Agenda: Começa em Paraty o 44º Festival da Cachaça, Cultura e Sabores

 

Um bom programa para o fim de semana para quem pretende viajar para o litoral norte paulista e sul fluminense. Começa nesta quinta(20) e vai até domingo(23) o 44º Festival da Cachaça, Cultura e Sabores de Paraty. O evento no Areal do Pontal, com entrada gratuita, reúne os principais alambiques artesanais da região, praça de alimentação, aulas-show, feira de artesanato e shows musicais.

 

Os principais alambiques da região estarão presentes no evento para apresentar e comercializar seus produtos, valorizando uma tradição que faz parte da história de Paraty  desde o século XVI.  Em 2017, Paraty recebeu o título de Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco. Em 2019, o município passou a integrar a lista de Patrimônio Mundial. 

 

A abertura oficial do Festival da Cachaça será na quinta-feira (20/8), às 18h com o Cortejo Batucador Maluco, do Chafariz até o Areal do Pontal . Já às 22h  terá o show com a cantora Sandra Sá.  Na Sexta (21/8), o show da noite fica por conta do cantor João Ramalho, também às 22h. No domingo (22/8), a cantora Marvila sobre ao palco às 22h. E a festa se encerra no Domingo (23/8) ao som do grupo Rasta Pé. Além da degustação das cachaças produzidas na região, o festival contará com praça de alimentação e espaço de convivência.  

 

História

 

 

Em janeiro de 2022, a Associação de Amigos e Produtores de Cachaça de Paraty – APACAP, lançou um livro sobre a importância da cachaça no desenvolvimento do município. O livro ”Mucungo – A história da cachaça em Paraty”, de autoria de Flávio Leão e Lúcio Gama Freire, é um livro que descreve o crescimento da cidade, como a cachaça participou desse desenvolvimento, resgatando ações dos últimos 20 anos da cachaça em Paraty e destaca o processo de retomada do setor. Paraty é a única cidade do Brasil, que produz cachaça e tem o nome próprio para o vinho da cana usado para ser destilado a cachaça, que é Mucungo.

 

Desde o início do século XVII, a aguardente de cana era destilada em Paraty, usando a tecnologia do alambique. Em 1863, contam os autores de Mucungo, Paraty contava com 12 engenhos e mais de 150 fábricas de destilação de aguardente, e diversos estaleiros onde se fazem embarcações e vasilhas para a aguardente.

 

 

Segundo o livro, a decadência de Paraty teve início com a chegada das linhas férreas ao Vale do Paraíba que mudou a dinâmica do transporte de mercadorias entre São Paulo e Minas e o Rio de Janeiro. Paraty fica fora dessas rotas e aos poucos vai entrando em declínio. O Caminho Velho da Estrada Real, outrora bem cuidado por escravizados, fica sem manutenção e o movimento escasseia. E Paraty congela no tempo – cidade esquecida e de difícil acesso.

 

 

Os alambiques vão fechando. Mas a arte de fazer  cachaça ainda resiste, com meia dúzia de produtores, alguns, com tradições familiares na cachaça que remontam o início do século XIX, como os Mello. A família Mello começou a produzir cachaça em Paraty em 1803 com José Mello e segue até hoje a receita dos antepassados que fizeram da cidade sinônimo de cachaça de qualidade.

 

 

Parte dessa herança está nas técnicas de fermentação com leveduras selvagens e no uso de ingredientes secretos para o preparo do pé de cuba, que resultam em uma pinga que traduz os aromas e os sabores do território de Paraty. Em 1980, Eduardo Mello comprou a marca de cachaça Coqueiro, existente desde 1940, e criou uma das mais icônicas e premiadas cachaças do Brasil. Seguindo a tradição local, a Coqueiro passa apenas por duas madeiras, o amendoim, mais neutro e usado como substituto do inox, e o carvalho europeu. A cachaça Coqueiro é produzida na Fazenda Cabral, a 7 km do centro histórico de Paraty, por Eduardo Mello e seu filho Eduardo Caligari Mello.

 

 

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