Placas e cercas proíbem acesso das pessoas, moradores e turistas, à praia da Mococa, uma das mais procuradas em Caraguatatuba.
Por Salim Burihan
A Prefeitura Municipal de Caraguatatuba, através das secretarias do Meio Ambiente e do Urbanismo, deverá esclarecer amanhã, segunda-feira, dia 1º, o porquê da instalação de placas e cercas proibindo o acesso das pessoas na praia da Mococa, na região norte. As placas foram instaladas no canto direito da praia, na semana passada, surpreendendo moradores e turistas.
Procurado, o secretário municipal do Meio Ambiente e Pesca, Auracy Mansano, disse que na segunda-feira, dia 1º, iria obter as informações sobre o que estaria ocorrendo na Praia da Mococa. Mansano deverá consultar a Secretaria de Urbanismo e o setor jurídico da prefeitura para se informar sobre a instalação das placas no setor direito da praia, proibindo a entrada das pessoas. A Assessoria de Comunicação da prefeitura também foi acionada.

O biólogo e ambientalista Roque Alves, disse acreditar que a instalação das placas estaria relacionada a uma ação civil pública de 2014. Ele disse acreditar que algum cidadão teria acionado judicialmente a prefeitura, Cetesb e a empresa Porto Verde Mar para proteger a praia. Consta que o terreno da empresa avançava sobre a área do jundu. Isso, no entanto, segundo Roque, não proíbe o acesso das pessoas à praia.
A praia da Mococa fica a cerca de 14 km do centro de Caraguatatuba, tem cerca de um quilômetro de extensão e fica entre as praias da Cocanha, ao sul, e Tabatinga, ao norte. Possui mar calmo, ideal para banho e é uma das poucas praias ainda selvagens de Caraguatatuba. A praia possui areia monazítica, que ajuda na cura de dores reumáticas e nas articulações.
Projetos

Nos últimos dois anos, proprietários de áreas em frente a praia, vem se mobilizando para “regularizarem” seus terrenos junto à prefeitura e aos órgãos federais, para a implantação de condomínios a beira mar. Existe, também, um projeto de prefeitura visando implantar um parque ecológico na Mococa.
Existem projetos de condomínios fechados previstos na orla da Mococa, mas nenhum deles teria sido oficialmente aprovado na prefeitura. Existem pelo menos três áreas particulares na orla da Mococa. Uma delas, fica muito próxima onde foram implantadas as placas que proíbem o acesso das pessoas à praia. A propriedade pertence ao empresário João Alves de Queiroz Filho, o “Júnior, fundador da Hypera.
Em maio do ano passado, a Prefeitura de Caraguatatuba, através da Secretaria de Urbanismo, iniciou, estudos para transformar a praia da Mococa, num parque ecológico. O estudo preliminar seria apresentado pelo prefeito Mateus Silva, ao Ministério Público Federal e a SPU (Serviço de Patrimônio da União).
O parque ecológico da praia da Mococa, estava sendo elaborado pela Secretaria de Urbanismo e Governo Municipal, junto ao SPU, que, segundo a prefeitura, também já teria demonstrado concordância inicial com a ideia. Caso o projeto avance, a praia da Mococa se tornaria um parque ecológico linear com o plantio de jundu em toda a sua extensão e a recriação de cenários de restinga, com possibilidade de passeio e contemplação para educação ambiental.
Segundo informações da prefeitura(em maio do ano passado), o implantação do parque linear da orla da Mococa seria uma solução sustentável para a recuperação da praia perante a situação em que hoje ela se encontra, devido ao avanço do mar e a erosão praial, que obrigou, inclusive, o remanejamento dos quiosques instalados na praia.
Segundo a prefeitura, o mar avançou drasticamente sobre a areia criando erosões que desnivelam a praia em quase dois metros. Boa parte dos quiosques foram parcialmente destruídos pelo avanço do mar e reconstruídos um pouco mais distantes do mar.
A prefeitura informou ainda que iniciou um projeto para a implantação e redimensionamento dos espaços dos quiosques em duas áreas ainda possíveis. As concessões dos quiosques estariam nestes dois ambientes, conjuntos e menores. A prefeitura acredita que criando o parque ecológico da Mococa, conseguirá trazer atração para o turismo não predatório, controlado e consciente, junto à natureza.
