Um grupo de influencers foi denunciado na polícia civil após invadir a mansão abandonada do estilista Clodovil Hernandes, em Ubatuba, para produzir imagens para um canal no Youtube. Dezenas de influenciadores digitais vem sendo expulsos do local ao tentarem explorar imagens da mansão para postarem nas redes sociais. A propriedade está abandonada desde 2009, após a morte do estilista.
A casa onde morou Clodovil se transformou em ponto turístico e imagens feitas por youtubers tem garantido milhares de “likes”, tamanha a curiosidade das pessoas sobre tudo o que ainda envolve o estilista, principalmente, a mansão que era seu refúgio em Ubatuba.
A mansão construída em uma área de 4.375,13 metros quadrados entre as praias do Leo e do Meio, lugar conhecido como Sertãozinho, está sendo leiloada para arrecadar dinheiro para cobrir as dívidas relacionadas as multas e regularizações ambientais e de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano.
No início de maio, os responsáveis pelo espólio do estilista registraram um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Ubatuba, denunciando a invasão do local por um Youtuber e sua equipe. O acesso a propriedade é proibido.

Eles aproveitaram que o caseiro não estava na propriedade e invadiram o local. Subiram pelas encostas do morro, através da mata e adentraram a residência. Ficaram por duas horas “explorando” a mansão abandonada.
As imagens feitas pela equipe de Lolo Bolado- especializada em explorar mansões de famosos e hotéis de luxo e postar nas redes sociais, foram utilizadas pela TV Record, recentemente, no Domingo Legal e Fala Brasil.
Na reportagem da Record, Luan Daniel da Costa, o “Lolo Bolado”, nega que sua equipe tenha arrombado portas ou cercas e mexido em qualquer coisa da residência durante a invasão. O Youtuber alegou que apenas foram feitas imagens da famosa casa do estilista para publicar no canal.
Invasões
A “exploração” da mansão abandonada ocorreu no início de maio. As imagens foram exibidas no dia 8 no canal do Youtube de Lolo Bolado e foram vistas por mais de 49 mil internautas, mas poderão dar muita dor de cabeça ao Youtuber caso o boletim de ocorrência vire um inquérito policial.
No vídeo feito pela equipe, com duração de 50 minutos, foram mostrados todos os detalhes da mansão abandonada, inclusive, o famoso vaso sanitário que tem vista para o mar, que era usado pelo estilista.
Caso o termo circunstanciado, o boletim de ocorrência, seja transformado em inquérito, o influencer e sua equipe podem ser denunciados por crime de invasão, cuja pena varia de seis meses a dois anos de reclusão, em caso de condenação.
A equipe de Lolo Bolado não foi a única flagrada invadindo o local. Recentemente, a equipe KBC, de Guaratinguetá, também foi surpreendida pelo caseiro nas dependências da propriedade, alguns dias depois.
Armado de uma faca, o caseiro obrigou os influencers da KBC a ligarem para a Polícia Militar, informando da invasão. A PM esteve no local e na conversa com o caseiro, chamado Marcelo, os influencers foram liberados.

A equipe KBC, que se diz especializada em “caçar fantasma”, pretendia captar o espírito de Clodovil na propriedade. O vídeo foi ao ar no canal da rapaziada, mostrando inclusive, a abordagem feita pelo caseiro, armado de uma faca. O canal obteve 21 mil visualizações.
Na filmagem, o caseiro Marcelo fala que não aguenta mais conter as invasões que ocorrem na mansão abandonada de Clodovil. Segundo ele, “todo santo dia tentam invadir o local”, cujo acesso é proibido ao público, por se tratar de uma propriedade privada.
Marcelo contou cuida há três anos da mansão abandonada que, não possui energia elétrica e água. Ele mora em uma casa ao lado da mansão, cuidando de seus peixes, gansos e cachorros. “Peço pelo amor de Deus que não tentem mais invadir o local”, alertou.
Mansão

Mesmo abandonada, a antiga mansão do estilista Clodovil Hernandes, em Ubatuba, continua ocupando grande espaço na mídia. Apesar de ele ter falecido em 2009, vítima de um AVC, o estilista ainda é muito querido.
A propriedade, que ocupa uma área de cerca de 4 mil metros quadrados no alto da praia do Léo, região norte de Ubatuba, está se deteriorando ao longo dos anos.
O “paraíso” de Clodovil, que foi a leilão após a sua morte em 2009, está completamente abandonado. Chegou a valer R$ 1,5 milhão, foi vendido em leilão pela metade do preço em 2018, mas a empresária de Campinas que arrematou o imóvel, acabou desistindo do negócio.
O motivo: pendências que o estilista tinha e tem com a justiça devido as questões ambientais. Clodovil não teria respeitado a legislação ambiental e construiu em área de preservação no Parque Estadual da Serra do Mar. A justiça obrigava a demolição do que tinha sido construído em área de preservação.
O processo foi iniciado nos anos 2000 quando a então promotora Elaine Taborda de Ávila, hoje, aposentada, denunciou Clodovil pelas construções irregulares.
Clodovil vinha sendo autuado pela Polícia Florestal por conta das irregularidades cometidas na reforma da sua casa desde 1998, ocasião em que as obras de ampliação no local foram embargadas.
Em sua defesa, Clodovil alegava que não causou danos ao meio ambiente e que apenas tentou proteger sua propriedade da invasão do mato e de ervas daninhas. Argumentava ainda que a área é urbana e residencial porque pagava IPTU. O parque é considerado uma unidade de conservação e proteção integral, onde a lei só permite atividades que beneficiem a fauna e a flora.
Deputado federal, na época, Clodovil tentou “peitar” a decisão usando o seu prestígio e poder político em São Paulo e Brasília. O processo seguiu. Clodovil recorreu, mas não conseguiu se livrar da condenação.
Clodovil foi acusado de causar danos ambientais no Parque Estadual da Serrado Mar ao destruir vegetação e aterrar o local para ampliar a sua residência no Sertãozinho do Léo, na rua das Rosas, no bairro do Prumirim, região norte de Ubatuba.
O Tribunal obrigou Clodovil a demolir todas as construções feitas sem autorização dos órgãos ambientais, bem como, recuperar toda a área degradada, sob a supervisão do Instituto Florestal de São Paulo, em sua sede no Núcleo Picinguaba.
Caso não houvesse a possibilidade de recuperação ambiental, Clodovil teria que indenizar o erário em montante a ser apurado por uma perícia na fase de liquidação judicial. O dinheiro iria para um fundo especial do estado.
