Nesta quinta, dia 9 de julho se comemora os 94 anos da Revolução Constitucionalista de 1932. Em São Paulo foram realizadas as tradicionais cerimônias cívicas em homenagem aos combatentes. A solenidade foi realizada no Obelisco do Parque Ibirapuera, na zona sul da capital.
A programação contou com o hasteamento do Pavilhão Nacional pela Escola Superior de Soldados (ESSd). Na sequência, o evento teve os ritos de homenagem aos combatentes, que incluem o sepultamento simbólico e as honras fúnebres. Em seguida, a Sociedade Veteranos de 32 (MMDC) entregou medalhas aos homenageados.

O evento foi encerrado com o desfile cívico-militar, que reuniu integrantes das Forças Armadas, das forças de segurança pública, entidades civis e representantes de instituições ligadas à preservação da memória do levante. O monumento Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista homenageou homens e mulheres que participaram do movimento em defesa da convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e da elaboração de uma nova Constituição para o Brasil, que, à época, era governado por Getúlio Vargas em caráter provisório. O mausoléu abriga os restos mortais de combatentes e é palco das homenagens realizadas anualmente em memória do movimento.
Major Ayres
Major Ayres o herói constitucionalista de Caraguatatuba. Ayres Bento de Oliveira, para os caraguatatubenses mais conhecido como Major Ayres, nome concedido a uma das principais ruas da região central da cidade, foi considerado um dos grandes heróis da Revolução Constitucionalista e, também, uma das figuras de destaques de Caraguatatuba.
Ele morreu aos 29 anos, no dia 24 de setembro de 1932, durante a Revolução Constitucionalista. Ayres era filho de José Bento Rangel e Sebastiana Felícia Oliveira e irmão de Plínio Bento Rangel. Boa parte de sua família continua vivendo em Caraguatatuba. Ele passou sua infância em Caraguatatuba, período em que passava seus dias pescando ou caçando.
Como todo caiçara daquela época, adorava as festas de Santo Antônio, padroeiro da cidade e das apresentações de congada. Caraguatatuba era uma cidade pacata, sem muitas atrações e opções de lazer. A festa do padroeiro era um dos maiores eventos da cidade e reunia todos os moradores.
Nas pesquisas feitas no livros, poucas informações encontramos sobre o período de adolescência de Ayres. Consta que ele teria ido para a capital paulista, onde trabalhou na Força Pública e na Secretaria Estadual de Agricultura.
Casou-se com Helena, com quem teve três filhos e seguiu sozinho para o Norte do país para trabalhar na extração da borracha, trabalho que garantia bons lucros na época.
Existem informações de que Ayres também teria passado pela Bahia, onde prestou serviços para um usineiro muito rico. Ele, Ayres, era encarregado de expulsar cangaceiros que ocupavam as terras do usineiro.
Sozinho, em terras baianas, Ayres matava a saudade da família curtindo os repentistas e violeiros. Recebeu uma proposta para cuidar de uma fazenda de cacau, em Ilhéus, mas recebeu uma carta de Helena, contando que os filhos estavam doentes e decidiu retornar para São Paulo.

Chegou de navio em Santos, no ano de 1931. Na Revolução Constitucionalista alistou-se no Batalhão 7 de Setembro, como capitão. Como frequentava rotineiramente o Palácio dos Campos Elíseos, residência do então presidente do Estado, havia uma suspeita muito grande de que ele integrava o serviço de inteligência do Exército.
Como major, Ayres foi com seu batalhão para a cidade de Cruzeiro, no Vale do Paraíba. Seu irmão Plinio Bento Rangel, foi o designado para a fronteira de São Paulo com o Paraná. Quando defendia as forças paulistas num confronto com os mineiros no Vale do Paraíba, no dia 24 de setembro de 32, Ayres foi gravemente ferido. Removido para um hospital de Guaratinguetá, não resistiu aos ferimentos e veio a falecer.
Seu corpo foi transferido para a capital e foi velado na sede do 7º Batalhão, na avenida Tiradentes. Ayres foi sepultado no dia 26. Sua morte e enterro mereceu destaques em todos os jornais da capital. Seus restos mortais foram transferidos para o Mausoléu dos Heróis de 32, no Parque do Ibirapuera. Em 1974, o então prefeito Miguel Colassuono, concedeu seu nome a uma rua do Jardim Elisa, na região da Vila Brasilândia.
Revolução Constitucionalista
O episódio de 23 de maio é considerado um dos principais estopins para o início da Revolução Constitucionalista, deflagrada em 9 de julho de 1932. Os combates se estenderam até outubro daquele ano e envolveram milhares de voluntários civis e integrantes da então Força Pública, instituição que deu origem à atual Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Embora derrotado militarmente, o movimento contribuiu para acelerar o processo de constitucionalização do país. Em 1933, foi instalada a Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição promulgada em 1934.
O dia 9 de julho é a data magna do Estado de São Paulo e relembra um dos principais acontecimentos da história paulista, preservando a memória dos homens e mulheres que participaram da Revolução Constitucionalista de 1932.
