Proposta foi aprovada por unanimidade e encaminhada ao prefeito Reinaldinho Moreira
A Câmara de São Sebastião, no Litoral Norte Paulista, aprovou por unanimidade, na terça-feira(9), requerimento de autoria da vereadora Enfermeira Maria Angela(PSDB) que pede ao prefeito Reinaldinho Moreira a implantação do projeto “Escola do Mar” na rede municipal de ensino. A proposta da vereadora prevê atividades complementares voltadas à valorização da cultura caiçara e à preservação ambiental.
Segundo a parlamentar, o município possui uma identidade litorânea marcada por tradições pesqueiras e artesanais que correm risco de desaparecer diante das mudanças sociais e tecnológicas. O projeto busca integrar a educação formal a práticas locais, como a confecção de canoas, o manejo de redes de pesca e a aquicultura.
” Venho aqui mais uma vez falar sobre a cultura caiçara. Tenho uma filha caiçara e tenho muito orgulho de ver o pai ensinar a cultura da terra onde ele nasceu. Quando a gente fala sobre isso, estimula a preservação, a sustentabilidade, o meio ambiente, fala em manter a identidade cultural caiçara. Qual é o objetivo? É oferecer alternativa de formação profissional e abrindo caminhos para a geração de renda e emprego, também. Falamos em construção de canoas, em tradições pesqueiras, maricultura, do peixe seco, da panela de barro, também. Quando falamos sobre isso falamos em ensinar nossos filhos a cultura dos antepassados. O objetivo é manter viva a identidade local”, justificou a vereadora(Foto).
O vereador João Paulo Teixeira(PP) elogiou a proposta. “Somos caiçaras, de famílias caiçaras. Nossa cultura é riquíssima. É muito importante a proposta da vereadora. Essa proposta pode valorizar a cultura caiçara e transformar o turismo de base comunitária, que existe em praias como Toque Toque, São Francisco e Enseada, que mantém fortes tradições caçaras”, comentou.
A proposta foi elogiada também pelos vereadores Edgar Celestino(Podemos), Henriana Lacerda(Republicanos), Tião da Solange(Podemos) e professor Cardim(PSDB). “As crianças do nono ano, além das informações obtidas na sala de aula, também, devem visitar os ranchos de pesca, conhecer e conversar com os pescadores, para saberem um pouco de suas vidas, do manejo do pescado… envolvendo, também, as crianças autistas…”, detalhou a vereadora.
Pesca em São Sebastião

Uma pesquisa realizada em 2022 sobre a atividade pesqueira no município de São Sebastião apontou que num trecho de 89 quilômetros de costa existiam 27 pontos de descarga ou de escoamento da produção extrativa. O volume médio de pescados descarregados por ano foi de 750,5 toneladas, que movimentaram uma receita estimada de aproximadamente R$ 8,2 milhões ao ano.
A pesquisa mostrou ainda que as principais categorias de pescados descarregadas no município foram: o camarão-sete-barbas, o carapau, a espada, a corvina e o camarão-legítimo, que foram principalmente capturadas com os aparelhos de pesca arrasto-duplo, cerco-flutuante e o emalhe-de-fundo.
Considerando a produção descarregada no período, o município respondeu por 5,1%, do total de 73 mil t de pescado, e 5,9% das descargas ocorridas no Estado de São Paulo, o que fez de São Sebastião, na época, ser o quinto município que mais contribuiu para a captura e número de descargas de pescados no Estado. Cerca de 580 pescadores estavam envolvidos nas atividades de pesca em 2022.

