Começa nesta quarta(1º), na Caçandoca, em Ubatuba, as vigílias da “Andada do Guaimum”

As vigílias que tem como objetivo proteger as fêmeas do guaimum no período da desova se transformaram em atração turística na Caçandoca, em Ubatuba.

 

Por Salim Burihan

 

O projeto Manguezal Terra do Guaiamum, que há 14 anos, protege os caranguejos guaiamum no mangue da praia da Caçandoca, em Ubatuba, no Litoral Norte Paulista, vai realizar cinco vigílias da “Andada do Guaimum” em 2026. A vigília tem como objetivo proteger as fêmeas guaiamuns no período da desova.

 

O Manguezal Terra do Guaiamum é um dos projetos pioneiros na região na proteção dos caranguejos. As vigílias acontecem durante a “Andada dos Guaiamuns”, no manguezal, que fica no canto direito da Praia da Caçandoca. A desova, na região do Litoral Norte Paulista, vai de março até junho. As vigílias vão ocorrer nesta quarta-feira, dia 1º de abril, a partir das 15 horas e nos dias 17 de abril, 1º, 16 e 31 de maio, sempre a partir das 15 horas.

 

A “Andada dos guaiamuns” ocorre no mês de Abril, durante a lua nova, quando as fêmeas dos caranguejos saem do mangue e “andam” pela praia em direção ao mar para desovarem. O caranguejo terrestre Cardisoma guanhumi, é conhecido popularmente como guaiamum, pode ser encontrado entre o litoral sul do Brasil e a Flórida (EUA).

 

A espécie varia em cor de azul escuro a marrom ou cinza e pode crescer até 15 centímetros na largura da carapaça e pesar mais de 500 gramas. Suas pinças desiguais, no caso dos machos, podem chegar a medir trinta centímetros. Atingem a maturidade sexual aos quatro anos e seu ciclo reprodutivo depende do verão e das fases da lua. A fecundação é interna e poligênica. Ou seja, vários machos para uma fêmea.

 

O guaiamu sai da toca a noite para se alimentar. Comem frutos, folhas e animais em decomposição. Desde 30 de maio de 2018, a portaria 161 do Ibama proíbe a captura de guaiamu. No Brasil, a desova se dá entre os meses de março e maio. Durante a estação reprodutiva, esses caranguejos lançam milhares de larvas na água durante a maré cheia da lua nova.

 

Caçandoca

Mangue da Caçandoca

 

O evento “Andada dos guaiamuns” foi organizado pelo Projeto Terra dos Guaiamuns e Associação do Quilombo da Caçandoca, com parceria do Instituto Argonauta, Grupo Tamoio de Ubatuba, Coco e Cia, APA Marinha do LN, Projeto Monitoramento Mirim Costeiro – MMC, Rede Litoral norte de Manguezais, Caiçara Nativo e Thadeu Fischer.

 

A “Andada dos guaiamuns” acabou se transformando numa atração turística/ambiental, centenas de turistas visitam a praia no período para ver de perto os guaiamuns. No período da “andada” os moradores da Caçandoca e participantes do projeto promovem várias atividades, entre elas, palestras, exposições e educação ambiental, para conscientizar moradores e turistas sobre a importância da conservação dos caranguejos Guaiamuns e manguezais.

 

Projeto pioneiro

 

 

Marlene Giraud, nascida na Caçandoca e uma das idealizadoras do projeto “Terra do Guaiamum”, contou durante entrevista ao NP em 2024, que o projeto foi criado inicialmente para conscientizar os moradores, principalmente, as crianças quilombolas, sobre a necessidade de preservação do manguezal e dos guaiamuns. Segundo ela, além da preservação do mangue e dos guaiamuns, também se trabalha questões como a destinação do lixo e do turismo predatório.

 

“É um dos poucos programas ambientais voluntários e sem recursos públicos ou privados que prioriza a preservação de mangue e dos guaiamuns no Litoral Norte Paulista. Nossos mangues foram muito degradados no passado. Os mangues são berçários dos oceanos”, lembrou na ocasião, Marlene.

 

Com relação ao mangue da Caçandoca, os moradores e quilombolas se envolvem na preservação do manguezal e dos guaiamuns. O objetivo do projeto nunca foi transformar a “andada” numa atração turística, mas devido às redes sociais, cresce cada vez mais a presença de visitantes nos períodos das andadas.

 

“Às vezes, moradores e comerciantes dos quiosques reclamam que os caranguejos invadem quintais e varanda dos quiosques durante o período da desova, mas a gente esclarece que na verdade as casas e os quiosques é que ocupam áreas dos guaiamuns”, conta Marlene.

 

Segundo ela, o guaiamum apesar de ameaçado de extinção é muito resistente. Na Caçandoca, o guaiamum ocupa a parte mais alta do mangue. Os participantes do projeto aproveitam a andada e a desova para observarem o comportamento dos guaiamuns na lua nova e lua cheia.

 

“Na desova, que ocorre de março até junho, os guaiamuns deixam o mangue cruzam as áreas de estacionamento e da praia para chegarem até o mar onde desovam. Na Caçandoca, não existe venda e nem consumo de caranguejo. Eles são totalmente preservados”, destacou Marlene.

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