secreções aparentes.

Lobo-marinho (Arctocephalus tropicalis) na Prainha. (Crédito/ imagens: Instituto Argonauta)

 

Segundo Mariana Zillio, médica-veterinária do Instituto Argonauta, as condições observadas permitiram que a equipe mantivesse o animal sob acompanhamento no próprio local. “Apesar do baixo peso e dos sinais de cansaço, ele estava alerta e não apresentava alterações que indicassem a necessidade de uma intervenção imediata.

 

Nesses casos, a avaliação clínica e a observação do comportamento são fundamentais para definir a conduta mais adequada.” Com a subida da maré, o lobo-marinho deixou a costeira e retornou naturalmente ao mar, sem necessidade de manejo ou intervenção veterinária.

 

A ocorrência reforça que a presença de lobos-marinhos em praias e costões nem sempre significa que os animais estejam encalhados ou precisem ser retirados do local. Durante seus deslocamentos, eles podem utilizar áreas costeiras para descanso antes de retornar ao mar. Animal se deslocando em direção ao mar.

 

Para Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta e diretor do Aquário de Ubatuba, respeitar o comportamento natural do animal também faz parte do trabalho de conservação. “A intervenção nem sempre é a melhor conduta. O acompanhamento realizado por uma equipe especializada permite avaliar quando o animal realmente precisa de atendimento e quando é possível respeitar seu tempo e seu comportamento natural. Neste caso, ele permaneceu no local e, com a subida da maré, seguiu seu caminho naturalmente.”

 

A orientação é para que, ao encontrar um animal marinho na praia ou em áreas costeiras, a população mantenha distância e não tente tocar, alimentar, molhar ou conduzi-lo de volta ao mar. A aproximação pode causar estresse, interferir em seu comportamento e também representar risco para as pessoas, por se tratar de um animal silvestre.

 

O atendimento integra as ações do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado pelo Instituto Argonauta no trecho entre São Sebastião e Ubatuba. O monitoramento permite registrar e acompanhar ocorrências de animais marinhos vivos ou mortos, além de realizar atendimento especializado quando necessário e produzir informações importantes para a conservação da fauna marinha.

 

O Instituto Argonauta mantém uma parceria desde 1998 com o Aquário de Ubatuba, unindo esforços em pesquisa, conservação, atendimento à fauna e sensibilização da sociedade para a proteção dos ambientes costeiros e marinhos.

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