Polícia conclui inquérito sobre Berenice: patroa teria supostamente matado a cozinheira para não pagar dívida trabalhista

Três pessoas foram presas: a patroa Eliane Alves dos Santos; o sobrinho dela, Magno dos Santos Neri Barbosa; e, o policial da reserva Irimar Castilho

 

Com as prisões do policial da reserva Irimar Castilho, de 55 anos, na segunda-feira(4) e de Magno dos Santos Neri Barbosa, de 31 anos, sobrinho da empresária Eliane Alves dos Santos, ex-patroa de Berenice, ocorrida na terça-feira(5) e da empresária Eliane Alves dos Santos, ex-patroa da cozinheira, no dia 10 de julho, a polícia paulista concluiu o inquérito sobre a morte da cozinheira Berenice Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, viúva e mãe de três filhos.

 

Prisão de Magno dos Santos Neri Barbosa

 

Tudo indica que as três pessoas presas estejam supostamente envolvidas na morte de Berenice e deverão esclarecer como a cozinheira foi morta e qual teria sido a participação de cada um deles no crime. Segundo a polícia civil, Berenice foi assassinada no mesmo dia do desaparecimento, 30 de junho, por exigir o pagamento de verbas trabalhistas, que teria sido o motivo do crime.

 

A Polícia Civil não divulgou o valor exato em dinheiro que a empresária Eliane Alves dos Santos devia à cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria.  A polícia confirmou apenas que a motivação do crime foi uma desavença financeira decorrente de verbas trabalhistas e da rescisão contratual.

 

Berenice trabalhava há cerca de quatro meses no restaurante da suspeita, localizado no bairro Ubatumirim, região norte de Ubatuba. Após ser demitida devido à baixa temporada, Berenice cobrou os seus direitos trabalhistas, algo em torno de R$ 4 mil, o que gerou uma discussão antes de seu  desaparecimento e morte. 

 

Como ocorreu a morte de Berenice ainda não ficou muito claro. Segundo a polícia, Berenice teria sido colocada em uma caminhonete, supostamente, da ex-patroa,  sob o pretexto de ser levada para atendimento médico. O que teria acontecido com ela? Teria sido agredida? Teria levado tiros? Na sequência, segundo a polícia civil, seu corpo foi transportado até o Estado do Rio de Janeiro e abandonado em uma região de mata de difícil acesso, onde acabou sendo localizado dias depois.

 

É preciso que  a polícia esclareça como Berenice foi morta: foi por tiros, por esganamento ou estrangulamento. O laudo do IML de Angra até agora não foi divulgado oficialmente. Consta que o corpo da cozinheira quando foi encontrado em dia 17 de julho, estaria em adiantado estado de decomposição. Ela teria sido reconhecido pelos filhos, graças a uma tatuagem no corpo.

 

Pelas informações repassadas pela polícia civil, consta que a motivação do crime teria sido o pagamento de verbas trabalhistas exigidas pela cozinheira; a patroa teria sido a autora do tiro(s) que matou Berenice e que o sobrinho dela, Magno dos Santos Neri Barbosa, teria tido  participação direta na execução do homicídio e na ocultação do cadáver. Não ficou claro, qual teria sido a suposta participação do policial da reserva Irimar Castilho no crime.

 

Polícia Civil

 

 

A Polícia Civil do Estado de São Paulo informou que prendeu, na noite de segunda-feira (3), I. C., de 55 anos, investigado por participação no homicídio da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, desaparecida desde o dia 30 de junho e encontrada morta cerca de 15 dias depois em uma área de mata no município de Angra dos Reis (RJ). A captura foi realizada por investigadores da Delegacia de Investigações Gerais (DIG/DISE) da Delegacia Seccional de Polícia de São Sebastião, em cumprimento a mandado de prisão preventiva expedido pela 2ª Vara da Comarca de Ubatuba.

 

A prisão representa a conclusão da fase operacional da Operação “Último Rastro”, resultado de uma investigação minuciosa conduzida pela DIG de São Sebastião, que reuniu um robusto conjunto probatório ao longo de mais de um mês de diligências. Os trabalhos envolveram análise de imagens de monitoramento, rastreamento de veículos, exames periciais, laudos técnico-científicos, extração e análise de dados telemáticos e telefônicos, oitivas de testemunhas e diligências realizadas nos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, possibilitando o completo esclarecimento da dinâmica criminosa e a identificação de todos os envolvidos.

 

Com a prisão de I. C., a Polícia Civil cumpriu todos os mandados de prisão preventiva expedidos no curso da investigação. Já haviam sido presos E., apontada como autora dos disparos que vitimaram Berenice, e seu sobrinho, M. dos S. N. B., de 31 anos, investigado por participação direta na execução do homicídio e na ocultação do cadáver.

 

Segundo as investigações, Berenice trabalhava havia aproximadamente quatro meses para E., em uma propriedade rural localizada no bairro Ubatumirim, em Ubatuba. Os elementos reunidos no inquérito policial indicam que desentendimentos relacionados ao pagamento de verbas trabalhistas motivaram o crime.

 

As apurações demonstraram que a vítima foi assassinada no mesmo dia do desaparecimento, após ser colocada em uma caminhonete sob o pretexto de ser levada para atendimento médico. Na sequência, seu corpo foi transportado até o Estado do Rio de Janeiro e abandonado em uma região de mata de difícil acesso, onde acabou sendo localizado dias depois.

 

A investigação também revelou diversas tentativas de ocultação de provas, entre elas reparos no veículo utilizado na ação criminosa, descarte e substituição de aparelhos celulares, exclusão de dados eletrônicos e alteração de vestígios com o objetivo de dificultar a atuação policial. Exames periciais identificaram vestígios de sangue humano nos veículos utilizados pelos investigados, além de outros elementos técnicos que corroboraram as conclusões alcançadas pela equipe de investigação.

 

I. C. foi localizado em uma residência no bairro Estaleiro, em Ubatuba, onde recebeu voz de prisão sem oferecer resistência. Após os procedimentos de polícia judiciária, será submetido à audiência de custódia e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, em razão de sua condição de policial militar da reserva, permanecendo à disposição da Justiça. A defesa de Irimar disse ao portal G1, que ele é inocente e que considera a prisão um “equívoco judicial” que será reparado. A defesa de Magno dos Santos Neri Barbosa ainda não se manifestou.  A patroa de Berenice, Eliane Alves dos Santos alega que irá se manifestar apenas em juízo.

 

O Delegado Seccional de Polícia de São Sebastião, André Costilhas, destacou a complexidade da investigação e o trabalho desenvolvido pela equipe da DIG:

 

“Foi uma investigação complexa, conduzida com absoluto rigor técnico, integração entre as equipes e intenso trabalho de inteligência policial. A análise de provas periciais, imagens, dados telemáticos, rastreamento de veículos e diligências realizadas em diferentes cidades permitiu reconstruir toda a dinâmica do crime e identificar a participação de cada um dos envolvidos. Com o cumprimento de todos os mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça, a Polícia Civil encerra a fase operacional da Operação ‘Último Rastro’, oferecendo uma resposta firme à sociedade e reafirmando seu compromisso com a elucidação de crimes graves e a responsabilização de todos os autores envolvidos.”

 

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