Peças artesanais brasileiras substituem produtos “ching ling” nas praias do litoral paulista

Os produtos “ching ling” estão perdendo espaço para o artesanato brasileiro nas praias paulistas. Boinas, chapéus, bolsas e peças em crochê estão em alta nesse verão

 

Por Salim Burihan

 

O verão já começou e alguns produtos comercializados por ambulantes estão em alta nas areias das praias do litoral paulista.  Alguns produtos supostamente artesanais brasileiros vem ganhando destaque nas areias e, aos poucos, conquistando a clientela: são saídas de praia, boinas e chapéus de crochê; cangas com estampas das cidades da região e  bolsas e chapéus de juta.

 

Caixinhas de som, óculos e copos Stanley continuam sendo vendidos nas praias, mas, sem o mesmo sucesso dos verões anteriores.  No verão passado, a sensação entre os turistas foi a réplica do copo térmico Quencher, da  Stanley, nas versões 887 ml ou 1,18 litro, com alça e canudo  removível e cores super alegres que bateu recordes de vendas nas praias do Litoral Norte Paulista.

 

Réplica do copo da  Stanley foi sucesso no verão passado

 

Cerca de 100 ambulantes da Bahia chegaram estão desde novembro em Caraguatatuba. Eles vem todos os anos da Bahia para trabalhar nas praias da região.  O grupo fica alojado em casas alugadas no bairro Casa Branca e se alimentam por conta própria. Boa parte deles, trabalha nas praias Martim de Sá,  Prainha, Centro,  Massaguaçu, Capricórnio, Cocanha, Mococa e Tabatinga.

 

Igor Santos, de Feira de Santana(BA), trabalha há 9 anos nas praias de Caraguatatuba, vendendo cangas. Ele deixou  a mulher e uma filhinha, Maria Luísa,  de seis três meses, em sua cidade natal na Bahia para trabalhar nas praias de Caraguatatuba, entre novembro de 2025 e o carnaval de 2026.

“Vale muito a pena. De 15 em 15 dias enviou um Pix para a minha mulher. Não posso deixar de faltar leite e fraldas para a menina, disse, Igor.  Feira de Santana fica a cerca de 2.000 kms de Caraguatatuba. A viagem  de ônibus entre as duas cidades dura 22 horas 38 minutos.

 

Qual vai ser a grande novidades dos ambulantes nas praias da região neste temporada de verão?, pergunto. “Acredito que desta vez não teremos muitos produtos ching ling ( produtos chineses genéricos ou falsificados) ”, comentou Igor. Segundo ele, artigos como óculos de sol, copos da Stanley e aparelhos de som, continuam sendo comercializado nas praias, mas sem o mesmo sucesso de antes.

 

Igor disse acreditar que os produtos artesanais, fabricados por comunidades brasileiras, como cangas, roupas feitas em crochê, chapéus e bolsas de juta estão atraindo o interesse dos turistas que circulam pelas praias. Ele, particularmente, acredita que uma bolsa feita de juta,  produzida por comunidades ribeirinhas do Maranhão,  deverá ser a sensação do verão 2025/2026.

 

Ele mesmo, vendedor de cangas, conta que as estampas atuais valorizam os atrativos naturais do Litoral Norte Paulista, como a mata atlântica, as aves e as praias, vendem bem nesse início de verão. Entre as peças que mais vende estão as estampas com os mapas das praias de Ubatuba e Caraguatatuba.  Cada uma custa em média R$ 60,00. As cangas que ele vende são produzidas em Caraguatatuba. 

 

Vera Santos(foto) ambulante de Bahia, percorre as praias de Caraguatatuba e Ubatuba vendendo peças de roupas feitas em crochê na cidade de Monte Sião(MG). Tem calça ( R$ 70,00), vestidinho( R$ 50,00) e blusinha ( R$ 40,00) que vem fazendo muito sucesso nas praias do Litoral Norte.

 

 

Atualmente, peças em crochê estão sendo consideradas como “luxo” e cativam as mulheres nas praias paulistas. “Vem vendendo bem. Por onde passo, as peças atraem a atenção das mulheres, de todas as idades, pois são produtos leves e bonitos  As mulheres estão adorando. Tenho vendido em média, 40 unidades por  dia”, contou Vera.

 

 

O ambulante, Rodrigo Bento, também, da Bahia, que vende as tais bolsas feitas de juta, que são produzidas no Maranhão, disse acreditar que a grande novidade do verão ainda deverá surgir nos primeiros dias de 2026. “É só a Virgínia- influenciadora e namorada do Vini Jr., aparecer ou postar com alguma coisa nova nas mãos ou no corpo, numa academia ou praia, que vai virar “febre nacional” durante o verão, comentou.

 

 

“Foi o que aconteceu na verão passado quando a influenciadora digital fez postagens com a nova versão do copo Stanley que é maior que a tradicional(possui 25 centímetros, pesa 623 gramas e parece uma garrafa térmica) e isso causou o sucesso das vendas do produto nas praias”, lembrou. No verão passado, a versão clandestina do copo foi vendido por R$ 70,00. A versão original nas compras feitas pela internet ou nas lojas custava cerca de R$ 320,00.

 

 

 

As bolsas oferecidas por Rodrigo nas praias também vem tendo boa aceitação nas praias. Cada uma delas custa em média R$ 50,00. Juta é uma fibra têxtil vegetal, natural, biodegradável e resistente,  extraída do caule da planta de juta (Corchorus), conhecida como “fibra de ouro” por sua versatilidade em sacos, cordas, moda e decoração, sendo um cultivo sustentável na Amazônia brasileira que gera renda para comunidades ribeirinhas. 

 

 

 

 

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