Bruna ao lado do pai, seu Sidney, na Topolândia, em São Sebastião. Foto Capa: Reprodução Band Vale
Bruna Damaris Santana da Silva, de 26, a jovem que foi resgatada com vida após ficar 42 horas à deriva em alto-mar em Ilhabela, teve alta hospitalar na quinta-feira(28) e continua dando informações sobre o drama que passou. Um dos assuntos que ela comentou em entrevista concedida ontem, sexta(29), para a TV Band Vale, foi o medo que teve em ser atacada por tubarões durante as horas que passou em alto mar.
“No escuro, a hora não passava, tava tudo escuro. Tava muito frio. Eu me peguei dormindo várias vezes, desmaiei várias vezes, mas u acordava, já voltava a nadar de novo. Temia ser atacada por algum peixe. Dava uma chacoalhava nele quando ele dormia. Eu ficava com medo de ser atacada por algum peixe, um tubarão. Graças a Deus que não aconteceu algo pior. Não teve nenhum tubarão me mordendo”, contou.
Bruna disse que durante as 42 horas em que ficou à deriva em alto mar, procurava dormir, mas não conseguia, devido ao medo de que pudesse ser atacada por um tubarão, principalmente, durante a noite. “Foi extremamente frio. Foi extremamente complicado ficar lá, no mar. Eu tentei de todas as formas lutar contra a correnteza. Tentei de todas as formas me ajudar e ajudar o colega que estava comigo. Nós ficamos juntos todos os momentos, desde domingo até a terça-feira de madrugada. Só na madrugada de terça-feira que a gente acabou se separando porque eu fui buscar ajuda”, relatou.
Bruna contou ainda que esteve ao lado de Dheorge durante todos os momentos em alto mar. Segundo ela, Dheorge tentou tirar o colete por duas ocasiões, mas que ela não deixou. Ela disse que já explicou para a polícia o que ocorreu que torce para que Dhorge seja encontrado .
Tubarões

“Tubarões existem no nosso litoral. Ela(Bruna) realmente ter ficado com medo é plausível. O medo dela não é totalmente injustificável. Porque o tubarão é atraído por duas coisas: movimentação na água e pelo barulho. O tubarão pode confundir uma pessoa em alto-mar com colete salva-vidas com algum de seus alimentos como tartaruga, por exemplo, mas o número de ocorrências com tubarão em nossa região é baixíssima”, destacou oceanólogo Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta e diretor executivo do Aquário de Ubatuba.
Realmente, existe tubarões no litoral paulista, mas segundo especialistas, os tubarões não atacam qualquer pessoa no mar. Consta que, na verdade, os ataques a seres humanos são incidentes extremamente raros. Alguns ataques ocorrem porque o tubarão confunde o banhista ou surfista com suas presas naturais, como focas ou tartarugas, especialmente em águas turvas.
Os tubarões mais comuns na costa do litoral paulista são: o tubarão-mangona(Carcharias taurus), tubarão viola(Rhinobatos percellens), tubarão martelo(Sphyrna spp), tubarão-frango(Rhizoprionodon porosus), e tubarão cabeça-chata.
O último ataque a banhista registrado no litoral paulista ocorreu em novembro de 2021 na praia do Lamberto, em Ubatuba. Segundo consta, trata-se, oficialmente, do primeiro ataque à banhista ocorrido no litoral norte nos últimos 30 anos. A vítima foi um turista francês, de 39 anos, que ferido na perna, foi medicado e liberado no mesmo dia.
Dheorge

Prosseguem as buscas por Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, que estava com Bruna Damaris, no passeio de moto aquática no domingo(24), em Ilhabela, quando ocorreu uma pane no veículo e os dois ficaram à deriva em alto-mar.
As buscas se concentram pelo GBMar na costa norte de Ilhabela, entre a costa da ilha e as ilhas de Búzios e do Mar Virado em Ubatuba; nas praias da região central de Caraguatatuba e nas praias da região sul de Ubatuba.
Na quarta(27), pela manhã, embarcações de Marinha e do GBMar que participaram das buscas, localizaram o colete salva-vidas, que estava sendo usado por Dheorge. O colete foi encontrado boiando em alto-mar num trecho entre a Ilhas de Búzios e praias da costa norte de Ilhabela.
Dheorge é natural da cidade de Alcântara, no Ceará, mas vive há 10 anos na cidade de São José do Rio Preto(SP). Ele é pizzaiolo e passava o fim de semana com amigos em Ilhabela, quando no domingo(24), desapareceu durante o passeio de moto aquática.
