A interdição ao local ocorreu na semana passada, há risco concreto de desestabilização do guarda-corpo e possibilidade de queda de pedestres sobre as pedras, segundo a prefeitura.
O vereador de Caraguatatuba, Elizeu Onofre, mais conhecido como “vereador Ceará”, cobrou na sessão de ontem, terça-feira, dia 2, que a prefeitura de seu município faça uma auditoria rigorosa para apurar a construção do molhe na foz do Rio Juqueriqurê e os recursos investidos na obra. A prefeitura interditou o acesso ao local devido a existência de graves problemas estruturais na base da obra. O enrocamento de pedras, que sustenta o pavimento e o guarda-corpo, apresenta movimentações e desagregações que comprometem a segurança de quem circula pelo espaço.
Segundo o vereador, a gestão anterior investiu cerca de R$ 60 milhões na obra, sendo R$ 54 milhões financiados pelo município junto ao programa Finisa, do Banco do Brasil. Segundo o vereador, a obra ainda não foi entregue oficialmente para a prefeitura devido problemas estruturais. “A gente preocupado com os riscos que a obra oferece aos moradores e turistas e o quanto a prefeitura terá que investir novamente para recuperar a obra. A situação demonstra um descaso para com a população que cobra explicações sobre o que teria ocorrido na obra dos molhes”, afirmou Elizeu.
Como o assunto sobre os problemas estruturais nos molhes e a interdição do acesso ao local viralizou nas redes sociais, surpreendendo a população, o presidente da Câmara, vereador Antonio Carlos Júnior, convocou o secretário municipal de Obras, Gilson Mendes, para comparecer na audiência pública do dia 10, às 17 horas, para esclarecer aos vereadores e a população o que estaria ocorrendo nos molhes do Rio Juqueriquerê.
Interdição

A interdição ao local ocorreu na semana passada. De acordo com a Secretaria de Obras Públicas, há risco concreto de desestabilização do guarda-corpo e possibilidade de queda de pedestres sobre as pedras.
“Sabemos da importância do molhe como espaço de lazer e contemplação, mas nossa prioridade é preservar vidas. Diante do risco real à segurança de quem frequenta o local, a interdição é a medida mais responsável a adotar”, afirma o secretário de Obras Públicas, engenheiro Gilson Mendes de Souza.
A administração municipal vai contratar uma auditoria independente para examinar a concepção e a execução do projeto original. O objetivo é verificar se a obra de estabilização da foz, que custou mais de R$ 60 milhões, seguiu as normas técnicas e se os serviços pagos foram efetivamente entregues. Além da contrapartida do município, o financiamento contou com recursos do FINISA/Banco do Brasil e repasse do Governo Estadual.
A empresa Era Técnica Engenharia, responsável pela obra de urbanização do local, informou à Secretaria de Obras que o enrocamento se movimenta mesmo em condições climáticas normais, comprometendo a urbanização assentada sobre a estrutura.
Em janeiro de 2025, a Secretaria de Obras Públicas notificou a empresa responsável pela urbanização do molhe por serviços não executados e defeitos na execução de áreas já concluídas. Além disso, a pedido do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur) da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, foi retirada a placa de inauguração da obra, realizada em 2024, pelos mesmos problemas.
Segundo a prefeitura, a interdição permanecerá até que a auditoria apresente laudo conclusivo e apontamentos sobre as medidas corretivas necessárias. “É prudente manter o acesso fechado. Nossa equipe constatou trechos com desintegração do molhe e sinais de instabilidade nas estruturas. Estamos tomando todas as medidas cabíveis para resolver o problema e devolver o espaço para uso da comunidade de forma segura o mais breve possível”, reforçou o secretário Gilson Mendes.

