Ação também mostra como os indígenas sentem, de forma mais imediata, os efeitos da crise climática, como seca, queimadas e insegurança alimentar
A terra fala. Suas águas sussurram histórias, suas folhas murmuram segredos, mas nem todos sabem escutá-la. Os povos indígenas sabem escutar a terra. Eles entendem seus sinais e zelam pelo seu equilíbrio. Para eles, a terra é mais do que solo, é vida. Inspirado nessa relação de profundo respeito, sintonia e convivência harmônica entre os povos originários e a natureza, o Ministério Público Federal (MPF) lançou nesta terça-feira, 1o de abril, a campanha Povos que escutam a terra. MPF: protetor dos direitos indígenas.
A iniciativa destaca a importância dos povos originários e do seu modo de vida tradicional para a preservação do meio ambiente e para o enfrentamento das mudanças climáticas. Mostra também como as comunidades indígenas sentem, de forma mais imediata, as consequências das alterações do clima, como a seca, as ondas de calor, as queimadas, a disseminação de doenças e o risco à segurança alimentar.
Os temas serão abordados em ações de comunicação, eventos, reuniões e encontros com lideranças e comunidades indígenas ao longo de todo o mês, em mais uma edição do Abril Indígena. Realizada pelo MPF anualmente, a mobilização buscar dar visibilidade aos direitos dos povos originários brasileiros e fomentar ações internas e externas para a proteção dessas garantias.
“O MPF tem o dever constitucional de atuar na defesa dos direitos dos povos indígenas e na proteção de seus territórios, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e suas práticas valorizadas nas estratégias de enfrentamento da crise climática”, ressalta a coordenadora da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6CCR), Eliana Torelly.
Terra como um ser vivo – Os territórios indígenas protegem 13% do território nacional e são fundamentais para a conservação da biodiversidade. Na Amazônia, as terras indígenas funcionam como verdadeiras barreiras contra o desmatamento, um dos principais fatores responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa. Sozinhas, elas são responsáveis pela preservação de mais de 137,2 milhões de campos de futebol.
Pesquisa publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) ratifica a eficiência da proteção de terras indígenas para a conservação da natureza. O estudo analisou a cobertura florestal de 129 territórios da Mata Atlântica, de 1985 a 2019, e concluiu que a cobertura do bioma teve aumento de 0,77% ao ano nas terras formalmente demarcadas.
Apesar de sua importância, os povos indígenas continuam enfrentando constantes ameaças. O avanço do garimpo ilegal, a grilagem de terras e as mudanças na legislação ambiental colocam em risco não apenas suas comunidades, mas também a biodiversidade como um todo.
“Povos indígenas têm uma relação ancestral com a terra, baseada no respeito, no equilíbrio e na sustentabilidade. São os verdadeiros guardiões da biodiversidade e, diante do cenário em que vivemos atualmente, valorizar essa conexão não é apenas uma questão de justiça histórica, mas uma necessidade urgente para a enfrentar as mudanças climáticas”, conclui Eliana Torelly.
Acompanhe durante todo o mês matérias especiais no portal do MPF, publicações nas redes sociais, programas de rádio e TV, entrevistas, além da participação de procuradores e servidores em eventos como o Acampamento Terra Livre (ATL), que ocorrerá em Brasília, entre 7 e 11 de abril.