Atobá-marrom é resgatado pelo Instituto Argonauta preso a pote plástico na Praia do Engenho, em Ubatuba

 

Um atobá-marrom (Sula leucogaster) foi resgatado na manhã desta quarta-feira (8) após ser encontrado preso a um pote plástico de sorvete na Praia do Engenho, em Ubatuba. O animal foi localizado por moradores, que acionaram as equipes do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, responsável pela execução do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no litoral norte paulista. Ao chegar ao local, a equipe constatou que a ave permanecia presa ao recipiente plástico, situação que comprometia sua movimentação e poderia colocar sua sobrevivência em risco.

 

O atobá foi resgatado e encaminhado ao Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) de Ubatuba, onde passou pelos primeiros procedimentos veterinários e permanece em observação. Durante a avaliação inicial, foi constatado que se trata de um macho adulto, com escore corporal magro, porém ativo e com temperatura corporal dentro da normalidade. Após a retirada do recipiente plástico, a equipe observou apenas um discreto inchaço na região onde o pote estava preso, sem alterações mais graves aparentes. Também foram realizados exames clínicos, coleta de sangue e outros exames de entrada. O animal permanecerá em observação enquanto aguarda os resultados, que irão subsidiar a definição da conduta para sua reabilitação.

 

O caso chama a atenção para um problema recorrente no ambiente costeiro: o descarte inadequado de resíduos sólidos. Embalagens plásticas, linhas de pesca e outros materiais podem aprisionar animais, provocar ferimentos, dificultar sua alimentação e locomoção e, em muitos casos, levar à morte.

 

O resgate integra o trabalho desenvolvido pelo Instituto Argonauta em parceria com o Aquário de Ubatuba desde 1998. Há mais de 25 anos, as duas instituições atuam conjuntamente no resgate, reabilitação, pesquisa e conservação da fauna marinha no litoral norte paulista. Nesse período, milhares de aves, tartarugas, mamíferos marinhos e outros animais já receberam atendimento especializado, contribuindo para a conservação da biodiversidade e para a produção de conhecimento científico que subsidia ações de pesquisa, manejo e conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos.

 

Segundo a médica-veterinária responsável pelo Centro de Reabilitação e Despetrolização do Instituto Argonauta, Raquel Beneton Ferioli, a avaliação inicial indica um quadro estável, mas o acompanhamento é fundamental para garantir a plena recuperação do animal. “Na avaliação inicial verificamos que o animal está ativo, apresenta temperatura corporal normal e, apesar do escore corporal magro, não foram observadas alterações graves relacionadas ao aprisionamento. Após a retirada do pote havia apenas um discreto inchaço na região afetada. Realizamos a coleta de sangue e outros exames de entrada para avaliarmos suas condições clínicas de forma completa. Agora ele permanecerá em observação enquanto aguardamos os resultados e acompanhamos sua evolução.”

 

Para o presidente do Instituto Argonauta e diretor executivo do Aquário de Ubatuba, o oceanólogo Hugo Gallo Neto, ocorrências como essa reforçam tanto a importância da atuação das equipes especializadas quanto da conscientização da sociedade sobre o descarte correto dos resíduos.

 

“Desde 1998, o Instituto Argonauta e o Aquário de Ubatuba atuam de forma integrada no resgate, reabilitação, pesquisa e conservação da fauna marinha. Esse trabalho contínuo permite que animais em situação de risco recebam atendimento especializado, ao mesmo tempo em que gera conhecimento científico e fortalece ações de conservação. Casos como este mostram que a proteção da vida marinha depende tanto da existência dessa estrutura permanente quanto do compromisso de cada cidadão em evitar que resíduos cheguem ao ambiente marinho”, detalhou Hugo Gallo.

 

O Instituto Argonauta orienta que, ao encontrar um animal marinho debilitado, preso em resíduos ou em qualquer outra situação de risco, a população não tente realizar o resgate por conta própria. O recomendado é manter distância, evitar manipular o animal e acionar imediatamente as equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMPBS) pelo telefone 0800 642 3341 ou pelo WhatsApp (12) 99785-3615.

 

O atobá-marrom (Sula leucogaster), é uma ave marinha amplamente distribuída ao longo da costa brasileira. A espécie passa grande parte da vida no oceano e se alimenta principalmente de peixes, capturados em mergulhos rápidos e precisos. No litoral norte paulista, é frequentemente observada e desempenha um importante papel no equilíbrio dos ecossistemas marinhos, sendo também um indicador da saúde do ambiente costeiro.

 

O Instituto Argonauta, criado em 1998 pela diretoria do Aquário de Ubatuba, atua em parceria com o próprio @aquariodeubatubaoficial nas ações de resgate e reabilitação de animais marinhos, contribuindo para a conservação da biodiversidade e a proteção da fauna costeira e oceânica. Além disso, é uma das instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

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