Nascido no bairro do Tinga, João Paulo Cunha, representará Caraguatatuba no Congresso nacional
Por Salim Burihan
O Litoral Norte Paulista terá um representante na Câmara Federal. Trata-se do deputado federal João Paulo Cunha, do PT. Os demais seis candidatos a deputado federal pela região não conseguiram se eleger.
Felipe Augusto(PSDB) teve 14.994 votos; João Colucci( União Brasil) somou 9.974 votos; Danster Fernandes(PV) obteve 8.824 votos; Professora Adriana Martins(PT/PCdoB/PV) teve 4.472 votos; Fernando Aguiar(PSD), teve 1.109 votos; e, Daniel Galani(PDT), 791 votos.
Um caraguatatubense foi eleito deputado federal e retorna ao congresso nacional após 12 anos. Trata-se do deputado federal João Paulo Cunha(PT) que foi eleito no domingo(4), com 109.545 votos.
João Paulo Cunha nasceu em Caraguatatuba, em 6 de junho de 1958. Seus pais Filho de José Venâncio da Cunha e Izabel Ribeiro da Cunha. moravam no bairro do Tinga, um dos bairros mais populares da cidade. Quando tinha seis anos de idade sua família deixou Caraguá e mudou-se para Osasco.
O pai trabalhava como vigia numa metalúrgica, a mãe era empregada doméstica. Ainda pequeno, vendeu picolé na rua, legumes na feira, engraxou sapatos e etiquetou embalagens de produtos de limpeza numa fabriqueta da patroa da mãe. Aos 14 anos, foi registrado como vendedor de uma loja de esportes Lá, João Paulo estudou e concluiu o segundo grau e desenvolveu sua carreira profissional como programador de produção e metalúrgico.
Foi em Osasco que ele iniciou sua militância nos movimentos sindicais e populares. Atuou na Pastoral da Juventude e nas Comunidades Eclesiais de Base, bem como, no Centro de Defesa dos Direitos Humanos. Foi um dos fundadores do PT em Osasco. E, em 1982, foi eleito vereador pela cidade.
Em 90 João Paulo foi eleito deputado estadual. Em 1995, elegeu-se deputado federal. Reelegeu-se em 99,2003, 2007 e 2011. Nas duas últimas eleições, 2006 e 2010 foi o deputado mais votado de São Paulo. Foi presidente da Câmara dos Deputados de 2003 a 2005, ocasião em que visitou Caraguatatuba e foi homenageado na Faculdades Módulo.
João Paulo sempre apresentou como político um conduta das mais corretas até que no período em que ocupava a presidência da Câmara, foi acusado de participação no mensalão ao se descobrir um saque em nome da sua esposa, Márcia Regina Milanésio Cunha, no valor de cinquenta mil reais no Banco Rural. João Paulo sempre negou qualquer envolvimento com mensalão ou crime de corrupção.
Ele foi absolvido por seus colegas na Câmara, que rejeitaram o pedido do processo de cassação do mandato. Condenado na Ação Penal 470 por corrupção passiva, peculato (desvio de recursos) e lavagem de dinheiro, João Paulo recebeu uma pena de nove anos e quatro meses de prisão em regime fechado, além da obrigação de pagar uma multa de R$ 370 mil.
João Paulo foi o primeiro político a ser condenado por corrupção na história brasileira. Foi também o primeiro a ser condenado no processo do mensalão. Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu em 2016 indulto de pena ao ex-deputado federal João Paulo Cunha, condenado em 2013 na Ação Penal 470, o processo do mensalão.
Cunha foi condenado a seis anos e quatro meses de prisão e, cumpriu prisão em regime aberto. Com a decisão, o ex-parlamentar recebeu perdão do restante da pena. Renunciou ao mandato em fevereiro de 2014, já preso para cumprir mais de seis anos de pena pelo mensalão.
Em 2017, após deixar a cadeia, João Paulo abriu um escritório de advocacia em Brasília, mas acabou encerrando as atividades três anos depois. Trabalhou na Iesa, um gigante do setor de óleo e gás.
Ele ficou inelegível por oito anos, prazo que venceu em 2022. Na época, não quis disputar a eleição daquele ano porque avaliou que o caso ainda estava recente e faltava tempo para movimentar sua base eleitoral. Este ano, estimulado por Lula, decidiu sair candidato a deputado federal. Retornará ao Congresso Nacional a partir de 2027.
