Cresce o número de mortes suspeitas por dengue nas cidades do Litoral Norte Paulista. A Secretaria Estadual de Saúde investiga atualmente sete óbitos suspeitos por dengue na região: são três mortes suspeitas em Caraguatatuba; três em São Sebastião e uma em Ilhabela.
Oficialmente, a região registra uma morte pela doença, de um homem de 58 anos, morador do bairro do Itaguá, em Ubatuba, confirmada no dia 15 de março. Os óbitos suspeitos são investigados pelo Instituto Adolfo Lutz com base nos laudos clínicos e epidemiológicos de cada uma das vítimas.
Em Caraguatatuba, onde ocorreram três mortes suspeitas em março, a prefeitura divulgou os casos. O primeiro caso trata-se de uma idosa, de 76 anos, moradora do Massaguaçu e que veio a óbito em 28 de março. O segundo caso é de um homem, de 51 anos, morador do Jardim Jaqueira e que veio a óbito em 29 de março. Já o terceiro caso se refere a uma idosa, de 85 anos, moradora do Indaiá. Em todos os casos os pacientes possuíam algum tipo de comorbidade grave.
Em São Sebastião, segundo informou a prefeitura local, os casos sob suspeitas são dois na Vila Sahy, na Costa Sul, sendo um homem de 28 anos e uma mulher de 26 anos; e outro no bairro Varadouro, na região central, sendo uma idosa de 93 anos. Não há informações sobre a vítima que supostamente morreu de dengue em Ilhabela.
Casos
De acordo com dados do Estado, a região tinha até terça-feira, dia 2, 5.715 casos confirmados de dengue: sendo 1.871, em Ubatuba; 1.814 , em Caraguatatuba ; 1.242 em São Sebastião; e, 788 em Ilhabela. Ainda, segundo o Estado, existem 7.604 casos “prováveis” de dengue na região e 1.889 casos em investigação. Oficialmente existe apenas uma morte por dengue, em Ubatuba. Agora já são sete mortes suspeitas em investigação. Do total de casos de dengue, cinco deles apresentam sinais de alarme e dois graves.
Ações
Em função do elevado número de casos, no dia 7 de março de 2024, o prefeito Felipe Augusto decretou Situação de Emergência na Saúde Pública em razão da epidemia de dengue em São Sebastião.
Além do reforço nas ações de controle de criadouros, a Fundação de Saúde Pública de São Sebastião (FSPSS) abriu, nesta semana, um processo seletivo emergencial para 20 vagas nas Unidades de Saúde da Família (USFs) do município pelo período de 180 dias.
As inscrições estão abertas e podem ser feitas até sexta-feira (5), das 9h às 16h, presencialmente, na sede da FSPSS, localizada na Avenida Dr. Altino Arantes, 284, na Rua da Praia, no Centro de São Sebastião.
Informações sobre requisitos mínimos, atribuições, critérios de classificação, salário base, benefícios e jornada de trabalho podem ser conferidas diretamente no edital, pelo link https://fspss.org.br/publicacoes/processo-seletivo-1539020171 .
Essas equipes vão reforçar o atendimento junto às unidades, que tem recebido, diariamente, centenas de pacientes com sintomas da dengue. A Prefeitura de São Sebastião, por meio da SESAU, segue com reforço nas ações de controle de criadouros.
Nos dias 1º e 2 de abril, o trabalho ocorreu no bairro de Juquehy. Nesta quarta-feira (3), agentes de combate a endemias trabalharam em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente (SEMAM) no Ranchinho de Barra do Sahy, enquanto equipes da saúde também realizavam controle de criadouros no bairro.
Na segunda-feira (1), o bairro Morro do Abrigo recebeu agentes que realizaram nebulização costal no local. A equipe de nebulização costal também passou pelo bairro de Juquehy na terça-feira (2) e quarta-feira (3). De acordo com a SESAU, a nebulização veicular passou pela Vila Sahy na ultima sexta-feira (29) e pelo bairro Varadouro no sábado (30).
Ainda nesta semana, a nebulização veicular também passou pelo bairro Pontal da Cruz na segunda-feira (1), na terça-feira (2) pelos bairros Arrastão e Portal da Olaria e ontem, quarta(3), a nebulização veicular passou pelos bairros da Praia Deserta e Porto Grande.
Caraguatatuba
A Prefeitura de Caraguatatuba reforça que o município encontra-se em epidemia e que os cuidados precisam ser intensificados, principalmente na eliminação de possíveis criadouros. Caraguatatuba registra atualmente 1.882 casos positivos da doença e os casos tem aumentado mês a mês. Em janeiro foram 101 casos confirmados, enquanto em fevereiro 319 e em março 1.460. Até hoje (2/4) foram mais dois casos positivos para a doença.
Segundo dados do Estado, existem ainda 1.969 casos supostamente “prováveis” de dengue na cidade e outros 155 ainda em investigação. A prefeitura informa que o município tem focado ainda ações nos bairros onde há maior concentração de ADL (Análise de Densidade Larvária) como Travessão, Perequê-Mirim, Indaiá e Massaguaçu.
O aumento dos casos de dengue tem provocado, inclusive, a sobrecarga de atendimento nas três Unidades de Pronto Atendimento (Centro, Sul e Norte). Somente ontem, as UPAs realizaram juntas 1.808 atendimentos. Além da sobrecarga nas UPAs, o reflexo tem sido sentido também nas unidades de retaguarda: Casa de Saúde Stella Maris e Hospital Regional. Os hospitais estão com lotação máxima nas Enfermarias e UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo).

A Prefeitura de Caraguatatuba já realizou mais de 13 mil vistorias em imóveis de Norte a Sul do município. Foram 6.967 inspeções realizadas pelos Agentes Comunitários de Saúde e outras 6.488 vistorias pelos Agentes de Zoonoses.
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) atua na fiscalização de residências e comércios que descumprem as estratégias para conter a proliferação do mosquito. De janeiro a março, 359 denúncias foram realizadas, resultando em 26 autos de infração, seis multas, seis advertências e 37 orientações técnicas.
O total de multas aplicadas geraram o valor de R$ 13,8 mil, que é quando o proprietário é autuado. Primeiramente, o proprietário do imóvel é notificado, caso não faça a regularização em 10 dias, pode ser multado entre 50 a 1000 VRM. Cada VRM equivale a R$ 4,60.
As vistorias contam com reforço do uso de drones para fiscalização de imóveis fechados, pautadas na Lei Federal nº 13.301, de 27 de junho de 2016, que garante o uso do equipamento em situação de iminente perigo à saúde pública pela presença do mosquito transmissor do vírus da dengue, do vírus chikungunya e do vírus da zika.
A lei ainda garante que nos imóveis que o proprietário apresentar recusa da vistoria do agente de zoonoses, está autorizada a presença da Polícia Militar ou da Guarda Civil Municipal para auxiliar na fiscalização do imóvel.
