Mexilhão: o sabor do mar que é tradição na culinária caiçara

 

Rico em nutrientes e versátil na gastronomia, o molusco é ingrediente de pratos tradicionais, como o famoso lambe-lambe caiçara.

 

Por Salim Burihan

 

O Mexilhão, também, conhecido como Marisco, é um molusco bivalve amplamente consumido em todo o mundo, rico em proteínas, minerais e vitaminas do complexo B. O molusco apresenta ácidos graxos ômega-3 e minerais como zinco, ferro e selênio. O consumo regular de Mexilhão pode trazer benefícios para a saúde, como melhora na saúde cardiovascular, manutenção da saúde óssea e prevenção de anemia devido à sua alta concentração de ferro.

 

 

 

O mexilhão possui concha preto-azulada ou marrom e carne macia; em várias regiões do Brasil é chamado diretamente de “marisco”. O mexilhão é um dos frutos do mar mais versáteis e econômicos da gastronomia. Ele pode ser preparado e consumido de diversas maneiras, seja com a concha( comum quando fresco) ou usando apenas o miolo(frequentemente vendido congelado).

 

 

O molusco pode ser consumido cru, com azeite, alho, cebola, pimentão e tomates bem maduros picados  ou usado em Paella e Risotos, junto com outros frutos do mar, nas Massas, em pratos como o Spaghetti allo Scoglio (com frutos do mar) e em Caldeiradas e Cazuelas, cozido em panelas de barro junto com peixes, pimentões e leite de coco. 

 

 

Os caiçaras utilizam o mexilhão ou marisco para ser consumido no famoso “lambe-lambe”, quando o molusco è cozido junto com o arroz na panela. O “lambe lambe”  é considerado um dos pratos mais saborosos da cozinha caiçara.  bolinho de mexilhão, pastel, bobó, risoto e paella.    

 

 Preparo

 

 

O lambe-lambe caiçara é uma preparação tradicional do litoral paulista, especialmente associada às comunidades de pescadores. É um prato simples, feito com frutos do mar e temperos, que valoriza os ingredientes frescos da região. A receita é do chef caiçara Jaur Carpinetti, de Ubatuba. Nela, um quilo de marisco dá para servir até quatro pessoas. O tempo de preparo dos ingredientes e da limpeza do marisco é de 40 minutos. No fogão, o cozimento leva no máximo 15 minutos.

 

Chef ubatubano Jaur Carpinetti é especialista na culinária caiçara tradicional

 

Ingredientes

  • 1 kg de mexilhões ou mariscos frescos com casca

  • 2 xícaras de arroz branco cru

  • 1 cebola grande picada

  • 3 dentes de alho amassados

  • ½ pimentão picado (opcional)

  • 4 a 5 xícaras de água quente ou caldo de peixe

  • 3 colheres de sopa de azeite ou óleo

  • Cheiro-verde, Coentro e folha Loro

  • Coentro ou alfavaca a gosto

  • Pimenta-do-reino e pimenta dedo-de-moça a gosto

  • Sal com moderação

     

    Modo de preparo

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    1. Limpe os mariscos

    Lave bem em água corrente, escove as conchas e retire as impurezas. Descarte os que estiverem quebrados ou abertos e não fecharem quando tocados. Prefira mariscos de procedência fiscalizada.

    2. Prepare o refogado

     

    Em uma panela grande, aqueça o azeite e refogue a cebola e o alho. Acrescente o pimentão e as pimentas. Deixe cozinhar até formar um molho encorpado.

    3. Acrescente o arroz

    Coloque o arroz cru e mexa por cerca de 1 a 2 minutos, para absorver os temperos.

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    4. Cozinhe tudo junto

    Adicione a água quente ou o caldo. Junte os mariscos e parte do cheiro-verde. Tampe parcialmente e cozinhe em fogo médio, até o arroz ficar macio e os mariscos se abrirem, acrescentando água quente se necessário.

    5. Finalize e sirva

    Acerte o sal, acrescente o restante do cheiro-verde e deixe descansar por alguns minutos. Sirva imediatamente, com bastante caldo e os mariscos distribuídos pelo arroz.

     

     

Fazenda da Cocanha

 

Caraguatatuba possui 17 áreas de cultivo de mexilhões, distribuídas em dois blocos no mar, em uma área de aproximadamente 40 mil metros quadrados. A atividade reúne 17 maricultores e seus familiares, que há mais de 20 anos contribuem para a produção de moluscos na Fazenda Marinha da Cocanha, referência regional na maricultura.

 

 

A produção anual da Fazenda Marinha da Cocanha, em Caraguatatuba, é de cerca de 160 toneladas de mexilhões por ano. Essa produção faz com que ela seja considerada a maior fazenda de mexilhões do Estado de São Paulo. O cultivo é realizado em mar aberto e abrange uma área marinha de aproximadamente 40 mil metros quadrados.  

 

O cultivo teve início em 1984 por meio do Projeto Martim Pescador. Tratou-se de uma cooperação essencial entre a Colônia de Pescadores Z-8 Benjamin Constant e a ONU, representada pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), com o posterior apoio da Secretaria de Meio Ambiente do Estado.

 

No cultivo, o mexilhão leva em média de 7 a 12 meses para atingir o ponto ideal e o tamanho comercial para consumo. Esse tempo varia de acordo com as condições da água (como temperatura e oferta de alimento) e a espécie cultivada. No Brasil, a espécie predominante é o mexilhão Perna perna. 

 

Além de movimentar a economia e a gastronomia local com a maricultura sustentável, o espaço serve como um polo de Turismo de Base Comunitária (TBC). Os visitantes podem agendar passeios de barco operados pela associação local (AMAPEC) para acompanhar de perto o processo tradicional de cultivo e conhecer a cultura caiçara da região.  

 

A AMAPEC(Associação dos Maricultores e Pescadores da Cocanha) foi criada em 2.000.  Com apoio da prefeitura, a associação promove no mês de novembro  tradicional Festival do Mexilhão, com pratos típicos deliciosos preparados com o mexilhão fresco colhido diretamente da fazenda marinha, como o famoso marisco lambe-lambe, (preparado na concha com arroz), bolinho de mexilhão, pastel, bobó, risoto e paella.     

 

Qualidade da água

 

 

 

Além da importância econômica e cultural para a comunidade caiçara, a atividade exige cuidados com a preservação ambiental, a qualidade da água e a segurança sanitária dos alimentos destinados ao consumo humano.

 


As áreas de cultivo são sinalizadas conforme as normas aplicáveis da Marinha do Brasil. Por isso, embarcações e visitantes devem respeitar a delimitação dos espaços, as regras de navegação e as orientações de segurança. A circulação inadequada de embarcações motorizadas também pode provocar impactos ambientais e comprometer as estruturas de cultivo.

 


A avaliação da qualidade das águas costeiras envolve diferentes órgãos públicos, cada um com atribuições específicas. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) realiza o monitoramento ambiental e a avaliação da balneabilidade das praias, com critérios voltados à segurança do banho de mar.

 

 

Já a Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, por meio do Plano Estadual de Monitoramento de Moluscos Bivalves (PEMMOBI), coordena o controle sanitário das áreas de produção, com análises laboratoriais específicas para verificar a presença de contaminantes nos moluscos.

 


A diferença entre esses monitoramentos é fundamental para a orientação da população. Uma praia classificada como própria ou imprópria para banho pela Cetesb não tem, por esse resultado isolado, a condição sanitária de seus mexilhões automaticamente definida. A liberação da retirada e da comercialização dos moluscos depende dos resultados das análises específicas e das determinações das autoridades sanitárias competentes. 

 


Os mexilhões são moluscos filtradores: retiram partículas da água para se alimentar e, nesse processo, podem acumular microrganismos e substâncias tóxicas. Quando houver alerta ou restrição sanitária, a população deve seguir as orientações oficiais e evitar a retirada, a comercialização e o consumo dos moluscos enquanto a atividade estiver suspensa.

 

Embora o cozimento adequado reduza riscos microbiológicos, ele não elimina as biotoxinas marinhas. Assim, ao adquirir mexilhões recém-colhidos, é indispensável checar as condições sanitárias do local de cultivo. Além disso, a venda e o consumo do produto devem sempre seguir as autorizações oficiais dos órgãos competentes.

 


A Prefeitura de Caraguatatuba, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, orienta moradores, turistas, comerciantes e consumidores a acompanhar os comunicados oficiais sobre a qualidade ambiental das águas e a situação sanitária dos moluscos cultivados no município.

 


A preservação das áreas de cultivo, o respeito às normas de navegação e o consumo responsável contribuem para a proteção do ambiente marinho, a saúde pública e a continuidade da atividade tradicional dos maricultores da Cocanha.

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